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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Escapadinha - Dois dias e meio em Valência parte III

E chegamos à última parte da escapadinha de dois dias e meio por Valência. Já vimos como é o centro da cidade, já vimos como é a cidade velha, e chegou a altura de vermos a parte mais moderna: A Cidade das Artes e das Ciência projetada por Santiago Calatrava e Félix Candela. Santiago Calatrava foi também o projetista da Estação do Oriente em Lisboa e é possível encontrar algumas semelhanças.

 

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Cidade das Artes e das Ciência:

 

Fomos para a Cidade das Artes e das Ciências de autocarro. No centro, na Plaça de l'Ajuntament há uma carreira de autocarro - a carreira nº 35 - que nos deixa mesmo juntinho ao El Palau de les Arts Reina Sofía. Toda esta zona é moderna, desde os edifícios projetados, aos edifícios das zonas envolventes. Fez-me lembrar Bruxelas, que é até hoje a cidade mais moderna que já tive o prazer de conhecer.

 

 

(zona envolvente da Cidade das Artes e das Ciências)

 

 

(Vista geral da Cidade das Artes e das Ciências)

 

 

 

A Cidade das Artes e das Ciências é constituída essencialmente pelos seguintes edifícios:

 

 

L'Hemisfèric  que serve como Cinema Imax, Planetário e Laserium. Com aproximadamente 13.000 m².

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El Museu de les Ciències Príncipe Felipe  que é um Museu interativo de ciências e que tem aproximadamente 40.000 m² distribuidos por três pisos.

 

 

 

 

L'Umbracle, que é uma zona ao lar livre com plantas selvagens, e que serve como galeria de arte com esculturas de artistas contemporâneos.

 

 

 

L'Oceanogràfic  que é o maior aquário oceanográfico da Europa, com 110.000 m² e com 42 milhões de litros de água.

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El Palau de les Arts Reina Sofía  que é uma casa de ópera com apresentações de artes. Contém quatro grandes salões.

 

 

 

L’Àgora que estava em obras e que é um edifício para concertos e eventos desportivos.

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E conta ainda com uma imponente ponte: A El Puente de l'Assut de l'Or, cujo pilar de 125 metros de altura é o ponto mais alto da cidade. Por ser demasiado grande não a conseguimos fotografar.

 

Como podem ver é uma zona moderna e imponente.

 

A Cidade das Artes e das Ciências conta ainda com uma área de relógios de sol para aprendermos enquanto nos divertimos.

 

 

 

Para além desta área de aprendizagem, existe ainda atividades que podem ser realizadas no lago onde se situa o  L'Hemisfèric, como andar nas "bolhas" - ou lá, como aquilo se chama! - ou em canoas.

 

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É sem dúvida um local a não perder numa visita a Valência, como podem ver.

 

 

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Após palmilharmos toda esta zona, foi altura de ir até à Marina e até à praia.

 

 

Costa Marítima:

 

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A zona marítima de Valência é bastante verde como podem ver. Para caminhadas podemos escolher ir pela zona do areal, pela zona pedonal, ou ainda pela zona verde. É à escolha do freguês. Aqui claro que fomos molhar os pezinhos - vá, eu fui! - e descansar um pouco porque andamos imenso. Só para terem uma noção, só na zona da Cidade andamos cerca de 10 km, fora o que já tínhamos andado de manhã. É realmente cansativo, mas... É tão bom!

 

 

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Confesso que imaginava o mar mediterrâneo um pouco mais quente. Mas estou a ser tão injusta, porque ao molhar os pezinhos não houve um único arrepio e é mesmo muito mais quente que o nosso atlântico, essencialmente se nos referirmos ao atlântico aqui da zona Porto, que nem no verão eu vou à água...

 

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E como podem ver é muito sereno. Será certamente ótimo para um mergulho e para passar ali o dia. Saudades de passar o dia dentro de água. 

 

Terminamos assim a nossa viagem a Valência. Como veem é uma cidade muito completa e rica, por isso não deixem de visitar!

 

E então: Ficaram com vontade de viajar?

Escapadinha - Dois dias e meio em Valência parte II

Percorrido todo o centro de valência, chegou a altura de vos falar sobre o centro histórico. Tão belo, tão rico. Acho que me habituaria a caminhar por entre as várias vielas deste centro histórico diariamente.

 

Se querem comida típica, o centro histórico parece-me adequado. Digo parece-me, porque realmente de típico não comemos nada, mas as esplanadas e restaurantes estavam cheias, por isso parece-me um bom local para comer, ainda que os preços fossem um pouco fora do que desejamos pagar e daí nos termos afastado deste local no que toca a refeições.

 

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Centro Histórico:

 

O ideal para conhecer o centro histórico, também conhecido por Cidade Velha - se não quiserem ir a pé - é sair na estação de metro de Colón que não sendo propriamente no centro histórico é bastante perto.

 

Chegamos à Plaza de la Virgen e aqui encontramos a Catedral de Santa María de Valencia, sendo que a porta que aqui vemos na fotografia é conhecida pela Porta dos Apóstolos.

 

 

IMG_20180416_153543.jpg(Catedral de Santa María de Valencia vista pela Plaza de la Virgen)

 

 

Logo ali ao lado, temos a Basilica de la Virgen de los Desamparados, conhecida pela incrível cúpula de tijolos azuis, sendo uma das mais importantes da cidade uma vez que é onde se encontra a padroeira da cidade: A Virgem dos Desamparados.

 

 

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(Basilica de la Virgen de los Desamparados, vista da Plaza de la Virgen )

 

 

Um pouco mais à frente, caminhando por uma rua que liga à praça, encontramos a Porta de Serrans, cuja subida à torre fica gratuita com o nosso Tourist Card.

 

(Torre de Serrans) 

 

 

(Vistas da Torre de Serrans) 

 

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(Há sempre tempo para algumas brincadeiras)

 

 

Um pouco acima do centro histórico, bem visível aqui do cimo da Torre de Serrans, temos o Jardim de Túria, planificado no antigo Rio Túria. São nove quilómetros de jardins, pontes, lagos e diversos parques para diversas atividades para miúdos e graúdos. O Rio Túria foi desviado do centro de Valência após as inundações de 1957 que devastou a cidade e onde morreram 81 pessoas, assim de forma a evitar futuros incidentes, desviaram o rio e no seu canal construiram algo que as pessoas da cidade pudessem usufruir, sendo atualmente o maior parque espanhol. 

 

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(Antigo Canal do Rio Turia - Atual Jardim de Turia)

 

 

Algo que achei curioso em Valência é que tudo está escrito em duas línguas: Valenciano e Castelhano, mas pelo que percebi, entre si as pessoas falam o castelhano. O valenciano é estranho, é como se fosse uma mistura entre o italiano, o castelhano e o francês a pesar de se perceber minimamente achei-o demasiado estranho.

