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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Rejuvenesci das vistinhas

Nos últimos meses não conseguia estar ao PC, a trabalhar, sem óculos. Nos últimos meses não conseguia conduzir sem óculos. Nos últimos meses, os óculos estavam sempre presentes nas minhas fuças, porque estar sem eles já não era uma opção, como em tempos já foi. Como agora é, no fundo.

 

Desde que me despedi que nunca mais usei óculos e só por estes dias reparei que estava a conduzir sem óculos e que estava a ver perfeitamente bem sem desfocar. Achei incrível! Eu que estava super preocupada que tinha de regressar ao oftalmologista, ajustar a graduação, porque considerava que mesmo as lentes já não eram as adequadas, rejuvenesci das vistinhas...

 

Realmente trabalhar mata... E nem baseado na minha saúde me sai o euromilhões...

E quando a minha mãe achou que eu era lésbica...

... e infiel e sem pingo de moral?

A minha melhor amiga é bissexual e tem, atualmente, um relacionamento com uma mulher. Estou, obviamente, super confortável e à vontade com a situação mas a minha mãe - que é de outro tempo, apesar de graças à ficção estar mais evoluída - ainda não lida, de forma muito confortável, com o tema. Aos poucos, ela chega lá!

 

Numa sexta-feira, estou eu, a minha amiga, a minha mãe e outra amiga a jantar em minha casa, tranquilamente a falar sobre o divórcio dessa outra amiga que estava presente, e não sei como - aconteceu tudo tão rápido - a minha melhor amiga muda radicalmente de tema conta à minha mãe que é bi e que namora com uma mulher. A minha mãe meia atónita, meia sem compreender, deseja-lhe que seja feliz, obviamente, mas acaba por mudar de assunto. Assunto mudado, sigo com a minha vida e nunca mais me lembrei do assunto. 

 

No dia seguinte, sábado, fui com uma amiga - outra amiga! - para um hotel com spa. Spa, jacuzzi, massagens, foi um fim-de-semana de verdadeiro restauro mental e físico. Na altura publiquei imensas fotos do fim-de-semana incrível no instagram e a minha mãe foi acompanhando.

 

Domingo à noite chego a casa, relaxada, com a história de sexta-feira arrumada num espaço remoto da minha mente, muito longe... muito longe... e eis que sou bombardeada com perguntas. No fundo, basicamente, ela achava que eu era a namorada da minha melhor amiga e pior que isso: é que eu estava a traí-la com outra amiga porque ela não achava normal eu namorar com uma e andar em spas e massagens com outra!

 

 

A minha mãe estava a falar bastante a sério, mas eu ri! Ri tanto... Mas tanto, mas tanto!!! Que ainda hoje rio muito sempre que me lembro da cara dela indignada que tinha uma filha sem valores nem respeito pelos outros!

 

Expliquei-lhe que infelizmente sou hetero, que faço parte de uma grande percentagem de mulheres que sofre por homens parvos e sem coração e que não fazem ideia do que significa respeito pelo próximo e muito menos pelas mulheres. Expliquei-lhe que se fosse uma escolha, que provavelmente escolheria gostar de mulheres, que talvez seria mais feliz - se não apanhasse pelo caminho uma como eu, claramente -, mas que infelizmente não é algo que se escolhe e que como tal teria de carregar a minha cruz de gostar de homens indecentes e vagabundos, normalmente tatuados e com braços fortes - ai que já estou a divagar, perdoem-me - e que não, não estava a enganar a minha melhor amiga, e irmã! 

 

Apesar de tudo, fiquei bastante feliz quando a minha mãe me disse que me aceitava como eu fosse, que só queria que eu fosse feliz mas que não queria que andasse por aí a magoar ninguém, só fiquei chocada com o facto de por momentos lhe ter passado pela cabeça que a sua filha era uma vagabunda sem coração!

 

Coisas que só a mim... #12

imagem retirada daqui

 

 

A mãe pede-me para ir ao supermercado e dá-me uma listinha em papel. Guardo a listinha de papel no porta-moedas para me focar no que vou comprar. Chego ao supermercado, pego na lista e entro no supermercado com a lista na mão e rapidamente percebo que aquele, em específico, não tinha o que eu precisava pelo que me desloco para a saída.

 

Antes de sair, percebo que estou com fome, volto para trás e decido ir buscar um bolito para matar a fome. Vou buscar o bolito, guardo-o no saco e decido perceber - já que ia ficar na fila para pagar o bolo - se há alguma coisa da lista que ali pudesse comprar. 

