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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Dizem que o desemprego é grande...

... Mas a empresa onde trabalho tem imensas dificuldades em recrutar. E não, não é porque é demasiado exigente, é mesmo porque não há candidatos e os que se candidatam... descandidatam-se!

 

Por isso é que, sinceramente, muitas das vezes não acredito no desemprego de longa duração de pessoas jovens nas cidades. Acredito mais rapidamente no desinteresse de longa duração pela procura de trabalho fora das áreas em que as pessoas estudaram, isso sim.

 

O meu departamento está a precisar de reforço desde há uns meses para cá. Colocaram um anúncio e pediam alguém que falasse línguas. Quase não houveram candidaturas. Das que houveram, lá selecionaram duas pessoas. Nenhuma apareceu para formação. Uma pessoa disse logo mal foi escolhida que já não estava interessada, e a segunda pessoa esperou que o primeiro dia da formação chegasse para dizer que afinal já não ia. 

 

Colocou-se um segundo anúncio, esquecendo a questão das línguas porque pelos vistos era isso que estava a provocar ausência de respostas. Aqui já houveram mais alguns candidatos. Deu-se formação a duas pessoas e um mês depois uma dessas pessoas já desapareceu. Num dia estava a trabalhar e no outro dia... Puff! Desapareceu. Não mandou uma mensagem a avisar que não ia mais, não atendeu chamadas, não respondeu a ninguém. Nada de nada. Não fossem as redes sociais e achávamos que a moça tinha morrido. Não, a moça é apenas irresponsável.

 

E é assim que no espaço de mês e meio a empresa onde trabalho lança o terceiro processo de recrutamento.

 

Ai Mula a empresa onde trabalhas deve ser mesmo horrível!

 

Não é! Não é, de longe, a empresa com os melhores salários, mas as regalias são boas, o ambiente é bom, o trabalho, apesar de stressante, não é complicado. As instalações são boas, tem boas comodidades, boas acessibilidades. E caramba, até tem bons colegas sempre prontos a ajudar, ou não fosse a Mula uma dessas colegas.

 

E é assim... Pode não estar fácil para os funcionários, mas pelos vistos também não está fácil para os patrões...

 

Nas empresas onde vocês trabalham também acontece o mesmo?

No dia em que fui ao ginásio e quase morri #take 2 - Cycling

Depois de quase ter morrido após - e durante! - a aula de TRX, a Mula achando-se jovem Mula com energia foi ao cycling. Já não fazia cycling há uns 5 anos, mas como ando numa de aulas decidi, na quinta-feira, que não era tarde nem era cedo, e 'bora lá pedalar por horas 45 minutos.

 

Cheguei lá e adorei logo a sala. De luzes quase apagadas - ao menos não se vê a falta de jeito nem o sofrimento alheio - era uma sala fresca e até tinha uma televisão para imaginarmos um determinado cenário. Pareceu-me muito bem, pareceu-me bastante agradável.

 

O pesadelo não demorou a surgir, quando percebei que as bicicletas eram todas XPTO e tinham manhas e manias para serem ajustadas, mas nada que um pedido de ajuda não resolvesse. Ajustei a bicicleta, sentei-me, pedalei por alguns minutos antes da aula começar e pareceu-me bem.

 

Eis que a aula começa.

 

Assim que o professor pede para simularmos a subida de uma montanha, onde para tal precisávamos de pedalar em pé, percebi que o guiador não estava numa posição adequada. Conclusão: Estive a aula toda a bater com os joelhos no dito! Podia ter parado e ajustado o bicho? Se calhar podia, mas tendo em conta que a bicicleta era cheia de manias não me pareceu por bem interromper a aula para o fazer. Prossigamos que a Mula é mais forte que um guiador e não foi isso que me impediu de fazer a aula até ao fim.

 

A aula é intensa, ouvi música muito boa mas levada à loucura. Ouvi um remix estranho de Kind of Magic dos Queen durante uns eternos longos 10 minutos enquanto víamos um comboio a atravessar uma montanha! Insano! Mas para que serve uma televisão numa aula de cycling? Mas quem é que olha para uma televisão em vez de se centrar no seu sofrimento? Bem... A Mula, pelos vistos...