 

É uma cidade com muitas pessoas. É uma cidade de  movimento: As ruas sempre cheias de gente, com imenso barulho, com transportes sempre a passar e confesso que isso nos agrada. Já a zona da costa - talvez por ainda não estarmos no verão - é uma zona mais calma, com menos movimento do que imaginei, apesar do calor.

 

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(Plaza de la Virgen)

 

Algo estranhamente curioso é a reação das pessoas com a temperatura. Só os turistas andavam de t'shirt, de vestidos, e de corpo ao léu. Já os nativos... Os nativos andavam como se fosse inverno. De casacos, de lenços, de tudo como se estivessem 10ºC, e não como os 30ºC, que estiveram na terça e na quarta-feira.

 

À noite, as ruas continuam cheias de gente, mas torna-se mais difícil para jantar. Pelo menos todos os restaurantes que tentamos ir estavam fechados à noite. E os que estavam abertos, eram os mais turísticos: uma vez mais, esses não nos interessavam. O que gostei muito nesta cidade é que dá a sensação de uma cidade segura. Não se vê gente estranha, nem pessoas a tentar vender coisas ilegais, mesmo no metro. Eu não gosto de andar no metro de Londres porque é povoado por gente demasiado estranha que dá uma sensação de insegurança, mas aqui não. Foi muito tranquilo.

 

Para jantar, ao fim de andar e andar e andar e já começar a desesperar e a procurar o McDonalds mais próximo, encontramos um pequeno restaurante italiano que nos pareceu muito bem. Pizza vegetariana para ele, um fusili com pesto para mim. Delicioso.

 

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E terminamos assim o dia dois desta escapadinha por Valência.

 

E o terceiro e último post está quase aí. E então, vão deixar passar?

Escapadinha - Dois dias e meio em Valência parte I

Na altura do meu aniversário gosto de viajar. Aliás, na realidade gosto de viajar sempre, mas por vezes precisamos de algumas desculpas, porque o dinheiro não é fêmea e não se multiplica como deveria. Então, aproveitamos alturas especiais para colocar-mos os pés ao caminho e ir ver mundo - como gosto de dizer.

 

 

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Fomos pela primeira vez a Valência, terra da paella, que para quem não sabe se situa na costa mediterrânica a leste de Espanha. Já tinha estado ali bem pertinho por duas vezes, em Múrcia, mas esta parte ficou por visitar.

 

Valência é uma cidade muito antiga - fundada ainda antes de Cristo - e por isso é uma cidade cheia de história, com imensos museus e edifícios históricos. Adorei a arquitetura valenciana, tão diferente, tão distinta. Quando vamos a Madrid, ou a Londres encontramos um certo padrão arquitetónico, onde os edifícios nos parecem todos semelhantes - soubessem a dificuldade que tivemos para encontrar o nosso primeiro hotel em Londres devido às ruas serem todas iguais naquela zona... -, mas aqui em Valência senti diversidade, e isso confesso que me agradou imenso.

 

A nossa visita por Valência foi breve, tivemos apenas dois dias e meio para palmilhar o que conseguimos e se é tempo suficiente para visitar o mais importante, não é, de todo, suficiente para viver a cidade como merecia. Muito ficou por ver e absorver, e confesso que fiquei com imensa pena de não ter feito uns dias de praia, já que a praia me pareceu maravilhosa e a água bem apetecível e o tempo fantástico para uns dias de bronze.

 

Para ser mais fácil de partilhar convosco esta viagem, dividirei a cidade em três pontos fundamentais e de visita obrigatória e em três publicações para não ser demasiado exaustivo: Centro da Cidade (parte I), Centro Histórico (parte II) Cidade das Artes e das Ciências e a Costa Mediterrânica (parte III). Mas antes de vos falar sobre cada um destes pontos referir que andamos sempre a pé e de transportes, e é uma cidade muito fácil para andar uma vez que é bastante plana. Compramos por isso o Valencia Tourist Card para 72 horas, que dá para autocarro, metro e comboio e andamos despreocupados. Este cartão dá ainda acesso gratuito a alguns edifícios e museus, para além de descontos em muitos outros de entrada paga, assim como em vários serviços e produtos.

 

Felizmente o tempo esteve ótimo. É uma cidade quente. No primeiro dia ainda apanhamos um pouco de chuva da parte da manhã - umas gotinhas, nada que incomodasse - mas de tarde quando o sol se pôs os termómetros subiram bastante. Quanto às noites, foram frescas mas agradáveis.

 

Centro da Cidade:

 

Comecemos pelo início. Começamos a conhecer a cidade após sairmos na estação de metro de Xàtiva, que nos deixa mesmo no coração da cidade.

 

 

(ruas do centro da cidade de Valência)

 

(Estació del Nord - Estação ferroviária em Xàtiva)

 

 

Mesmo ao lado da Estació del Nord temos uma das praças de touros mais antigas do país, de estilo neoclássico, criada  pelo valenciano Sebastián Monleón Estellés e que como disse a menina do nosso hotel achando que éramos italianos - apesar de ter um cartão de cidadão que diz Portugal na mão - é uma praça semelhante ao Coliseu Romano. Eu não gosto do que as praças de touros representam. Sou contra as touradas e o que elas representam, no entanto é-me impossível não gostar da arquitetura das mesmas e dariam belíssimos espaços para concertos e outros espetáculos ao ar livre.

 

 

(Praça de Touros) 

 

 

Vir a Espanha é sempre - sempre que possível - sinónimo de matar saudades de uma das minhas marcas de gulodices favorita: A Dunkin' Donuts, que é uma marca americana que infelizmente não encontramos em Portugal, mas que está presente em várias cidades espanholas, para meu deleite. Não é típico de um pequeno almoço espanhol, mas churros carregados de óleo logo pela manhã também não me deleita nada. Fomos então tomar o pequeno almoço, e digam lá se não tenho razão para gostar disto? Donuts tão fofos que se desfazem na boca? Donuts para todos os gostos e feitios? É sem dúvida no Dunkin' Donuts.

 

 

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(pequeno-almoço no Dunkin' Donuts)

 

 

Bem ali no centro da cidade, junto a grandes lojas de grandes marcas - todas as lojas parecem gigantes aqui - encontramos esta estátua chamada "Callejeros" inaugurada apenas no mês passado com o objetivo de consciencializar as pessoas para os animais abandonados e para a importância de todas as pessoas que diariamente cuidam destes animais sem lar. Na estátua podemos ler: "als animals abandonats i a les persones que els cuiden." Claro que fiquei toda sorrisos a ver esta belíssima homenagem.

 

 

(estátua "Callejeros")

 

 

Caminhando um pouco pela cidade, rapidamente encontramos o Mercado de Colón, edificado em 1916 e reabilitado em 2003, servindo atualmente como centro de comércio e restauração.