 

A lista? Onde está a lista? Pois que percebo que a lista não está mais na minha mão, não está nos bolsos, não está na carteira, nem em lado nenhum!

 

É que só eu, é que entro com uma coisa na mão, de um momento para o outro essa coisa já não está na minha mão e eu nem sei em que momento é que deixou de estar!

 

Claro está que tive de ligar com a minha mãe e pedir-lhe que me escrevesse tudo o que precisava por mensagem, já que não sou responsável por SEGURAR um simples papel num supermercado!

 

Depois surpreendo-me de ainda estar solteira...!

A Mula está de volta ao Instagram

A conta original da Mula foi eliminada pelo próprio Instragam com a indicação de ter violado as normas da comunidade. Tendo em conta que todas as fotografias eram da minha autoria, que não obtive seguidores de forma ilegítima, que não publiquei nudez nem conteúdo sensível, não entendo como foi a minha conta eliminada, sem direito a revisão. Mas adiante...

 

Passada a depressão de ter perdido 7 anos da minha vida em fotos, com fotografias que já nem existem nos meus backups, e tendo em conta que o ano de 2023 chegou em grande, com boas notícias e em forma de recomeço, decidi olhar para o futuro, e criar uma nova conta, desta vez com conhecimento de que é possível criar backups da conta - para não voltar a ser apanhada desprevenida.

 

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Eu que nunca vos pedi muito... Peço-vos, hoje, que me sigam! Não que tenha conteúdo de elevada qualidade e indispensável para a vossa sobrevivência mas...

 

 

...Seguem a Mula no Instagram, seguem?

Da saga: O universo sabe o que faz...

Confia: Nada acontece por acaso!

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Relembro-vos que os meus cartões de multibanco foram, estranhamente, parar à minha antiga casa. Morada atualizada, tudo nos conformes, e ainda assim os meus cartões foram parar à minha antiga casa. Na altura não entendi o que o universo me queria dizer, com tantos sinais, já me começava a desesperar um pouco. O universo estava a dar sinais claros de que tinha uma mensagem para mim, mas eu meia surda, meia cega, não entendia o que me dizia ele.

 

Tudo a seu tempo, dizem. Logo eu que gosto pouco de esperar... Mas porque quem espera não só desespera mas também alcança, eis que finalmente entendi o que o universo me reservava.

 

O Mulo não tinha apenas os meus cartões de multibanco, o Mulo tinha também um papel de elevada importância na minha vida profissional.

 

Devido aos cartões, conversa para aqui, conversa para ali, eis que atiro assim para o ar, sem qualquer tipo de expectativa ou esperança, foi só e apenas em tom de desabafo, que caso ele soubesse de alguém que precisasse de uma competente e empenhada administrativa para falar comigo, que eu procurava mudar de emprego. Contei-lhe o que se estava a passar. Expliquei-lhe que a cada dia que passava me custava mais olhar para a cara daquela pessoa, falar com aquela pessoa, trabalhar com aquela pessoa. Por muito que o meu trabalho não fosse diretamente com ele, muito do meu trabalho era com ele e estava cada vez a tornar-se mais insuportável ali trabalhar.

 

Quem me conhece sabe, quando uma pessoa me desrespeita eu não consigo voltar confiar. Digo isto, porque a atitude dele até mudou comigo - provavelmente por ter ido falar com o meu CEO - mas nem assim consegui confiar. Sabem a velha máxima de que quando as crianças estão demasiado sossegadas estão a fazer asneira? Era exatamente a isso que me cheirava... Ele andava demasiado sossegado, com demasiados elogios, demasiado manso, mas para mim estava a preparar algo muito maior, muito pior. Sou desconfiada por natureza, não consigo ser diferente. Então disse para mim: "vou-me adiantar ao que poderá vir dali...". Não sei se, efetivamente, viria dali alguma coisa, mas também, sinceramente, não quis saber.

 

Tudo isto para vos dizer que desabafei com o Mulo, confesso que desde que nos afastamos que sinto a falta dele, ele era o meu melhor amigo e a pessoa mais racional que eu conheço - esse foi o mal, no fundo - e faz-me falta tantas vezes falar com alguém com os pés bem assentes na terra. Por isso desabafei, e ele ouviu-me, e enviou o meu currículo para uma empresa de recrutamento e numa semana consegui uma entrevista com alguém responsável pela fase inicial para uma grande empresa internacional e iniciei assim um longo e complexo processo de recrutamento. Feita a entrevista inicial, tive outras fases de entrevista diretamente com a empresa onde iria trabalhar, primeiro com o diretor da empresa, depois com os RH e finalmente com a chefe de departamento. 