 

A aula começa a aproximar-se do fim e a Mula está simplesmente de rastos. Já não sabe se lhe dói as pernas de pedalar em pé, ou o rabo de pedalar sentada, só sabe que toda ela é suor, cansaço e dor. Eis que olha para o relógio e descobre que a aula não está a aproximar-se do fim. A  Mula descobre desesperada que a aula vai apenas a meio, que se passaram apenas 20 minutos e que ainda há pelo menos mais uns 25 minutos pela frente. Idealiza uma tentativa de fuga, quiçá naquele escurinho ninguém reparasse que se escapulia da aula, mas depois percebe que talvez atirar-se abaixo da bicicleta que seria mais eficaz e que talvez não manchasse tanto a imagem dentro do ginásio. Percebe que a única solução é continuar a pedalar freneticamente como se viesse um lobo mau a correr atrás!

 

E pedalei, pedalei, pedalei, e subi e desci, e apertei a rodinha e soltei a rodinha, e suei, suei, suei. Quando os pulmões quase entraram em falência a aula terminou. Saí da bicicleta e tentei avaliar quem estaria em pior estado: Os pulmões ou as pernas que pareciam gelatina?

 

Saí da sala com as pernas bambas, o cabelo todo no ar, a roupa toda colada ao corpo - qual miss t'shirt molhada, mas eu mau - e tentei ir juntinho às paredes para não cair. E assim cheguei aos balneários com cara de quem tinha sido atropelada - acho até que por segundos o comboio saiu da TV e atropelou efetivamente a Mula.

 

Fiquei feliz quando no dia seguinte percebi que as dores nas pernas já não existiam. Não fiquei tão feliz assim quando percebi que as dores estavam agora todas concentradas no rabo.

 

Apesar de tudo adorei. Quase morri, mas saí de lá feliz, com o sentimento de dever cumprido. Sou doida o suficiente para na quinta-feira estar lá novamente.

 

Wish me luck!

É por estas e por outras que eu odeio dentistas

Como sabem aqui a Mula foi ao dentista por causa de dois dentes que estavam a dar um ar de sua graça - mas que nada tem de engraçado.

 

Deixem-me recordar-vos... Eram DOIS dentes. DOIS! A doutora lá fez a sua análise, indica que era por causa de dois sisos que estavam a forçar os dentes do lado, e também porque estava com a gengiva inflamada. Faz-me uma limpeza a toda a boca, e trata-me um terceiro dente que "Este sim, vai-lhe dar em breve grandes dores se não for tratado...". Assim foi, paguei, saí.

 

Ou seja  fui ao dentista por causa de dois dentes que doíam e tratei um terceiro dente que estava sossegado...

 

... Já não está! 

 

Fui ao dentista devido a dores em dois dentes e atualmente o único que me dói é um que até então não doía, e que provavelmente, se não lhe tivessem mexido, iria continuar a não doer...

 

Já percebem por que é que odeio dentistas? 

Constatações...

Ontem fui a um tasco. Já não tem aspecto de tasco porque é uma extensão moderna e pipi do tasco original mas é comida de tasco - comidinha boa! - e atendimento de tasco - apressado e desorganizado como só os tascos conseguem - e espaço tipo tasco - dá para comer ao balcão e afins. Não sei se a malta de Lisboa tem disto, mas nós aqui no Porto temos um em cada esquina. Constatei, uma vez mais que é nos tascos que se come melhor, e este em particular tem uma boa carta, petiscos deliciosos, pinga da boa mas... Não tem sobremesas!

 

Depois, fiz assim uma espécie de ronda geral, em pensamentos, e acho que nunca fui a um tasco com sobremesas.

 

Tasco é coisa mais de homem - apesar de o ser cada vez menos. Poderei constatar que homem que é homem não come sobremesa? Homem que é homem só finaliza com café?