 

 

(Mercado de Colón)

 

 

Não muito longe do mercado de Cólon (cerca de 1km a pé), encontramos um outro mercado, o Mercado Central. O Mercado Central de Valência é um dos mais antigos - e maiores - mercados da Europa ainda em funcionamento. Edificado em 1914, tem uma área de cerca de 8000 m² e é atualmente utilizado para comércio. Aqui destaco o preço dos espargos! Se não tivesse viajado com uma mochilinha teria carregado a mala com espargos. Ali custam 1/3 do que custam em Portugal. Acreditem, fiquei indignada.

 

 

(Mercado Central de Valência)

 

 

A cidade parece pequena, mas de pequena tem muito pouco. E após, andar, andar e andar, deu-nos claramente a fome, que donut e meio e um café não é sustento para ninguém - nem comida, propriamente dita dirá a minha nutricionista.

 

Uma vez mais nada de comida típica. Queríamos algo mais saudável para equilibrar o pequeno almoço, e encontramos uma casa de wraps e saladas que nos serviu lindamente o propósito. Wraps de frango para os dois, e sumo de limão, ananás e arandos. A minha nutricionista se visse ficaria orgulhosa... Mas o orgulho acabaria assim que percebesse que esta foi a única refeição saudável destes dias.

 

 

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(Zummsalads, Valência)

 

 

Almoço feito. Energias repostas. Fomos para o centro histórico. 

 

Neste primeiro dia, andamos cerca de 20 km. Fiquei com os pés feitos num oito, todos massacrados. Ainda por cima carregados. É que eu sou Mula, bem sei, mas não fui feita para Mula de carga.

 

Mas como não partilharei o centro histórico nesta publicação, avancemos um pouco até ao dia seguinte, onde atravessamos o antigo canal do Rio Túria para ver mais um pouco da cidade.

 

 

(Jardim de Túria)

 

 

Do outro lado da "margem" fomos visitar o museu das Ciências Naturais que se situa no interior dos Jardines del Real. É um museu igualmente gratuito se tivermos o cartão que já vos falei. Não achei muito interessante, é basicamente um museu de Paleontologia e eu apesar de ser grande fã das ciências, interesso-me muito pouco por pedras e por fósseis. Mas está um museu engraçado, ainda que com muito pouca interatividade.

 

 

(Museu das Ciências Naturais)

 

E terminamos assim a primiera parte desta escapadinha por Valência.

 

Na próxima publicação partilharei o centro histórico de Valência. Por isso não percam o próximo episódio porque eu também não perderei!

 

Boas viagens!

Açores - S. Miguel // Parte V

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Dia 5

Não estava esquecida, mas ainda não tinha tido oportunidade para vos contar o último dia nos Açores, que desta vez foi pelas furnas e pelo Nordeste. Vamos lá embarcar no último dia desta aventura?

 

A zona das Furnas, situada a Este de Ponta Delgada é  conhecida pelas caldeiras de água quente, que nada mais são que zonas de vulcanismo ativo, onde géisers de água a ferver brotam das caldeiras. Aqui é cozinhado o tão famoso cozido das furnas e o milho que também é uma delícia. Ao visitarem as furnas também não podem deixar de provar os fantásticos bolos lêvedos, que encontram em vários locais de S. Miguel mas que aqui tem um sabor diferente. O que eu achei muito engraçado, é que cada caldeira - ou seja cada buraco ativo - tem um nome.

 

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(Caldeiras das furnas)

 

 

 

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(Zona envolvente das caldeiras)

 

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(Zona envolvente das Furnas)

 

 

Nas caldeiras tivemos a oportunidade de ver cozinhar o milho que uns minutos depois acabamos por comer. Foi a primeira vez que comi milho em maçaroca e confesso: adorei!

 

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(Caldeira do Esguicho)

 

 

E ali logo ao lado do parque de estacionamento, junto às caldeiras das Furnas, encontramos esta amiguinha que ali estava confortavelmente a comer qualquer coisa.

 

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(ou não fosse a terra das vacas felizes)

 

Saindo da zona das caldeiras pela zona ribeirinha, encontramos a Lagoa das Furnas, onde é feito o tão famoso cozido. Não entramos na lagoa, infelizmente, mas o tempo não dava para tudo, e sabíamos que entrando íamos lá passar umas boas horas e o resto da ilha que ainda nos faltava visitar iria ficar comprometido.

 

 

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(Lagoa das Furnas)

 

 

Saímos das furnas a caminho do Nordeste. Passamos por uma série de miradouros, e num dos miradouros encontramos estes belos animais. Afinal não é só uma ilha de vacas felizes.

 

 

 

 

A caminho do Nordeste, passamos pelo Miradouro da Ponta da Madrugada inaugurado apenas uns meses antes de lá termos ido. Este foi o miradouro mais bonito que alguma vez vi. Não pela vista em si, mas pelo próprio miradouro. Ora vejam:

 

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(Miradouro da Ponta da Madrugada)

 

 

 

Este miradouro foi um sonho, sabem o que é que encontramos por lá?

 

 

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(Colónia de gatos no Miradouro da Ponta da Madrugada)

 

 

 

E chegamos ao Nordeste. Todas as terras por onde passamos nos Açores são bonitas, mas esta é para mim das mais bonitas.

 

 

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(Nordeste - Arquitetura)

 

 

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(Nordeste - Ponte dos sete arcos)

 

 

Um dos pontos de visita obrigatória no Nordeste é o Farol do Arnel, situado na ponta do Arnel. Este farol, em funcionamento desde 1876 é o primeiro farol dos Açores. A descida até ao farol é bastante íngreme, com 35% de inclinação, durante cerca de 500m, mas vale bem a pena.

 

 

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(Nordeste - Descida para o Farol do Arnel)

 

 

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(Nordeste - Farol do Arnel)

 

 

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(Nordeste - Vistas da Ponta do Arnel)

 

 

 

Neste dia à noite regressamos às Furnas, desta vez para irmos à Poça de Dona Beija para queimarmos os últimos cartuchos. Já chegamos a esta estância termal passava das 21h e por isso não tiramos fotografias porque deixamos as nossas coisas no carro. Ainda assim deixo-vos com algumas fotografias que encontrei.

 

(Foto retirada daqui

 

(Foto retirada daqui)

 

 

A Poça de Dona Beija é constituída por várias poças com diferentes profundidades e temperaturas. Inicialmente fomos para a poça Serena onde a temperatura rondava os 40ºC, com duas cascatas ótimas para uma massagem às costas, mas como estava demasiado quente, acabamos por ficar aqui muito pouco tempo, indo logo de seguida para a Poça da Ribeira que sendo pouco profunda e situando-se junto a uma ribeira, tem temperaturas mais amenas que vão oscilando entre mais quente e mais frio. Ficamos até fechar, até às 22h45. E foi um final de dia em grande.