 

Sabem quando entram num sítio e se sentem em casa? Foi assim que me senti no primeiro dia, na primeira entrevista que tive presencialmente. Senti-me bem, senti que ali era o meu lugar, e por isso quando no próprio dia recebo uma outra proposta de trabalho - muito, mas mesmo muito bem paga! - em que queriam que eu começasse imediatamente eu recusei! Se eu sabia se iria ficar? Não, claro que não, até porque a pessoa que me entrevistou inicialmente - a quem o Mulo me recomendou - nada mais tinha que ver com o processo de recrutamento. Mas soube a partir daquele momento que se o universo tinha mandado os meus cartões para a morada errada para eu chegar até ali que não tinha sido à toa!

 

Se sou maluca? Talvez seja um pouco, mas com isto aprendi que é preciso confiar! A outra oferta, por muito que fosse muito mais bem paga, não me iria fazer feliz, não era o que eu queria e por muito que me permitisse elevado crescimento pessoal e profissional, não era o que eu queria fazer, e eu sentia que o meu caminho não era por ali. Ainda pensei "e se..." mas a partir do momento em que deixei de dormir porque só de pensar em aceitar me causava elevada ansiedade... Sabia que o meu caminho que não era por ali e que eu já tinha encontrado o meu caminho, era só esperar, e caso não fosse por ali o meu caminho, algum igualmente bom estaria certamente à minha espera. 

 

O processo foi moroso. Passaram-se semanas, a cada semana que passava sem resposta era um pedaço da esperança que se desvanecia, mas eu continuava a achar que nada tinha sido à toa. Que tudo acontece por um motivo, e que se nunca tinha acreditado em coincidências que também não seria a partir daquele momento.

 

E foi assim que a meio de Janeiro eu recebi a boa notícia de que iria começar nessa nova empresa em Fevereiro! Não imaginam a felicidade!

 

Eu fiz all in, eu confiei, eu consegui!

 

Estas últimas semanas foram uma loucura. Despedir-me foi intenso, eu sabia que gostavam de mim mas não tinha noção do quanto e do impacto que a minha despedia iria ter na maioria das pessoas. Passar todo o trabalho em meia dúzia de dias foi complicado mas fez-se, em contra relógio mas fez-se! E quando saí dali... Foi como se tivesse perdido 20kg!

 

E pensar que se os meus cartões de multibanco não tivessem ido parar à minha antiga casa que nada disto teria acontecido... Acham que devo ligar para o banco a agradecer o engano?

Manias pós covid

Longe da existência do bicho e das máscaras - não sei se têm a mesma sensação que eu, de que já se passou uma eternidade - há hábitos que continuo a manter, essencialmente no que toca a contacto humano.

 

Se eu já era fã do meu espaço pessoal e se já tinha problemas com excesso de proximidade dos outros, desde o covid que este meu valor pelo meu espaço, aumentou significativamente. Continuo a não gostar de demasiado contacto com pessoas fora do meu círculo íntimo, e com o tempo tornei-me quase a alérgica ao tocar nos outros, quando os outros são estranhos, obviamente que com os meus, sou diferente.

 

Assim evito os beijinhos - quando é que abolimos de vez este comportamento? - e quando me apertam a mão - ou me beijam a mão, que há muita malta aqui no trabalho com este terrível vício -  automaticamente os meus olhos buscam a presença do desinfetante!

 

Que desconforto! Sinto-me suja, não vos sei explicar mas que me larguem do pé e parem de me tocar!

 

Espero não ser a única assim, caso contrário acho que tenho de fazer terapia!

Não podemos negar que homens e mulheres são diferentes...

...Nos humanos e nos gatos! Igualdades de género à parte. 

 

Basta olhar para o meu Simba, mesmo sem lhe tocar, basta só olhar, e ele desata a ronronar em alto e bom som como se o tivéssemos esborrachado de mimo...

 

Já a minha Kika... Temos de lhe dar muito mimo para ela ronronar, discretamente, num tom quase inaudível...

 

Nos gatos e nos humanos... Realmente nós mulheres não somos bichos fáceis de agradar! 

