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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Saudades...

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Hoje dei por mim com saudades do tempo da faculdade, das fitinhas azuis e rosa que orgulhosamente exibia na minha negra pasta, dos colegas e amigos com que diariamente convivia. Fiquei com saudades das aulas de psicologia e de análise de intervenção psicossocial, e lembrei-me que não tenho saudades nenhuma das aulas de sociologia das organizações nem de educação de adultos.

 

Tenho saudades da correria entre as aulas em diferentes pisos, da sopa com a sandes de pasta de atum no intervalo das 19h30. Tenho saudades do chocolate quente das 22h30 e das pessoas que me acompanhavam. Tenho saudades dos cânticos da tuna.

 

Não tenho saudades de ver os pobres caloiros humilhados nos corredores de orelhas cabisbaixas enquanto lhes gritavam e lhes ordenavam coisas. Mas tenho saudades das conversas parvas e de "gaja" que tínhamos em frente aos poucos rapazes - 2 - que nos acompanhavam. Tenho saudades, das resmungonas do bar, dos lanches mistos que vendiam.

 

Não tenho saudades das orientações de estágio, que mais nos desorientavam. Não tenho saudades de chegar molhada no inverno e sair às 24h ainda com os pés molhados. Não tenho também saudades das geladas salas, nem dos bichos que sempre invadiam as salas. Mas tenho saudades de estar numa aula apenas a rabiscar, ou de ficar no bar, porque simplesmente estava sem paciência.

 

Tenho saudades de apresentar trabalhos e fazer pesquisas sobre assuntos que nunca ouvi falar. Tenho saudades de quando elogiavam o meu trabalho e me davam os parabéns pelas boas explicações. Não tenho saudades das frequências que nunca dá para demonstrarmos o que realmente valemos, nem dos exames, que nunca conheci, mas que afligiam os meus colegas.

 

Tenho saudades do meu último estágio, dos "meus meninos" que para trás deixei, por cobardia de me apegar demasiado. Tenho saudades das tardes passadas na biblioteca, com uma das que ainda hoje é, a minha melhor amiga. Tenho saudades dos jantares que organizávamos e nos juntávamos todos para dizer mal da outra turma. Tenho saudades das aulas de teatro e das peças que fomos realizando ao longo do primeiro ano.

 

Tenho saudades de muita coisa, e nenhumas saudades de outras tantas coisas. Mas foram três anos maravilhosos. Três anos bem aproveitados, ainda que cansativos. Três anos que nunca mais vão regressar, mesmo que eu regresse, um dia, à faculdade.

 

Este ano tentei voltar a entrar, mas fui recusada no mestrado com que sonhei, todos me diziam que com a minha média entrava sem dificuldades, e quando me candidatei já fui recebendo os parabéns. Sou a prova viva de que não se deve deitar os foguetes antes da festa, nem esperar demasiado. Afinal a minha boa média, não era assim tão boa. Afinal a minha facilidade de ingressar num mestrado não foi assim tão fácil, ou difícil, não foi simplesmente.

 

Afinal a vida não é apenas desejar e ir em frente, às vezes existem barreiras que não são possíveis contornar. Afinal, tenho que ter mestrado para trabalhar na área que pretendo, mas tenho que ter experiência para ser admitida no mestrado, como se contorna uma bola de neve em avalanche?

 

Tenho saudades da simplicidade. Do tempo em que não havia entraves. Do tempo em que apenas dependia de mim... Tenho saudades de ver uma luz ao fundo de um túnel... só que o túnel foi apanhado na avalanche e já não há luz visível, e provavelmente sem saída possível...

 

Tenho saudades de ter esperança e de acreditar que era possível. Para o ano voltarei a tentar, mas...

 

Acordei nostálgica... só e apenas isso...

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