 

Um alerta para quem tenciona ir a estas águas férreas - seja na Caldeira Velha seja aqui nas Furnas - cuidado com os cabelos - essencialmente para as meninas - esta água seca imenso o cabelo, e faz com que cabelos pintados mudem de cor. Saí destas férias com o cabelo castanho - lá se foi uma vez mais o ruivo - e tão seco, mas tão seco que no dia seguinte mal me consegui pentear, para terem uma noção do desespero, até nívea pus no cabelo para o tentar pentear. Por isso não sejam como a Mula e evitem molhar os cabelos nas poças de água quente dos Açores.

 

E assim terminamos a visita a S. Miguel. No dia seguinte, ao final da manhã já estávamos no aeroporto à espera do nosso voo para casa. Espero que tenham gostado tanto como eu gostei. 

 

Até à próxima e boas viagens!

 

Açores - S. Miguel // Parte IV

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Dia 4

Ao quarto dia foi dia de conhecer Ponta Delgada, todas as noites fui percorrendo a pé as ruelas e calçadas mas ainda não lhe tinha dedicado tempo efetivo. Este foi um dia de sol, de chuva, de vento, de tudo um pouco. Mas foi essencialmente um dia de calor, que nos permitiu andar confortáveis.

 

Ponta Delgada é capital administrativa dos Açores e apesar das ilhas dos Açores serem descritas como sendo verdes, com muito pasto, muito gado, muitas montanhas e muita água, Ponta Delgada é uma cidade relativamente plana, moderna - preservada - e completa. É uma cidade com todas as comodidades necessárias sem que tenha abdicado do seu traçado regional.

 

Começamos este passeio pelas Portas do Mar, um grande empreendimento no passeio marítimo inaugurado em 2008 que prometeu dar vida à zona marítima da cidade. Aqui podemos desfrutar da cidade e do mar sem ter de abdicar de nenhum dos dois. É uma zona com muitos restaurantes e com animação noturna. Todas as noites fazíamos uma boa parte a pé deste passeio para ajudar a fazer a digestão.

 

 

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(Passeio marítimo de Ponta Delgada)

 

 

Aqui no passeio marítimo encontramos várias empresas de turismo para fazer excursões, ir ver as baleias e os golfinhos, entre outros passeios em toda a ilha. Confesso que fiquei com pena de não ir para alto mar ver, mas a verdade é que o dinheiro não chega para tudo e os preços ainda eram elevados. Talvez numa outra altura até porque prometemos regressar.

 

Ali na zona das docas, como é possível ver numa ou outra fotografia, é possível nadar. Existe delimitação para que as pessoas saibam por onde podem andar e existe inclusive um nadador salvador. Digamos que é uma piscina em plena cidade e pelo que percebi, é gratuita.

 

 

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(Zona marítima de Ponta Delgada)

 

Vê-se alguns turistas, mas curiosamente pensava que iria encontrar muitos mais. A verdade é que quando dizia que ia a S. Miguel as pessoas diziam que era bonito mas que agora haviam demasiados turistas que nem dava para ver bem as coisas, que agora o que estava a dar era ir para as outras ilhas antes de serem igualmente turísticas, e a verdade é que não senti nada disso. Há efetivamente algum turismo mas não me pareceu que a cidade estivesse lotada nem nada semelhante. Mas claro, temos de ter noção que fui em finais de Setembro, em Julho e Agosto imagino que seja diferente, mas Julho e Agosto é diferente em todo o lado.

 

O que adorei em Ponta Delgada é o facto de não tentarem modernizar a cidade, com prédios novos cheios de vidro e linhas modernas, gosto do facto de preservarem os edifícios em pedra, com pedra regional e acho que de outro modo seria uma cidade como qualquer outra sem qualquer piada.

 

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(Praça de Gonçalo Velho)

 

E aqui está o ex-libris de Ponta Delgada, aquele símbolo que aparece desde sempre associado aos Açores: As Portas da Cidade. São três arcos de volta perfeita em pedra regional, erguidos em 1783 na costa sudoeste da ilha e que em 1952 transferidas para o seu local atual: A Praça de Gonçalo Velho e são o símbolo da defesa terrestre da cidade.

 

 

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(Forte de S. Brás)

 

E por falar em defesa da cidade, um pouco mais à frente, temos o Forte de S. Brás também conhecido pelo Castelo de S. Brás edificado no século XVI.

 

E aqui tivemos de fazer uma pausa para gelado. Porque férias sem gelado não são férias, e ainda por cima encontrei os meus gelados de máquina favoritos que são tão difíceis de encontrar: baunilha - os mais comuns são de nata - e morango. Mais um ponto para S. Miguel!

 

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(Não foram os melhores que já comi, mas estava muito bom)

 

 

Ali bem perto do forte de S. Brás temos a Praça 5 de Outubro, que também é uma praça com traçado regional e com uma árvore muito antiga, que está neste momento em risco de queda, tendo uns suportes para que os seus ramos não se partam. Numa das laterais da praça temos o antigo Convento de São Francisco, atual Santa Casa da Misericórdia. No centro da Praça existe um jardim com um coreto 

 

 

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(Praça 5 de Outubro)

 

 

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(Santa Casa da Misericórdia e Monumento ao Emigrante)

 

 

 

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(Edifício da PT; edifício histórico junto às Portas da Cidade e Igreja de S. Sebastião)

 

 

Há igrejas muito bonitas em S. Miguel mas a Igreja Matriz de S. Sebastião conquistou o meu coração com esta entrada em estilo manuelino, digam lá se não é um espanto! E até a Câmara Municipal tem uma arquitetura belíssima.

 

 

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(Câmara Municipal de Ponta Delgada)

 

 

Depois do passeio pelo centro de Ponta Delgada fomos um pouco mais para norte a Fajã de Baixo ver a plantação de Ananases de Augusto Arruda.

 

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A plantação de Ananases A. Arruda é de visita gratuita e curiosamente está situada numa antiga quinta de laranjas. Aqui podemos encontrar várias estufas com plantações de ananás em diferentes fases, desde a planta até ao ananás maduro pronto a colher. Em média um ananás de São Miguel dura cerca de 18 meses e é reconhecido como o melhor ananás do mundo. Aqui bebi um sumo delicioso de ananás, melão e menta. 

 

 

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(Ananases A. Arruda - Espaço Exterior)

 

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(Ananases A. Arruda - Estufas)

 

 

Ao final do dia fomos ainda dar um passeio pelo sul da ilha até Vila Franca do Campo onde numa vez mais encontramos miradouros com vistas de cortar a respiração. Mesmo as terras do interior dos Açores são incríveis, mas se vos mostrasse tudo o que vi e senti, acreditem, ficavam dias e dias a ler, dava um romance histórico o quanto eu gostei da ilha.