Quando é ao contrário...

... O que fazer?!

Normalmente - porque gosto deles, feios, porcos e maus - sou eu que gosto deles e eles não me ligam nenhuma... Acabo sempre a sair desiludida.

 

... Agora e por poucas vezes na minha vida, é ele - que é fofo, simpático e empenhado - que gosta e eu que não estou para aí virada!

 

Odeio fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim... Mas o que fazer?

 

Vou desistir, isto não é para mim!

 

Nunca uma música fez tanto sentido... Infelizmente!

 

Pra quê beber... se já passo vergonhas sóbria?

Semana passada foi a festa de natal aqui da empresa, numa quinta toda pipi com animação e bar aberto. Logo no início da noite, ainda antes de beber e durante os canapés, fui à casa de banho...

 

Entro com duas amigas na casa de banho, tranquila, e eis que vejo algo que não era suposto. Estava lá um moço. Olho em volta confusa e como qualquer carneira que acha que está sempre certa achei que o moço estava enganado e que estava na casa de banho errada... Só estranhei ver os urinóis na casa de banho das mulheres...

 

... Estava definitivamente na casa de banho errada!

 

 

Saí em pânico, o moço nem para mim olhou - espero - porque era o DJ da noite, percebi umas horas mais tarde!

 

Quando estou a sair da casa de banho errada estava um colega meu que ia entrar para a casa de banho das mulheres - porque nós o induzimos em erro a sair da dos homens - que olhou com ar chocado, e provavelmente passei a ideia de depravada, ou de alcoolizada àquela hora tão temprana, da noite. E pronto, é isto que acontece nas festas de trabalho da empresa... Vergonha!

 

Por isso... Para quê beber, se já sóbria faço disparates?

 

E vocês, contem-me lá: Qual foi a pior situação que vos aconteceu numa festa da empresa?

Cascatas de Ouzoud

Queria muito ter ido ao deserto. Há quem diga que ir a Marrocos e não ir ao deserto é como ir a Roma e não ir espreitar o Vaticano... Mas a viagem não foi assim tão longa para dar para tanta coisa e tivemos de fazer opções e tendo em conta o tempo, o calor imenso, optamos por ir às cascatas em vez de sermos cozinhadas no areal quente.

 

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Por isso, escolhemos ir às Cascatas de Ouzoud no penúltimo dia. Apesar de nesse dia as temperaturas ultrapassarem os 40ºC, a verdade é que escolhemos o melhor dia porque o dia amanheceu cinzento e apesar do bafo quente, o sol não nos cozinhou, só nos derreteu...

 

A caminho de Ouzoud

 

Ouzoud fica a 3 horas de Marraquexe, numa viagem longa por estradas desertas por entre as montanhas que nos mostrou bastante a pobreza do país. Vi gente no meio das montanhas a dormir, vi crianças a caminharem sozinhas pelas estradas sem nenhuma vila nas proximidades. Vi crianças numa manifestação que mesmo não entendendo o que diziam pareciam lutar pelos seus direitos. Rapazes e raparigas unidos na luta pelos seus direitos. Vi muita gente sentada na beira da estrada sem ver uma única casa em muitos, mas muitos quilómetros... Vi camelos nas montanhas... ao longe... Vi muita miséria e o meu coração não ficou indiferente. Sem dúvida que vivo num país privilegiado, com acesso a bens e serviços que tomei ao longo da vida por adquiridos e por isso esta viagem, mais do que qualquer outra, foi uma bofetada de realidade, de uma dura realidade.

 

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A manifestação

 

Após 3 horas, finalmente chegamos a Ouzoud - que significa azeitonas, em berbere, devido às imensas oliveiras que rodeiam a montanha - nas Montanhas do Atlas Médio. Passar de uma carrinha com ar condicionado fresquinho para um ambiente de mais de 40ºC é terrível. Senti que a minha alma me saiu do corpo naquele choque.

 

O cineasta Martin Scorcese gravou cenas do filme Kundun (1997) no Kasbah Du Toubkal, primeiro hotel local, inaugurado em 1995. Este hotel situa-se mesmo na entrada do trilho para as Cascatas de Ouzoud.

 

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Praia fluvial antes de descer para as cascatas. Normalmente as águas são cristalinas, mas como tinha chovido bastante no dia anterior, as águas estavam lamacentas.

