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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Alive

 

Estou viva!

 

Não estou inteira, feliz ou mentalmente estável, mas estou viva.

 

Muitas coisas aconteceram nestes últimos dias de ausências, muitas lágrimas foram derramadas, muitas cabeçadas foram dadas na parede, mas estou viva.

 

Quero agradecer a todas as mensagens que me enviaram, a todos os comentários e a todas as visitas que dia após dia sem qualquer publicação continuavam a chegar a este curral. Vocês merecem uma explicação, não que o tenha que o fazer, mas porque vocês merecem. Tudo a seu tempo... Deixem-me primeiro assentar e perceber o que vai ser a minha vida daqui para a frente e vocês saberão o que se passa com a vossa Mula.

 

Não estou inteira. Mas como vos falei aquando do Colecionador de Cacos, já não estou inteira à demasiado tempo, porque não há ninguém que esteja verdadeiramente inteiro.

 

Estou de volta. Devagarinho, passito a passito, sem curtas, apenas desabafos. 

 

Deixem-me só colar os meus cacos e voltarei inteira, não igual. Mas inteira.

 

É bom estar de volta!

In or Out

 

 

Tenho estado ausente. Muito ausente, acho que têm percebido. Tenho estado cá, mas não estado cá. Tenho algumas, poucas, publicações quase escritas a ferros, mas nem tenho conseguido responder aos comentários. Não sei se é falta de tempo, falta de vontade ou inspiração, mas posso garantir-vos que é falta de alguma coisa. Fui de férias, vim de férias e já estou a precisar de férias novamente. Férias de mim. Férias da vida, quiçá. Tenho trabalhado muito, vivido pouco e sentido tudo e mais alguma coisa.

 

Ando desinspirada... É possível que as publicações deixem de ser tão regulares, é possível que as curtas do dia tenham os dias contados, é possível que o blog termine ou continue, neste momento sinto que qualquer hipótese é possível, mas por agora vai continuando a ser arrastado por mim, como eu também me tenho arrastado. 

 

Regressei ao ginásio, mas ainda não regressei em grande e com força como desejaria. Tenho saudades de TRX, tenho saudades de sair morta do ginásio, porque sair morta do ginásio faz-me sentir viva. Tenho saudades de vos ler e de escrever como se não houvesse amanhã.

 

Tenho saudades de dormir uma noite seguida e como uma pedra, a minha alergia tem atacado em grande e não consigo respirar... Acho que é isto que me está a fazer tanto mal: as noites mal dormidas, o descanso que não se repõe, o cérebro que não para.

 

Parece que estou a tentar estar In... Mas na realidade estou Out!

Coisas que se ouvem por cá... #21

Por vezes ganhar inspiração para escrever no blog é só uma questão de nos sentarmos e ouvirmos o mundo. Esta fantástica observação veio ter comigo gratuitamente. E o que eu me ri com a senhora.

 

Uma senhora, ali na casa dos 50/60 anos, estava ao meu lado e ambas estávamos de frente para a sala de treinos, enquanto esperávamos a chegada da professora para a nossa aula. Estava uma sala de treinos especialmente carregada de moços - não é muito normal. Moços para todos os gostos e feitios. Altos, baixos, com o corpo mais trabalhado, ou mais magros, mas estava uma sala especialmente carregada de moços jeitosos. De repente, essa senhora diz:

 

Meu Deus, antigamente não havia nada disto! Antigamente os homens eram todos iguais e não tinham um corpo assim. Agora é que é! Se eu tivesse 30 ou 40 anos, e vivesse num mundo assim cheia de moços jeitosos estava desgraçada, nem sabia qual escolher!

 

E rimos todas muito, pois claro! A senhora estava claramente maravilhada com o mundo - e realmente, como não estar? - e muito entretida com um ginásio carregado de moços jeitosos a exercitarem-se.

 

E posto isto concluo que, para um solteiro ou solteira - não só, mas essencialmente para estes - um ginásio é mais ou menos como uma loja de gomas...

