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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Super Ego!

Não, não é um novo programa televisivo. Ainda que a existência de um programa para trabalhar o altruísmo não seria nada mal pensado. Não, não me refiro à instância psíquica de Freud. Ainda que represente um mau funcionamento da dita. Refiro-me a um super egoísmo que afeta cada vez mais o ser humano. A um egoísmo exacerbado que impede as pessoas de verem para além do seu umbigo.

 

(imagem retirada daqui)

 

Trabalho com pessoas, lido diariamente com diferentes tipos de pessoas de várias partes do país e da Europa. São todos diferentes, com vivências e personalidades diferentes, mas há uma característica que abunda na personalidade de demasiadas pessoas: O egoísmo.

 

A empresa onde trabalho presta serviços por marcação - quer pela disponibilidade de material, quer por organização - e diariamente atrasos significativos, que impossibilitam a realização dos serviço, acabam em reclamação. Confesso, esta situação deixa-me com os cabelos em pé. Não comparecer e não avisar é mau. Mas não comparecer e exigir como se estivéssemos certos é muito pior.

 

Esta semana recebemos um contacto às 15h30 de um cliente com uma marcação para as 14h. Ligou a avisar que estava um pouco atrasado. Os serviços duram em média 1h30/2h e por isso facilmente se entende que um atraso de uma hora e meia não é um ligeiro atraso. Explicamos que o serviço teria de ser reagendado para outro dia, porque já existiam marcações para o resto do dia.

 

Virou bicho! Porque tinha marcado! Porque queria o serviço feito no dia! Mas o serviço não foi realizado por culpa de quem? Por minha culpa não foi de certeza absoluta!

 

Como este cliente, vários! Todos os dias!

 

A empresa, obviamente, quer o maior número de serviços possíveis, quando o cliente esperneia demasiado, mesmo sem qualquer razão, muitas das vezes os funcionários são espremidos ao máximo. Há até uma certa chantagem emocional - "existe demasiada concorrência!"; "se começarmos a ser demasiado exigentes poderemos perder serviços e diminuir os postos de trabalho..." entre outras expressões comuns nas empresas de hoje em dia. Mas aqui, compreendo perfeitamente o papel da empresa, faz parte das chefias pensarem assim por muito que desagrade os funcionários que acabam a ser os principais prejudicados. Aqui culpo os clientes. Há um total egoísmo. O "primeiro eu, depois eu e a seguir eu", querem lá saber se alguém vai ser prejudicado porque ELE não foi cumpridor. Querem lá saber se alguém vai perder um transporte, ou vai chegar atrasado a um compromisso, porque ELE quer o serviço feito AGORA apesar de ter estado agendado para ONTEM e que por sua própria culpa - alheia ou não! - não foi cumprido. Quer lá saber se o cliente seguinte - quiçá pontual - veja o seu serviço atrasado, porque ELE se esteve a marimbar para os compromissos, para as responsabilidades.

 

Azares todos temos e não quero com isto condenar as faltas e os atrasos por si só. Quem nunca faltou a uma consulta médica - por exemplo, e bem mais grave tendo em conta o serviço de saúde nacional - que atire a primeira pedra. Quem nunca se atrasou para uma marcação qualquer - nem que seja para fazer uma mise no cabeleireiro local - que atire a primeira pedra. Azares, contratempos e imprevistos todos temos. O que nem todos temos, infelizmente, é a maturidade para aceitarmos as consequências do nosso azar e aceitarmos convenientemente que o mundo não gira efetivamente à nossa volta. O que, infelizmente, nem todos temos é a compreensão de que existem outras pessoas no mundo para além de nós.

 

Já ouvi todo o tipo de comentários, desde "o seu colega não quer trabalhar... às 18h já tinha a porta fechada, é que nem 5 minutos dá à casa!" Mas porque haveria o colega de dar 5 minutos à casa se o colega tem efetivamente um horário de trabalho? Não são os horários isso mesmo? Horários? Não serão estes para cumprir? Já ouvi clientes a reclamar que o colega não parou tudo o que estava a fazer - inclusive a atender outras pessoas - para o atender a ele. Já ouvi de tudo, e cada vez mais perco fé na humanidade.

 

Numa altura em que cada vez mais se fala de globalização, o bicho homem mais se fecha na globalização do seu umbigo. Só e apenas o seu umbigo, os outros - em bom português - que se fodam!

 

É só triste...

2 comentários

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    Mula 21.03.2018 22:25

    Também a mim... Acho que há falta de tudo... de bom senso acima de tudo...
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