 

E já só falta um dia. O último dia reservamos para ir às Furnas por isso não percam o último episódio porque eu também não.

Açores - S. Miguel // Parte III

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Dia 3

Foi neste dia que começamos a perceber que 4 dias efetivos em S. Miguel era muito pouco para visitar a ilha como deve de ser, como ela merece ser verdadeiramente visitada. Só tínhamos mais dois dias pela frente e ainda nos faltava tanto para ver, mas tanto, que confesso: temi que não iria conseguir ver nem metade do que acabei por ver. Tivemos de, passando a expressão, de dar corda aos sapatinhos, ou colocar o pé no acelerador que é quase a mesma coisa.

 

Começamos por ir ao ponto mais ocidental da ilha de S. Miguel: à Ponta da Ferraria na freguesia de Ginetes. A Ponta da Ferraria é uma fajã lávica, ou seja, de origem vulcânica formou-se devido ao recuo da costa devido às escoadas de lava que avançaram sobre o mar. São normalmente constituídas por grandes massas rochosas delimitadas por costas abruptas com grandes recortes.

 

Nesta zona podemos admirar o Farol da Ponta da Ferraria:

 

(Farol da Ponta da Ferraria em Ginetes)

 

 

Um pouco mais à frente temos o Miradouro da Ilha Sabrina que nos permite ter uma vista ampla sobre o farol, e sobre o Monumento Natural Regional do Pico das Camarinhas e Ponta da Ferraria. Aqui nesta zona temos as termas de água quente apesar de se situarem em zona oceânica, em que as águas do mar são aquecidas pelas águas quentes das nascentes termais da zona e onde se pode aceder gratuitamente à piscina natural que se criou na pseudocratera da Ferraria.

 

 

(Pseudocratera da Ferraria vista do Miradouro do Pico das Camarinhas)

 

 

Continuamos viagem e paramos em mais alguns miradouros - não faltam miradouros pelo caminho - mas o nosso objetivo era específico: A Lagoa do Fogo que tentamos ver no dia anterior mas que não conseguimos devido ao denso nevoeiro que se fazia sentir na Serra da Água de Pau.

 

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(Um dos muitos miradouros que passei)

 

 

Chegamos finalmente à Lagoa do Fogo. As vistas lá do cimo do miradouro são incríveis, únicas.

 

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(Lagoa do Fogo vista do miradouro)

 

 

A Lagoa do Fogo é uma das maiores e mais altas lagoas dos Açores, ocupando uma área de 1360 hectares, tendo como ponto mais alto 949 metros. É uma lagoa de origem vulcânica, sendo que o Vulcão do Fogo é o que dá forma ao grande maciço vulcânico da Serra da Água de Pau. A Lagoa, onde estupidamente descemos já que não temos qualquer tipo de preparação física para tal esforço, encontra-se no centro da caldeira do vulcão e para podermos descer até à Praia da Lagoa do Fogo - reconhecida como uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de praia selvagem -, tivemos de descer cerca de 600 metros, num percurso ao longo de 2km, com uma inclinação brutal.

 

(Lagoa do Fogo vista através da descida pelo trilho)

 

 

A lagoa é mesmo assim, com uma água tão azul e cristalina - não é photoshop - e acho que é impossível não nos apaixonarmos por ela, talvez por isso tenha querido tanto ir vê-la de mais perto.

 

Hoje, que estamos vivos e de boa saúde, fico feliz por ter descido, mesmo lá em baixo - contrariamente à opinião do Mulo - as vistas são incríveis, a ideia de que estamos dentro de um vulcão é incrível, mas não voltarei a repetir a façanha pois é possível que no futuro não tenha o mesmo desfecho a menos que sigamos com algum grupo e bem preparados com roupa e calçado apropriados ao trilho que está - deixem-me que vos diga - em muito mau estado: Degraus que já existiram e que já não existem, muitas zonas lamacentas que escorregam muito, zonas perigosas - como aquela em que caímos - sem qualquer tipo de vedação - mais à frente encontramos barras a proteger os limites do trilho, mas não as há na maior parte do percurso.

 

Mas a verdade é que chegamos vivos, e ainda nos molhamos num vulcão. Não é incrível esta ideia? Estivemos DENTRO de um vulcão, ainda que não tenha lava, nem calor em excesso, nem pedras saltitantes, ou qualquer outra coisa que lembre realmente um vulcão.

 

 

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(A Mula a lavar os pézinhos no vulcão, porque não tinha água em casa)

 

 

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(Lagoa do Fogo vista da caldeira, da praia)

 

 

Uma coisa engraçada que encontrei na caldeira da lagoa foram pedras todas empilhadas umas em cima das outras, qual ritual satânico. Não percebi a ideia, não sei o que significa, mas olhem porque a Mula é pior que a Maria Nabiça também quis fazer o seu boneco, e eis o boneco da Mula:

 

 

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(O boneco de pedras da Mula na Lagoa do Fogo)

 

 

Espero que não signifique assim nada de muito importante porque enquanto eu fazia o meu boneco o Mulo andou a atirar pedrinhas aos bonecos dos outros tentando atirar as pedrinhas ao chão. Acho que estava só a exorcizar os seus demónios.

 

Sabem quando é que eu percebi verdadeiramente a profundidade da descida? Pois claro, quando foi para subir. Quando olho e vejo um monte gigante à minha volta.

 

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(Lá em cima de tudo, junto ao céu estava o nosso carro, cá em baixo de tudo junto à água estávamos nós, e eu só pensava: "ó céus onde me fui meter!")

 

 

Mas já não havia volta a dar, ainda perguntei ao Mulo se existiam helicópteros em S. Miguel para nos irem buscar e em caso de não haver quanto tempo tardaria a chegar um do continente... Mas tendo em conta que estava mortinha por relaxar na Caldeira Velha para esquecer tudo o que se passou, lá ganhamos coragem para regressar ao cume.

 

Quando cheguei ao carro confesso, acho que foi quando caiu a ficha de tudo o que aconteceu. Estava tão cansada, mas tão cansada... Subi a maior parte da montanha de joelhos, é que se a descer era só saltar, a subir era mesmo horrível, e eu não conseguia ter força nas pernas, para subir degraus de mais de um metro. Foi mesmo uma aventura e tanto e por isso descansar na Caldeira Velha foi mesmo um descanso merecido.

 

A Caldeira Velha, também conhecida como Monumento Natural e Regional da Caldeira Velha, é um local termal de grande procura pelos seus banhos de água quente medicinais. É no fundo uma ribeira alimentada por água de várias nascentes - do vulcão do fogo - com grande abundância de ferro.