Incoerências

Estava em pilates numa posição super desconfortável. Tinha a perna direita dobrada à frente, a esquerda esticada atrás, entretanto com a mão esquerda agarrei o tornozelo esquerdo e com a mão direita tentei agarrar-me ao chão para não cair - e mesmo assim não estava fácil...

 

Se eu estivesse a fazer tudo direitinho estaria assim:

 

 

Mas imaginem-me com um ar mais desengonçado para que eu corresponda às vossas expectativas, por favor.

 

Estava tudo muito mal bem, e entretanto diz-nos a professora:

 

"Com a mão que têm livre tentem agarrar a mão que está no pé!"

 

Já nem quero entrar no pormenor de ser impossível que a minha mão direita agarrasse a mão esquerda. Já nem quero entrar por aí... Mas...

 

Expliquei-vos que tinha uma mão no pé e outra a agarrar-me ao solo para não cair certo?

 

A questão que vos coloco é: Qual mão livre?! Seria suposto eu ter uma terceira mão?

Então Mula como correu lá em Londres?

Correu...

Ou não correu vá...

Correu!

 

Muito molhado minha gente. Londres estava muito molhada. Choveu, um frio desgraçado, muito vento... Então percam lá o orgulho na vossa Mula que para todos os efeitos a vossa Mula não correu. Ou correu um pouco, mas por obrigação.

 

Cheguei a Londres doente, com a garganta toda inflamada e com a voz já toda marada. O meu corpo gritava "nãaaao! não faças isto!!" Mas já sabem como sou. Teimosa que dói. "Vim para correr, vou correr!" Dizia a quem me propunha "vamos ficar na tenda, quentinhas, vamos buscar mais comida e ficamos bem!". Mas depois, juntei-me a mais duas pessoas que estavam mais para lá do que para cá, sabem como é, o mal atrai o mal, e eu juntei-me a mais duas pessoas doentes... Então fizemos um acordo, uma espécie de pacto "não corremos, vamos a andar, passito acelerados, mas não corremos." Muito bem, quase que cortamos os nossos dedinhos para fazer um pacto de sangue. Acreditem.

 

Então, todas pimponas e porque queríamos ficar bem na fotografia - literalmente -, começamos a correr enquanto as câmaras estavam ligadas e os flashes a flashar, mas logo logo fomos a passo. Estava muito frio, com aquela chuva miudinha a incomodar... Vento! Muito vento. Em menos de 5 minutos ficamos encharcadas. Eu já só olhava para trás a pensar "vou voltar para trás!", a minha amiga só dizia "vamos cortar caminho!!" Mas lá fomos. Eis que começa a chover torrencialmente. "P. Vamos ter de correr!!! Isto está demasiado mau!" A P., mulher de palavra - mais que a da vossa Mula... - manteve-se firme, não quis correr, eu e a D. demos gás às sapatilhas, só queríamos que aquilo acabasse, e o mais rapidamente possível.

 

E foi assim que corremos cerca de 2km, num total de 5km. E sabem o que foi giro? Eu estava tão chateada com o tempo que acho que teria conseguido correr os 5km, é que corri aqueles dois como quem dá um sprint até ao autocarro.

 

E no final ainda recebi uma medalha de participação que soube a ouro. Acreditem, soube a ouro!

 

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A vossa Mula que já estava pouco doente, começou a mumificar. A P. apareceu, a D. concordou. Arranjamos mais um moço que estava com uma gripe descomunal e que não fez a prova, fizemos birra, batemos o pé, convencemos a organização a deixar-nos ir para o hotel de uber.

 

Chegamos ao hotel, tomamos um bom banho, dormimos uma sesta e à noite, tomamos um cocktail marado de comprimidos para aguentarmos a farra.

 

Aguentei-me bem....

 

... Enquanto os comprimidos fizeram efeito.