 

Agora expliquem-me lá por que é que os tascos não têm sobremesas...

Prostituição e sexo nem sempre estão relacionados

Semana passada, num dos dias mais quentes que alguma vez senti aqui no Porto, passei de carro numa autoestrada e na berma uns homens estavam a limpar a vegetação. Ali, debaixo daquele sol horrível, com um calor insuportável. Sem sombra. Sem água. Sem o mínimo de condições laborais.

 

Isto para mim é prostituição. Ou, sinceramente, é ainda pior, porque uma prostituta que vende sexo pode ter mais condições laborais e de saúde do que estas pessoas.

 

Para mim prostituição é vender o corpo em troca de dinheiro. Seja para fazer apenas companhia, seja para trocas sexuais, ou simplesmente prejudicarmos a nossa saúde em troca de dinheiro. Tal como as prostitutas, estes homens provavelmente não têm grande escolha, não o devem fazer por gosto mas por necessidade porque também têm contas para pagar.

 

Este tipo de trabalhos são desumanos. Trabalhar na torreira do sol deveria de ser proibido. Os raios UV causam cancro. Isto não é brincadeira. O excesso de sol e ausência de líquidos causam desidratação, e a desidratação por sua vez pode causar múltiplas complicações ao nível de vários órgãos. Não há dinheiro no mundo que pague a saúde que perdemos no dia-a-dia.

 

Mas ó Mula as estradas têm de ser limpas, essencialmente no verão...

 

Têm, claro que têm. E porque não fazê-lo de noite, quando o sol já não vai alto? E que tal criarem uma espécie de estaleiro onde as pessoas se possam ir constantemente refrescar e hidratar?

 

Trabalhar com este tipo de condições, seja na obras, seja na limpeza e manutenção de estradas é simplesmente desumano!

Produtos de supermercado para o cabelo

Este post já estava na gaveta há séculos. Mas como mais vale tarde do que nunca, vê hoje a luz do dia. 

 

Em tempos recebi um email de uma leitora a questionar-me o que tinha eu contra os produtos capilares de supermercado e se eu achava que esses produtos danificavam o cabelo.

 

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Vamos lá por partes. Em primeiro lugar não tenho absolutamente nada contra os produtos para cabelos e de cosmética de supermercado, usei-os - e ainda uso por vezes - durante anos e não foi isso que danificou, de forma alguma os meus cabelos. Acho até que há nos supermercados excelentes produtos para o dia-a-dia e há alguns até que eu tenho, uso e não dispenso. Durante vários anos o Linic e o H&S foram os meus grandes aliados quando a minha dermatite seborreica atacava com força, essencialmente os cítricos, que são os meus favoritos. As máscaras da Tresemmé são aquelas que eu compro quando as minhas da L'Oreal Profissional terminam e ainda não chegaram as novas e os champôs da Elvive são os meus favoritos quando preciso de um champô barato que cuide temporariamente do meu cabelo. Sei que fica bem entregue.

 

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Antes do alisamento, usava os produtos da gama Ondas (Im)Perfeitas da Tresemmé e adorava, essencialmente a mousse, que me deixava o cabelo com um ondulado bonito, natural e sem necessidade de usar o secador ou o babyliss e agora que uso o cabelo liso são os leave-in da Gliss que nunca faltam aqui em casa. Os champôs da mesma gama não me agradam nem um pouco, mas os leave in, a-do-ro-os! Quando usava franja, usava o de volume para que a franja se mantivesse bonita e lisa o dia todo, e agora gosto de usar o de brilho e o de preenchimento de fibra capilar, já que tenho o cabelo fino e ajuda-o a ficar mais forte e bonito. Nota-se grande diferença entre usar ou não usar produto se o deixar secar ao natural. Sem os leave-in fico com o cabelo muito mais seco e com efeito muito mais palha do que quando uso. Já usei leave-in profissionais e sinceramente, não notei diferença alguma.