 

 

(Zona envolvente da Caldeira Velha) 

 

Não é de acesso livre, para entrar pagamos 2€ por pessoa mas vale bastante a pena, aqui o grande problema é mesmo estacionar. O parque à entrada é muito pequeno e acabamos por deixar o nosso estacionado na serra em local proibido, mas pelo que percebi é algo habitual.

 

Aqui finalmente pudemos relaxar. Existem pelo menos dois locais onde nos podemos banhar - já chegamos ao final da tarde, basicamente experimentei estes dois e nem procurei mais - onde as temperaturas são muito diferentes. Na zona da cascata a água deveria de rondar os 25º - que desilusão para quem achava que ia encontrar água a escaldar - e foi este o primeiro lugar que experimentamos, mas perto da fumarola cuja temperatura pode chegar aos 95º conseguimos um bom lugar com água a rondar os 37º. Foi mágico. Confesso, junto à fumarola o cheiro é muito intenso a enxofre - pelo cheiro parecia-me enxofre mas não vi escrito em lado nenhum que fizesse parte da composição da água - que confesso ao início incomoda um pouco, mas estávamos tão cansados que nem nos importamos.

 

(Da esquerda para a direita: As duas primeiras fotografias são da parte da fumarola, e as outras duas da cascata com a água mais fresca.)

 

 

Como podem ver, é uma zona muito natural, com pouca alteração feita pelo bicho homem e é um palco paradisíaco para quem goste de relaxar. Para quem seja fã de botânica, a Caldeira Velha possui ainda uma coleção fantástica de plantas de espécie endémica, o que dá ao espaço um ar ainda mais selvagem, ainda mais incrível.

 

 

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(Zona de banhos junto à fumarola, às 20h - hora que nos despedimos - a água estava a 37º)

 

 

Foi um bom fim-de-dia, saímos daqui já de noite e fomos apenas jantar às Docas em Ponta Delgada, xixi e cama que estávamos muito cansados.

 

Aqui nas Docas foi o meu grande dissabor das férias: Os senhores do Restaurante Cervejaria Docas - o Portugália lá do sítio - acharam que por seremos turistas que não sabíamos ler ou fazer contas e tentaram enganar-nos ao jantar, cobraram-nos o que não comemos para pagarmos mais e depois o pior é que o empregado de mesa estava tão envergonhado que colocava os pés pelas mãos e o gerente nem quis dar a cara... Um conselho, se forem a Ponta Delgada afastem-se da Cervejaria Docas que aquilo não é de boa gente! O que comemos estava bom mas longe de valer a chatice que nos deu e a conta que pagamos, para além de que a sobremesa que comi era totalmente artificial, provavelmente comprada no supermercado apesar de ter pago ao preço de gourmet. Não, ali não nos apanharam mais, mas descobrimos um bar ali perto com uns cocktails fantásticos e baratinhos... No fundo... Há males que vêm por bem.

 

E esta viagem já vai a meio... Peço-vos desculpa pela demora na publicação da terceira parte, mas isto dá um trabalho que muitos não imaginam e implica um tempo que eu não tenho. Mas estou a adorar rever tudo e falar-vos sobre estas fantásticas férias, é como se ali regressasse novamente.

 

Já sabem... Não percam os próximos episódios, porque eu também não!

Açores - S. Miguel // Parte II

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Dia 2

Amanhecer nos Açores é uma experiência... Diferente. Foi logo na primeira manhã que descobrimos o tempo incerto de S. Miguel. No dia anterior compramos o nosso pequeno-almoço - o valor do pequeno-almoço do hotel dava para almoçarmos os dois... - e tomamos na varanda do nosso quarto e nos 15 minutos que ali estivemos deve ter chovido e feito sol no mínimo umas 5 vezes. Mesmo com chuva, o ar é quente e não é uma chuva que incomode tanto como a do continente - claro que também pode ser pelo facto de estar de férias e quando estou de férias poucas são as coisas que me incomodam.

 

Traçamos o nosso objetivo do dia e seguimos em direção a Sete Cidades.

 

(Imagem retirada daqui)

 

 

Cedo descobrimos que as estradas na Ilha de S. Miguel são emolduradas, quase todas as estradas têm imensas flores, essencialmente hortênsias (e umas outras cor-de-rosa cuja nomenclatura desconheço).

 

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(Estrada micaelense a caminho de Sete Cidades)

 

 

Mas não são só as flores que emolduram a ilha, porque toda a paisagem envolvente é uma bela moldura da ilha.

 

(carregar nas setas para ver restantes fotografias)

 

 

Subimos ao miradouro da Vista do Rei para admirar as Lagoa das Sete Cidades, que é o maior reservatório natural de água doce dos Açores. Esta lagoa está dividida em duas, com tonalidades de água diferentes: uma mais azul - conhecida pela Lagoa Azul - e outra de coloração mais esverdeada conhecida pela Lagoa Verde, atravessadas por uma ponte baixa. Reza a lenda que as lagoas têm duas cores em representação das lágrimas de uma princesa e de um pastor que sofreram um amor proibido na região e que junto à lagoa choraram imenso. As cores diferentes representariam as cores dos olhos de cada um.

 

 

(Lagoa das Sete Cidades - Lagoa Verde e Lagoa Azul)

 

 

Do lado da Lagoa Azul situa-se Sete Cidades, cujo nome se associa a sete tribos fenícias que no passado habitaram a ilha: Aira, Antuab, Ansalli, Ansesseli, Ansodi, Ansolli e Con.

 

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 (Sete Cidades vista da Vista do Rei)

 

 

Sete cidades não é muito grande, mas convida a um passeio. Tem uma belíssima igreja, a Igreja de São Nicolau, mandada edificar em 1849 - e algumas casas típicas merecedoras de admiração.

 

(Igreja de São Nicolau)

 

 

Vista esta belíssima terra, decidimos ir dar um passeio mais natural, e não é que o nosso carro até ficava bem no meio das montanhas? Mas um carro branco para andar nos Açores, confesso, não foi lá grande ideia, ainda que não tivéssemos propriamente opção.

 

(creio que estávamos na Serra da Devassa)

 

 

E foi neste belíssimo trilho que descobrimos o verdadeiro segredo das Vacas Felizes: É que têm muitas delas uma belíssima vista para o mar.

 

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(E afinal haviam vacas em todo o lado)

 

 

Como as horas passam a voar, começamos a ir em direção a Ponta Delgada: passamos por Santo António, Capelas, Rabo de Peixe, Lagoa, e tantas outras terras que embora mais urbanizadas estão bastante conservadas e com o estilo típico dos Açores não sofrendo grandes processos de modernização, o que eu acho incrível. Gosto quando conservam as terras.

 

Os Açores têm imensos miradouros, se formos com tempo devemos apreciar cada um deles, mas se forem com as horas contadas como eu não é possível e fomos passando por várias placas que não fomos parando.