 

Sabem o que vos digo? Já estou velha para isso, mas para o ano, se ainda tiver essa oportunidade, estarei lá novamente e correrei os 5km do início ao fim!

 

E já agora, só uma breve explicação para contextualizar a coisa - que a Mula não vai a eventos fit só porque sim. Este evento é patrocinado pela empresa onde trabalho para angariar fundos para a Associação Afrika Tikkun que visa apoiar crianças e jovens em Africa do Sul. Este ano foram amealhados mais de 1 milhão de euros para apoiar a organização. A vossa Mula é preguiçosa, mas no fundo, no fundo, lá bem no fundinho, tem bom coração.

 

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P.S.: Só para que tenham algum orgulho na vossa Mula, a Mula não só não ficou em último como ainda ficou à frente de mais de 100 pessoas!

 

P.S.2: Só para que tenham ainda mais orgulho na vossa Mula, durante os 2 dias e meio em que lá estive tive sempre comida à descrição, gratuitamente, e não comi como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. A comida também não era boa, mas isso agora não interessa nada.

Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye

 

Hoje não há curtas do dia nem da noite. Apenas este post: uma espécie de post de despedida. Foi bom enquanto durou. Adorei andar por cá, pelo blog e pela vida no geral. Adorei conhecer cada um de vós. Adorei concordar e discordar de cada um de vós. Porque a vida não é feita só de matches. Um grande obrigado a cada um de vocês que estiveram sempre ao meu lado nos momentos de maior e menor inspiração. Nos meus melhores e nos piores momentos. Na gordura e na magreza. Na saúde e na doença. Na gula e na falta de apetite. Na seriedade e na estupidez. Na consciência e na senilidade. Essencialmente na senilidade.

 

Hoje estou de partida para Londres para correr os fatídicos 5km. É já amanhã. Escrevo este post porque não sei o que irá acontecer...

 

... Mas na eventualidade de sobreviver...

 

Segunda-feira estou de volta!

 

Obrigada e até já!

 

 

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P.S.: Pela primeira vez em 3 anos oblog encerra para umas mini-férias, que é como quem diz, para um fim-de-semana não prolongado! Isto porque pela primeira vez parto sem deixar publicações agendadas. Mas se quiserem confirmar que estou viva, sigam-me pelo Instagram!

Processo criativo

Voltei a escrever para além das tonterías que aqui vou relatando. Voltei a escrever poesia - ou escrevi poesia recentemente, vá -  e um novo conto em forma de carta solta, que como já disse algures por aqui, é uma das minhas formas preferidas de contar uma história, um dia destes partilho convosco.

 

Quem escreve textos ficcionais e/ou fantasiosos, conhece a dificuldade que é pôr no papel uma ideia. Conhece a frustração de querer algo e não conseguir. Nem sempre me foi assim difícil. Em tempos escrever poesia ou prosa poética era fácil e existia apenas três requisitos: um papel, uma caneta e um ambiente descontraído. Em 5, 10, 15 minutos eu tinha um texto que me agradava. À medida que comecei a escrever mais, e outro tipo de textos, a dificuldade foi aumentando, talvez a exigência também tenha aumentado com o tempo.

 

Dei por mim, a espremer-me toda para conseguir escrever. Há quem cante até que a voz lhe doa, pois eu escrevi até que a alma me doesse. Doeu porque comecei por um chamamento e terminei por orgulho, quase frustrada por não conseguir pôr no papel o que verdadeiramente queria, o que imaginava inicialmente. E andei às voltas... E às voltas... E mesmo no final não fiquei satisfeita.

 

Quem escreve prosa e poesia sabe como pode ser doloroso este processo. É preciso quase entrarmos em catarse e irmos rebuscar os nossos piores e melhores sentimentos para nos colocarmos no papel da personagem que queremos criar, que não sendo sobre nós, tem tanto de nós. E custa-me que seja assim tão sofrido. Mas é um processo necessário, porque escrever prosa e poesia também é uma questão de treino. O processo de escrita criativa treina-se...