 

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Para quem tem cabelos normais, saudáveis e sem qualquer tipo de exigência, há marcas como a Pantene, a L'Oreal, a Schwarzkopf e até mesmo a Tresemmé que têm produtos de qualidade a preços bastante acessíveis - umas mais que outras, já se sabe. Agora, quem como a Mula, faz do cabelo gato sapato, e assassina diariamente os fios - mesmo quando acha que lhes está a fazer bem -  os produtos de supermercado não são suficientes para recuperar os danos e por isso prefiro investir em produtos de gama profissional para tentar de alguma maneira corrigir a porcaria que faço mensalmente com tintas, alisamentos e afins. Quando compro produtos profissionais, compro-os com um propósito, como quando comprei os de reconstrução da Tigi,

 

Agora, também acho que há produtos no supermercado menos bons,  pelo menos, menos bons para mim. Como em tudo na vida, de resto. Destaco por exemplo os cheirosos champôs da Fructis e da Herbal Essences que não me lavam o cabelo devidamente e após lavar com eles fico com o cabelo todo gorduroso e pastoso, demorando dias até normalizar. Mas da mesma forma que se encontram maus produtos nos supermercados, também se encontram maus produtos nas lojas profissionais. Já vos falei por exemplo, de como odeio o champô seco da Wella - e é um produto profissional caro - e de como produtos super baratinhos podem fazer o mesmo efeito de um bom champô seco. Já experimentei por exemplo champôs e máscaras da L'Oreal que não me seduziram ou não cumpriram com o objetivo, como o último conjunto da gama INFORCER que comprei com vitamina b6 e biotina para reduzir a queda do cabelo e parece que a queda ainda aumentou mais.

 

A verdade é que já me desiludi com produtos caríssimos e já me surpreendi com produtos bem baratinhos. No entanto, tenho algumas gamas de algumas marcas que eu sei que ajudam o meu cabelo a ficar mais forte e mais resistente sem pesar demasiado porque o meu cabelo é muito difícil de cuidar porque é seco nas pontas mas oleoso na raiz. Tenho muito cabelo mas muito fino e ainda por cima é um cabelo que é constantemente maltratado. Séruns por exemplo, só gosto do da Orofluido que já experimentei vários de supermercado e deixaram-me sempre o cabelo novamente a precisar de ser lavado. Mas também já experimentei outros de outras marcas profissionais mas não me encheram as medidas nem preencheram os requisitos.

 

Acho que ser supermercado ou profissional depende muito do que procuramos, e produtos com ação mais intensa, com uma ação mais específica não encontramos nos expositores de supermercado e por isso é que eu acabo por recorrer a produtos profissionais.

 

No fundo, quando vocês estão com uma ligeira dor em qualquer lugar, podem ir a uma parafarmácia que têm lá sempre qualquer coisa para vocês, mas se o problema é sério têm de ir a uma farmácia buscar um produto mais forte certo? No fundo com os cabelos é a mesma coisa. O que importa no fundo é encontrarmos os produtos que realmente nos ajudam a ter e/ou a manter um cabelo bonito e saudável.

 

Mas agora falem vocês de vossa justiça: que tipo de produtos usam vocês nos vossos cabelos? Que produtos baratinhos vos surpreenderam recentemente?

E é isto...

A malta sabe que eu sofro dos nervos... Mas adora esticar a corda!

 

Ando com uma dor num dente há cerca de duas semanas, e há cerca de uma semana um outro dente no lado oposto decidiu também dar um ar de sua graça e fazer-me deglutir um analgésico a cada 8 horas.

 

Ora, ainda antes do segundo dente me andar a fazer trepar paredes, liguei para a minha clínica dentária habitual e pedi uma consulta com urgência, já que via estrelas sempre que bebia algo que estivesse a menos de 30 graus, não precisava de estar frio, bastava não estar quente. Disseram-me que só conseguiam consulta para dia 9 de Agosto. Ora, peço uma consulta de urgência, a 20's de Julho, e só me dizem ser possível a 9 de Agosto... Claramente declinei a generosa oferta e comecei a procurar um outro dentista. Disseram-me para esperar mais uns dois ou três dias [TIC TAC] que me iriam tentar arranjar uma consulta mais breve.  [TIC TAC] 

 

Findos esses dois ou três dias ligam-me, já o meu segundo dente estava a doer desde a hora de acordar até à hora de deitar com ou sem bebidas quentes ou frias, para me darem a melhor "oferta" possível: dia 11 de Agosto! 