 

Descemos depois a Serra da Água de Pau para tentarmos ver a Lagoa do Fogo, mas estava bastante nevoeiro e tivemos de ali voltar no dia seguinte. É algo que nos avisam vários roteiros, esta serra tem constante nevoeiro e devemos tentar ir ver a Lagoa do Fogo - para mim a mais bonita da ilha - nos primeiros dias para irmos tentando até conseguirmos.

 

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(Vacas um pouco menos felizes, imagino eu pelo frio que estava, na Serra da Água de Pau)

 

 

E a chegar a Ponta Delgada encontrei mais um paraíso à beira mar plantado: O pôr-do-sol com um campo carregado de vários animais e Ponta Delgada em pano de fundo. Lindíssimo.

 

(Serra da Água de Pau a descer para Ponta Delgada)

 

E assim passamos mais um fantástico dia.

 

Estão a gostar de fazer esta viagem comigo? Então acompanhem-me nos restantes dias, que ainda faltam mais 3!

Açores - S. Miguel // Parte I

Foi uma viagem há muito desejada confesso. Já há muitos anos que queria ir até S. Miguel e deste ano não passou. Tenho tanto para vos contar e mostrar que vou optar, como tem sido habitual, dividir em vários capítulos para não vos maçar a alma. 

 

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Dia 1

Aterramos em Ponta Delgada ao final da tarde e contrariamente ao esperado - acho que nem o IPMA consegue prever o tempo na ilha - estava bastante calor, bastante sol, um final de tarde lindo.

 

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(Ponta Delgada vista do avião)

 

 

Fomos buscar o nosso carro à rent-a-car de imediato e o senhor da rent-a-car que nos levou do aeroporto até às instalações era muito simpático e falou-nos um pouco sobre a ilha, sobre o que ver e o que fazer, ou seja fez um pouco de guia turístico.

 

Para visitarem S. Miguel é mesmo aconselhado que aluguem carro, a não ser que comprem todo o tipo de excursões - o que acho que deve acabar por ficar bastante mais caro - porque tudo fica longe - dentro do que é possível ser longe numa ilha cuja altura máxima é de 15km e largura máxima de 65km - e a rede de transportes não é assim a maior do mundo, a menos que acabem por ficar apenas em Ponta Delgada. Sei que muita gente visita a ilha a pé, mas só tínhamos 4 dias efetivos - dia de chegada e partida não contam - para visitar por isso ou víamos o máximo que conseguíamos de carro - mesmo que isso implicasse perder algum encanto das caminhadas - ou então andaríamos a pé e não veríamos nem metade do que vimos. Optamos pela primeira.

 

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(Zona marítima de Ponta Delgada)

 

 

O que achei engraçado em Ponta Delgada e que desde logo reparei foi no trânsito, que não é muito, mas curiosamente as pessoas mesmo em grandes e largas avenidas andam devagar, são bastante calmas a conduzir, e isso confesso agradou-me bastante.

 

A vantagem de comprarmos - como foi o caso - tudo com bastante antecedência permitiu-nos viajar com preços mais reduzidos e até o hotel onde ficamos  ficou bastante barato. Confesso que quando vimos onde íamos ficar a dormir que ficamos um pouco abananados, porque não contávamos com tanto luxo, e ficamos a achar que nos iriam pedir o resto do valor assim que nos aproximássemos da receção, mas não. Conseguimos realmente um ótimo valor por um hotel de 4* bem junto ao centro de Ponta Delgada.

 

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(Hotel VIP Azores, e vistas do quarto)

 

 

Chegamos com fome, pois claro, Mula que é Mula numa terra com comida da boa, tem fome. E como conhecíamos alguns amigos que tinham estado na ilha à pouco tempo pedimos algumas referências de restaurante, e assim conhecemos a Taberna Açor, onde passamos a jantar quase todas as noites. Aqui comemos à base de tapas, tábuas de queijo e enchidos, muito pão e torras de massa sovada, pratos de moelas e orelheira de porco, só coisas boas. E a cerveja regional? Uma delícia. Quer a preta quer a branca, uma verdadeira delícia.

 

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(Delícias da Taberna Açor, Ponta Delgada) 

 

Se forem a Ponta Delgada não deixem de visitar a Taberna Açor, as pessoas que servem são muito simpáticas, as tapas são muito boas, os queijos deliciosos, os enchidos... Não falemos dos enchidos. Saí daqui sempre tão cheia, mas tão cheia que em 4 refeições apenas numa comi sobremesa: o fantástico ananás caramelizado que aqui servem com gelado. No entanto se decidirem ir a este espaço convém que reservem antecipadamente ou então preparem-se para esperar. Chegamos a esperar uma hora. Se chegarem um pouco mais tarde, por volta das 22h é mais fácil arranjar mesa.

 

Depois de jantarmos fomos dar um passeio à noite, pela marginal, pela marina, pelas ruas pedonais. Um outro conselho: não percam tempo a tentarem estacionar na rua, os parques da Tecnovia são muito baratos, a primeira vez até achamos que a máquina estava avariada porque estivemos cerca de 3 horas lá estacionados e pagamos apenas 1,20€, não compensa por isso dar voltas e voltas e mais voltas à procura de um lugar que nem existe.

 

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(Portas da Cidade de Ponta Delgada à noite)

 

E assim foram as primeiras em S. Miguel, foram poucas mas bem aproveitadas.

Não percam os próximos episódios, porque eu também não!

Visita ao navio-escola Sagres III

A grande imagem de marca da Marinha Portuguesa esteve semana passada no Porto de Leixões, no Porto, aberto para visita, e nós fomos.

 

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Para quem não sabe, Albert Leo Schlageter foi o primeiro nome deste navio construído em 1937 para desempenhar funções de navio-escola e servir a Marinha Alemã, no entanto, após a II Guerra Mundial, e com a derrota dos alemães, os Estados Unidos capturaram o barco vendendo-o três anos mais tarde ao Brasil por um valor simbólico, tendo o mesmo sido rebatizado de Guanabara, servindo de navio-escola à Marinha Brasileira. Foi, em 1961, adquirido por Portugal recebendo o nome de Sagres III e é atualmente o navio com mais condecorações da Marinha Portuguesa.

 

 

 

Este imponente navio já deu a volta ao mundo três vezes, a última das quais em 2010, e este ano, ano que festeja 80 anos de existência, fez uma viagem de 5 meses passando por muitos portos mundiais. A paragem pelo Porto de Leixões faz parte dessa viagem que terminará dia 9 de Setembro em Lisboa e que o levou a percorrer novamente Espanha, Brasil, Cabo Verde e França.

 

 

Ver este navio à noite teve um encanto inexplicável, é belíssimo de dia também mas a verdade é que de noite com todas as luzes ganhou um outro e mais especial encanto. Adorei os marinheiros estarem trajados a rigor, disponíveis para qualquer explicação que o público necessitasse.