 

Eu gostava tanto de fazer um curso de escrita criativa mas como não tenho dinheiro olhem... espremo-me até ficar com a alma em cacos e frustrada pelo fraco alcance...

 

Gostava de voltar a conseguir escrever contos com a frequência com que o fazia...

 

... Hoje ainda não é o dia!

Estou diferente...

Falava-vos esta semana de como o meu sono está diferente. Sempre tive dificuldades em adormecer, mas também tinha grandes dificuldades em acordar. Era das que tinha o despertador a tocar de 10 em 10 minutos durante 1 hora e que implorava por apenas mais 5 minutos. Tinha o sono pesado, adormecia tarde, mas tinha uma noite com um sono de qualidade. Há muito que já não é assim. Tenho dificuldades em adormecer, tudo me acorda durante a noite e agora acordo antes do despertador tocar.

 

Mas não é só aqui que estou diferente.

 

A minha relação com a comida está diferente. Sempre fui das que comia compulsivamente quando andava nervosa, irritada, stressada e cheia de trabalho. Já não sou assim. Não é de agora que a minha relação com comida mudou, mas é agora que sinto mais essa mudança. O que eu imaginava que nunca iria acontecer aconteceu: perdi o apetite. Posto isto, volto a passar por um problema de infância: Tomar o pequeno-almoço é um drama mexicano. Como por obrigação, porque tem de ser e cai-me mal. Chego à hora de almoço depenico aqui e ali e parece que comi o mundo. Mesmo quando como algo que gosto imenso e com alguma vontade, como quando como uma gordice, gelado ou chocolate, já não é com o mesmo prazer. Já não é com a mesma "fome".

 

Mas não é só aqui que estou diferente.

 

A minha capacidade para o multitasking está diferente. Sinto-me capaz - e sou mesmo capaz! - de fazer mais coisas ao mesmo tempo sem que isso prejudique a tarefa inicial. Isto faz com que obviamente me sinta muito mais esgotada ao final do dia. Parece que desbloqueei qualquer coisa em mim que me permite usufruir de mais 30% das minhas capacidades, e apesar de desgastar em mais 60% a minha motherborad nem por isso descarrego a bateria mais rapidamente. É estranhamente desgastante.

 

Mas não é só aqui que estou diferente.

 

Começo a ter cada vez mais necessidade de estar calada. Eu, que sempre tive uma vontade enorme de debitar todo o meu dia de trabalho, agora sinto é vontade de estar sossegada, calada, a tentar recuperar o desgaste acordada, com vontade de dormir mas acordada.

 

Mas não é só aqui que estou diferente...

 

... Estou tão diferente que até tenho medo de mim!

 

Mas se calhar envelhecer é isto!

Sobre a minha bolha

 

Em Agosto de 2015 escrevi um texto que falava sobre a importância do meu espaço, sobre como gostava de ter uma bolha que delimitasse esse mesmo espaço para não ser invadido sem permissão. 

 

Escrevi vários textos no passado que continuam atuais. Este é sem dúvida um dos mais atuais. Podia escrever esse texto todos os dias da minha vida que continuava a escrever exatamente o que sentia. Há textos sem data de validade.

 

Continuo a sentir raiva das pessoas que não respeitam o meu espaço. Continuo a sentir raiva das pessoas que se colam a mim nos supermercados e que juntam os seus produtos aos meus. Continuo a sentir raiva da moça que se cola a mim na zumba impedindo-me de abrir devidamente os braços - e um dia vou abrir, ai vou abrir vou, e vou bater-lhe com vontade e fingir desolação e inocência. Continuo a sentir raiva das pessoas que têm necessidade de estar sempre a tocar-nos enquanto falam connosco e pânico de pessoas que não sendo minhas amigas me abraçam como se fossem, assim do nada, sem aviso prévio.

 

Por isso sim, o meu espaço continua a ser mais valioso que o dos outros e continuo a implorar para que o respeitem.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.