 

Vamos lá ver se eu entendi bem... 9 de Agosto é tarde.... 11 de Agosto é o quê?

 

Confesso que fiquei com uma vontade enorme de insultar a moça.  Bem sei que não tem culpa, mas era com ela que eu estava a falar, foi a ela a quem coube a ridícula tarefa de dar a informação de que a consulta mais breve que me arranjou era afinal mais tarde! Fiquei com vontade de perguntar se estava a gozar comigo, mas em vez disso disse um desesperado "esqueça!" despedi-me, desliguei e marquei uma consulta na primeira clínica que me apareceu na pesquisa do Google.

 

"Como é que nos encontrou?" perguntou do outro lado a voz. Nem eu sei muito bem, pensei. E pior... Desliguei a chamada sem saber muito bem para onde é que estava a falar, mas fiquei com o nome da rua. Ao menos isso. A verdade é que dentro de dois dias vou finalmente ser tratada. Agora a parte fantástica é que sendo dois dentes em lados totalmente opostos, um em cima e outro em baixo, não me deve tratar os dois, e vou ter que optar por aquele que me causa mais mossa que curiosamente não foi o que me fez tentar marcar uma consulta.

 

Ai vida minha... 

 

Não sei se já vos disse mas... ODEIO ir ao dentista! Mas odeio ainda mais que me dêem cabo dos nervos!

Monogamia

Há alguns animais monogâmicos. Poucos, mas há. Assim de repente, vem-me à memória os cisnes e os lobos que normalmente - salvo raríssimas exceções - formam casais para toda a vida. É tão romântico... A história destas espécies dariam belíssimas melodias sertanejas digo-vos já.

 

 

Mas não me lixem, homens e mulheres não são animais monogâmicos. São sim animais que tentam, à viva força, praticar a monogamia - aqueles que tentam, pois claro - mas que precisam de mais esforço para a praticar do que o contrário. No fundo o homem -  e a mulher! - fiel, está para a monogamia como o bacon para os vegetarianos. Ninguém nasce a dizer que não gosta de bacon - vá, ou de outro pedaço de carne qualquer! - há sim pessoas que devido a razões ideológicas fizeram um esforço para deixar de comer bacon. Não acredito que seja um processo fácil. E a monogamia também não o é. E a prova está na quantidade de divórcios que ocorrem devido a traições.

 

Um dia destes li algures por aí que a monogamia não é natural, é sobrenatural, e a verdade é que concordo.

 

Calma! Não estou, nem a dizer que concordo com a poligamia - porque não concordo, de todo! - nem a dizer que ando por aí com uns e com outros enquanto o Mulo dá no duro todos os dias no trabalho, porque não é verdade. Mas... Quem é que nunca pensou "ai se eu não fosse casada!" ou "se eu fosse solteira...". Há alguma maldade neste tipo de pensamentos? Continuamos vivos, continuamos com olhos na cara e coração no peito e creio que nos sentirmos atraídos por outras pessoas que não os nossos companheiros, que não seja algo totalmente horrível e vergonhoso. Para mim é normal. Não me choca. Não me arrepia. Não me escandaliza.

 

Não acho, tão pouco, que o facto de alguém comprometido poder olhar com desejo para outra pessoa que seja sinónimo de não estar feliz no relacionamento. Para mim há grandes diferenças entre o sentimental e o carnal. O cérebro é que é responsável por gerir depois isto tudo. O que pode ser horrível e vergonhoso é o que as pessoas podem fazer com essas sensações e sentimentos, quando o cérebro e tudo o resto falha. Pensamentos e fantasias não me arrepiam a espinha. Ações físicas confesso que sim.