 

Interpretamos mal as excursões, e achamos - ou eu achei, vá, que fui eu que comprei, admito a culpa - que para podermos fazer a viagem de barco - não sei se barco será o termo correto... mas assumamos que era um barco - que teríamos de fazer a caminhada por entre os montes. Que grande burrice. Poderíamos ter ido à viagem de barco e visto os macacos sem termos de andar por entre montes ermos e escorregadios com zero proteção.

 

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Entrada pelo trilho mais longo cuja única medida de proteção era esta correntinha...

 

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Pelo trilho... Não vale tropeçar!

 

Pronto, já começaram as críticas, pensam vocês. Mas a verdade é que o caminho é perigoso, pessoas caíram - eu só não queria ser a primeira, mas depois dos ingleses terem caído já estava por tudo - e o caminho tinha zero vedação ou amparo, e um passo em falso poderia levar-nos para mais perto de Alá e Maomé. O guia ficava muitas vezes entre nós e a falésia para nos proteger, apoiando-se apenas num ou outro rochedo. Não li relatos de alguém ali ter morrido nalguma excursão, mas se tivesse lido a verdade é que não me chocaria, porque estranho é que nunca tenha acontecido nenhum acidente.

 

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As vistas em todo o percurso são de cortar a respiração. É incrível!

 

Como tinha chovido no dia anterior as cascatas estavam lamacentas, mas diversas fotos por essa internet fora provam que as águas normalmente têm um aspeto cristalino, convidativo a banhos. Não foi o caso, tivemos azar, ou talvez não tenha escolhido assim tão bem o dia, poderíamos ter sol e águas cristalinas para molharmos os pezinhos e refrescarmos a nuca, mas não se pode ter tudo.

 

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As cascatas de Ouzoud têm uma altitude e 110m e são as segundas maiores cascatas de África, ficando apenas atrás das Victoria Falls no Zimbábue. Demoramos cerca de 1 hora, 1 hora e pouco até chegarmos à base das cascatas para o passeio de barco, já incluindo com a pausa para um belo sumo de romã, natural, espremido na hora.

 

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Bendito sumo fresquinho de romã

 

Depois da pausa para o suminho fantástico, continuamos a descer... Desce, desce Mula! Descemos até à base das cascatas para um passeio de barco diferente para apreciarmos de perto... Bem de perto... As Cascatas!

 

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O barco

 

 

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O belo do passeio, onde o guia quase nos enfia debaixo da queda de água que parecia pouco macia - no sentido de doer, provavelmente, se levássemos com ela em cima directamente!

 

Depois do passeio alucinante de barco, onde ninguém permaneceu seco, por opção e diversão do próprio guia, fomos encaminhados para o restaurante onde poderíamos degustar couscous, tangine ou então - o que eu escolhi - as típicas espetadas de frango com batata frita.

 

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O almoço nas montanhas

 

Depois do almoço, comigo a temer ter de subir tudo novamente - porque já se sabe, que quando se desce, tem de se subir... - descobrimos que existia um atalho bem menos ermo, alcatroado, com degraus, comércio e... macacos! Se lá voltar, claramente será o curso que escolherei, apesar de se perder imensa perceção da altitude, mas digamos que é uma experiência para uma vez na vida. 

 

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Ólha ó passarinho, macaquinho!

 

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Sempre curiosos...

 

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Tranquilos no meio dos humanos.

 

Os macacos pareceram dóceis, ainda que nos tenham avisado que se eles nos abraçassem para não o fazermos de volta porque poderíamos ser surpreendidos com uma dentada de pouco amor. Os macacos estavam completamente livres, andavam soltos pela montanha e eram atraídos pelos guias e pelos visitantes com amendoins, que claramente adoravam. Quem me conhece sabe que eu tenho medo de macacos, por isso fui-me mantendo afastada e admirando-os à distância, e deliciei-me com a interação entre eles e os humanos, tão amistosa. Uma senhora inclusive caiu nas graças de um e o seu escalpe não escapou de ser catado.

 

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Sempre a aguardar por mais um amendoim...

 

Aqui, em Ouzoud, os comerciantes são totalmente diferentes dos comerciantes da Medina de Marraquexe. Podíamos  ver os produtos à vontade, não nos bombardeavam com perguntas, e pudemos ver produtos típicos com toda a tranquilidade, o que obviamente me agradou bastante.

 

Terminada a excursão... Mais 3 horas até à Medina...

 

Nesse dia caí na cama e não me lembro se quer de sonhar!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.