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Desabafos da Mula

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Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Samitério de Animais

Samitério de Animais é um filme obrigatório para os fãs de Stephen King, como eu, ainda que seja nestas alturas que tenho pena que Stanley Kubrick já não seja vivo. Ainda que os realizadores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer não estivessem mal, algumas arestas poderiam ser limadas e o filme teria muito mais potencial para ser ainda mais assustador.

 

 

Não, não é um erro ortográfico. O filme não explora propriamente um cemitério de animais, mas antes um samitério de animais, que é muito mais sinistro e macabro.

 

O Samitério de Animais conta a história de uma família que se muda da cidade de Boston para uma terra no interior de Maine e que descobre que a sua propriedade inclui um cemitério de animais onde procissões e cultos são realizados aos animais domésticos que morrem naquela zona como forma de lhes prestarem homenagem. E se desde o início da mudança a família percebe que algumas coisas estranhas acontecem na zona, tudo piora quando o gato da família, Church, morre. Na tentativa de não fazer sofrer a filha do casal, o gato é enterrado numa terra indígena que promete trazer coisas de volta, e assim é despoletada toda um conjunto de reações em cadeia que leva a família à desgraça.

 

O lema do filme é "Às vezes é melhor estar morto" e por isso mesmo, o filme demonstra que tentar adulterar a realidade para tentar de alguma forma escapar ao sofrimento, não vai dar bom resultado e que por isso devemos aceitar o que nos acontece, seja de bom ou de mau. O filme marca claramente uma posição: não devemos nunca alterar a ordem das coisas, ou adulterar determinados acontecimentos sob pena de influenciarmos uma data de reações adversas, mesmo daqueles que nos rodeiam.

 

O Samitério de Animais coloca-nos algumas questões importantes, essencialmente no que toca ao tema morte. Foca muito a forma como diferentes pessoas lidam com a morte, e como passamos esse tipo de informação para as crianças. É um filme que também nos coloca numa posição indelicada e extremamente desconfortável: E se pudéssemos trazer de volta à vida alguém que amássemos muito e que já não está connosco, seja pessoa ou animal? Quem nunca o desejou fazer...? E se tivéssemos essa oportunidade mesmo sabendo que nada iria ser igual?

 

O filme está claramente dividido em duas fases: A primeira metade do filme é a mais lenta mas é também a mais intensa, com cenas mais assustadoras e macabras. Com cenas mais desconfortáveis essencialmente para pessoas que como eu idolatram os gatos. Confesso que na primeira metade do filme me arrependi amargamente de ter ido ver o filme, pois ver um gato numa posição tão... Ingrata?... Me deixou bastante desconfortável, obrigando-me um pouco a reviver o que eu passei com o meu Pulga, apesar de - obviamente - serem situações bastante distintas. Até à primeira metade o filme é mais realista - dentro do irrealismo - e por isso mais assustador, no entanto, quando chegamos à segunda metade do filme em que as cenas avançam a uma velocidade atroz o filme torna-se um pouco mais desinteressante: Primeiro pela previsibilidade das cenas, segundo pela perda do terror para dar espaço à violência. O final não tem a capacidade para nos deixar maravilhados e acontece tão rápido que no fundo é apenas um repetir das cenas. Não querendo ser spoiler mas sendo-o totalmente - e por isso se quiserem ir ver o filme, parem de ler por aqui - basicamente filha mata mãe, que por sua vez mata pai, que por sua vez quer matar o outro filho e vivem felizes para sempre... Tudo isto nos últimos dois minutos de filme... É demasiada morte para tão pouco tempo de filme... E é aqui que o filme peca. Claramente os realizadores não conseguiram dar a volta ao texto e transformar um final tão insosso num final wow, e foi isso que fez falta ao filme. Começou muito bem, desenvolveu-se bem - apesar de ter alguns elementos não fundamentados apenas para dar terror às cenas - e na segunda metade do filme a qualidade desceu a pique e o final desiludiu.

 

É um bom filme de terror? Eu gostei e ainda dei alguns saltos na cadeira e tapei a cara com o meu lenço algumas vezes... Mas não é o melhor filme alguma vez feito, nem acho que vá deixar uma marca verdadeiramente profunda na memória... Mas eu gostei.

 

Já viram? O que acharam?

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