 

Quer queiramos quer não queiramos, vivemos numa sociedade monogâmica, e sou a favor de que é preferível pôr fim a uma relação que não nos enche as medidas do que andar por aí a trair as pessoas a quem decidimos dedicar a nossa vida, porque acho que, acima de tudo, a falta de lealdade é muito pior que a traição física ou sentimental. Nisso os animais poligâmicos têm vantagem face ao humano: Não fazem compromissos, vivem apenas. No fundo, muitas pessoas deveriam de viver como estes animais, e não fingirem ser outro tipo de animais que não o são.

 

No meu local de trabalho é assustadora a quantidade de pessoas que traem outras. E a naturalidade com que o fazem. É assustador ir a eventos, ou saber de eventos, em que A casado, andou envolvido com B casada que já andou com C igualmente casado, e está tudo bem, toda a gente sabe, não é segredo, a não ser para os respetivos.

 

Isto confesso, choca-me sempre.

 

Acima de tudo assusta-me. Assusta-me porque os parceiros destas pessoas vivem na ignorância - nem todos, provavelmente - e eu fico a pensar: E se for eu? E se eu também estiver a ser enganada e não fizer nem ideia? Claro que confio no homem que escolhi para trocar alianças e com o qual vivo há 10 anos, nem estaríamos juntos se não confiasse mas... não deixa de ser assustador pensar que as outras pessoas provavelmente também confiam. E temo que a minha cabeleireira tenha razão quando diz "minha filha, não há homens fiéis! Há é homens que sabem esconder muito bem!"

 

Não. Os animais homem e mulheres não têm uma natureza monogâmica, mas acho que se poderiam esforçar um pouco mais...

O flagelo dos GPS

Estamos a tentar recuperar um carro antigo que estava na garagem da minha mãe para eu poder ser um pouco mais independente e ter um carro só para mim. Foi o nosso carro durante algum tempo e ainda tinha algumas coisas nossas. Nele encontrei um mapa! Um mapa que durante algum tempo nos acompanhou durante as férias e que com ele descobrimos imensas terras que até à altura desconhecíamos a existência.

 

 

Basicamente adoramos sair da rota. Na altura planeávamos as nossas viagens e depois mediante o rumo sempre que víamos alguma terra ou lugar com um nome engraçado, no mapa, nós íamos. Assim descobrimos terras como Quarta-feira, no Sabugal - que curiosamente visitamos numa quarta-feira! -, Amor em Leiria, Namorados em Castro Verde entre muitas outras que agora não me vem à memória.

 

Descobrimos imensos lugares belíssimos no interior do nosso país, que não vêm nos guias e que até os seus distritos pareceram esquecer. Lugares silenciosos. Quase vazios. Lugares esquecidos. Pedaços do tempo e de história.

 

Desde que usamos GPS que as coisas estão muito diferentes neste aspeto. Para além da falta da aventura de "no cruzamento viras à direita" e que afinal era à esquerda, e de "fica para aquele sentido" e afinal ser para o outro, com o GPS deixamos também de encontrar o que não sabemos que existe, a menos que encontremos alguma placa pelo caminho com um nome engraçado. Mas a verdade é que, agora, se a localidade não se colocar no nosso caminho, nós também não nos colocamos no caminho da localidade. Isto é triste. Apesar de descobrirmos na mesma algumas pérolas preciosas do nosso Portugal e arredores - que também já descobri pequenos tesouros em Espanha - a verdade é que hoje as coisas são muito diferentes.

 

Se podíamos desligar o GPS, comprar um mapa e voltar a navegar à aventura? Podíamos... Mas parece que nos acomodamos à simplicidade de colocar um destino numa máquina e a máquina simplesmente nos levar. A idade também é diferente agora, a paciência e disponibilidade também...

 

Mas não deixo de sentir saudades.

 

As máquinas simplificam-nos a vida, mas também nos tiram um pouco do brilho que a vida tem.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.