 

 

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(conhecem esta paparazzi que por aqui andou?)

 

Chegamos ao Porto de Leixões eram umas 21 horas. E estava alguma fila - pouca - esperamos um pouco para subir - basicamente esperavam que grandes grupos de pessoas saíssem para deixar entrar outro grande grupo - e enquanto esperamos fomos apreciando.

 

Ao longo da visita existiam vários pontos de explicação, desde a origem do nome, à explicação das funcionalidades do mesmo.

 

 

Quando vínhamos embora, a fila estava enorme. Isso deixa-me feliz: é bom saber que muita gente sai de casa numa noite fria para conhecer um pouco daquela que é a nossa cultura, e de certa forma as nossas origens.

 

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Até à próxima NE Sagres III!

 

Quem já teve o prazer de o visitar?

Escapadinha parte II - Bacalhôa Buddha Eden

Não estava esquecido, apenas estava sem tempo para vos falar sobre. Mas 'bora lá falar sobre um dos mais belos jardins de Portugal.

 

Se bem se lembram, para festejar o primeiro ano de casados fomos a Óbidos e aproveitamos que estávamos ali tão perto, fomos finalmente ao Bacalhôa Buddha Eden no Bombarral.

 

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O Buddha Eden é o maior jardim oriental da Europa, com mais de 700 estátuas ao longo de cerca de 35 hectares, na Quinta dos Loridos, no Bombarral. Pelo que percebi da visita, este jardim surgiu como homenagem à destruição dos Budas gigantes de Bamiyán no Afeganistão em 2001, por ordem do governo talibã, considerado um dos maiores atos de destruição cultural alguma vez visto. Assim nasce este jardim, também conhecido pelo Jardim da Paz, em 2006.

 

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Vejam logo à entrada, este enorme lago transmite uma tranquilidade incrível!

 

 

Apesar de ter como figuras principais os Budas, podemos ver muitos outros tipos de esculturas, algumas inclusive de autores portugueses como é da Joana Vasconcelos.

 

 

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Os castiçais de Joana Vasconcelos, construídos com garrafas de vidro. 

 

 

As diferentes esculturas estão agrupadas por tipo, como se de várias galerias de arte a céu aberto se tratasse, e de ano para ano o Buddha Eden Garden vai modificando as exposições, estando neste momento a ser ampliado. Pelo que a novidade é sempre uma boa desculpa para voltar. 

 

Existem duas formas de visitar este espaço, que podem ser combinadas: a pé ou de comboio próprio para o efeito. Nós, inocentes desta vida, desconhecendo a verdadeira extensão deste gigante espaço, optamos por ir a pé... Debaixo de 40º ao sol - sim, há na minha opinião poucas sombras que nos ajudem nos dias de verdadeiro terror meteorológico -, mas serviu para nos bronzearmos um pouco.

 

Uma das exposições que podemos ver, e um dos mais bonitos para mim, é o Jardim das Estátuas Africanas, em homenagem ao ao povo de Shona do Zimbabué, que há mais de 1000 anos esculpe com as próprias mãos a pedra para formar estátuas. Este povo mantem a crença que cada pedra tem um espírito vivo e que ao esculpir dá-se liberdade a essa espírito mas que influencia o resultado final.

 

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Apesar de nos terem dado um mapa logo à entrada, achei os percursos um pouco confusos, e por diversas vezes tivemos de andar para trás para ver uma exposição que tinha ficado esquecida algures. Acho que poderiam colocar placas - já que as exposições têm número associados - com as direções a seguir em cada trilho, já que uma boa parte do jardim é labiríntico, cheio de caminhos e percursos alternativos.

 

Gostei que esse jardim tivesse imensa água. Há imensos lagos por todo o lado, e alguns com pequenas cascatas. Adorei, torna o parque muito mais respirável. E o melhor de tudo é que são lagos com vida, com imensos peixes e tartarugas.

 

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Logo após as estátuas africanas temos o famoso Exército de Terracota constituído por cerca de 700 estátuas, todas pintadas à mão e todas diferentes. 

 

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E depois entramos oficialmente na terra dos Budas e são Budas por todo o lado.

 

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Já agora uma curiosidade. Durante muitos anos, os Budas que as pessoas tinham em casa - para dar sorte, dizem - era um Buda muito diferente do atual. Se bem se recordam, era aquele que está ali em dourado, o gordinho. Durante muito tempo achava-se que esse é que era o símbolo do budismo, mas é errado. Esta figura do Buda gordo surgiu durante a dinastia Sung (de 960 até 1275) na China, no entanto este gordinho era na realidade um budista chinês, também conhecido por Maitreya, cuja simbologia passa pela futura reencarnação de Sidarta Gautama - fundador do budismo e verdadeiro Buda - para que os ensinamentos nunca sejam esquecidos. A explicação de que Sidarta Gautama é magro - e daí o verdadeiro símbolo dever ser representado por um Buda magro - é de que não comia para procurar o seu Nirvana.

 

Bem, mas deixemo-nos de explicações e passemos para o que realmente importa.

 

Um das parte mais belas, para mim claro, deste jardim é o Lago do Pagode.

 

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É um lago que nos transmite tanta calma... E entrando no coreto do lago é um momento quase mágico, silencioso... Ficamos totalmente em paz. 

 

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Vistas do coreto

 

Junto ao coreto, tem uma fonte onde nos podemos refrescar. Acreditem, se forem lá no verão vão dar imensa importância a esta fonte. Apesar de ser proibido fazer piqueniques no parque tem uma cafetaria com preços acessíveis onde podemos beber e comer, com uma boa esplanada com sombra.

 

A minha grande crítica desta visita vai para as pessoas. Há muita falta de respeito. Ficam séculos coladas às estátuas para tirarem fotografias, sem se importarem se há pessoas a querer tirar fotos sem que elas estejam à frente, fazem muito barulho, correm e berram, e acho que neste jardim deveria de ser totalmente o oposto. Não peço que as pessoas o visitem em tom de meditação, mas acho que deveria de existir um maior respeito pelos demais.

 

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No final, na despedida ainda passamos pela loja de vinhos e deram-nos a provar o novo espumante azul que a Bacalhôa agora tem, e que vos posso dizer que é bom, bom, bom, bom, fresquinho é mesmo tudo de bom!

 

Estava mesmo muito calor, confesso-vos que a visita foi um tanto sofrida, mas tenciono voltar, com uma temperatura mais agradável para poder aproveitar muito mais do que o espaço oferece, de preferência em época baixa com poucas pessoas a visitar para conseguir tirar fotografias em condições ao que realmente importa.

 

E vocês já conhecem o Bacalhôa Buddha Eden?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.