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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

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Rubrica Semanal - Os Tais de Carlão

Os Tais Carlão.jpg

Ano após ano a música portuguesa tem vindo a ficar mais rica - surgem novas vozes e reinventam-se outras. Este é um caso de reinvenção, que considero fantástica - o antigo Pacman dos Da Weasel, virado para si, reinventa-se e agora é Carlão e encanta-nos com a sua voz. E assim escolho a música para esta semana:

 

 

Os Tais - Carlão

 

Esta é uma música que fala sobre os laços familiares e sobre a importância do casamento - ou falta dela. Pelo poema e pelo que se fala nas revistas cor-de-rosa, creio que esta música retrata a sua vida e a sua experiência pessoal, pois como o músico referiu em 2011 numa entrevista ao DN, sobre a experiência da paternidade: "Está a ser a melhor experiência da vida. Redescobri uma pureza de sentimentos que andava esquecida. É uma coisa pura, incondicional". Como tal, creio que esta música seja um imortalizar dessa mesma sensação.

 

Um e um são três podiam ser quatro ou cinco / Se não fosse a crise não era preciso um trinco / Fazia-se uma equipa eu era o ponta de lança / Marcava golos em pipa a minha ponta até faz trança

Carlão inicia a música explicando que tem apenas tem um filho devido à crise actual, mas com interesse no futuro de ter vários filhos para alegrar a sua vida, a sua casa, revelando o seu instinto paternal, anteriormente escondido. (Espero que a mulher também partilhe da mesma opinião, caso contrário poderá, doravante, gerar discussão lá em casa, uma vez que quem carregará as crianças durante 9 meses, será ela.)

Quem diria que íamos chegar aqui / E ter uma vida séria como eu nunca previ / E é tão bom acordar de manhã olhar para ti / Antes de ir bulir naquilo que eu sempre curti

Olhando para trás, o Carlão relembra que nunca ambicionou constituir família e que não imaginava o conforto e a sensação de preenchimento pessoal que esta questão lhe poderia proporcionar. E denoto um certo contentamento geral: tem uma família que ama e trabalha naquilo que gosta, e como já vimos anteriormente, quando se trabalha naquilo que gosta, tudo flui de uma forma diferente e mais alegre.

Ai, ah bebé / Somos os tais / Ai, ah bebé / Que viraram pais / Ai, ah bebé / Firmes e constantes / Ai, ah bebé / Produzimos diamantes

No refrão, que vai repetindo ao longo da música, Carlão vai reforçando a ideia de que quer ele, quer a sua mulher são bons pais, e que a sua filha é o bem mais precioso que eles têm, daí ser diamante, alias, expressa uma vez mais a vontade de ter mais filhos, ao utilizar diamante no plural. Aqui poderemos ainda concluir uma certa falta de modéstia, por parte do Carlão, pois se eles fazem diamantes - que são os seus filhos - significa que fazem tudo bem, tudo muito certinho. E sejamos sinceros, os filhos nunca serão certinhos a vida toda, nem os pais serão sempre perfeitos. Mas compreendo que é um pai babado e que a falta de modéstia possa ser apenas resultante dessa baba. Está perdoado.

E a nossa filha já vai ter um mano ou mana / Ainda ontem mal abria a pestana / Quero uma ilha catita com uma cabana / Porque amor já tenho a montes o algodão não engana

Pela estrofe seguinte, Carlão parece ter conseguido convencer a sua mulher a carregar mais um pequeno ser para este mundo. Pela rapidez, estamos perante um homem (e uma mulher) extremamente férteis, pois conseguiram fazer dois filhos com a diferença apenas de duas ou três estrofes, algo extremamente raro e rápido. O que significa que quando o Carlão estava a escrever esta música ele e a  mulher... bem adiante.

Foi contigo que eu matei tantos demónios / Foi contigo que salvei tantos neurónios / Vejo-nos felizes citadinos ou campónios / Não fiques muito triste por não gostar de matrimónios. / Tens o anel não precisas do papel / Fazemos nós a festa até te canto o Bo Te Mel / Desta vez eu tiro a carta nem que leve um ano ou dois / Por enquanto continuas conduzes pelos dois

Carlão, de uma forma discreta, agradece à mulher por ser quem é neste momento, referindo que ela o ajudou a exorcizar vários problemas que ele tinha, o que significa que estamos perante uma mulher bem paciente, porque não é qualquer uma que aceita conviver, e muito menos namorar, com alguém problemático e com diversos stresses. Atentemos que Carlão anteriormente se chamava "Pacman"  que como sabem era um bonequinho amarelo que tinha por objectivo apanhar frutas meias alucinógenas para comer outros mostrengos... Continuando.

 

Encontramos nesta estrofe também uma diferença de opiniões face ao casamento. Perante a expressão "não fiques muito triste por não gostar de matrimónios" ficamos a perceber que a mulher de Carlão sonha casar-se - como qualquer outra mulher, diga-se - mas que ele não tem essa intenção. No entanto e para suavizar as coisas, indica que apesar de não acreditar no casamento, que acredita no "amor e numa cabana", e como tal poderão viver em qualquer parte, que o que importa realmente é estarem juntos e até lhe oferece o anel e uma festa, como substituição do casamento. Ou seja, como bom pai que é, quando a sua filha lhe pedir a Barbie Mariposa, ele irá ao shopping mais próximo comprar-lhe a Nancy mais barata que encontrar, e esperará que a sua filha fique feliz e eternamente agradecida...

 

Uma vez  mais, decide amenizar a situação, elogiando-a, dizendo que ela pode continuar a conduzir, o que poderá significar que ela conduz bem. O elogio diminui a partir do momento em que Carlão refere que assim que ele tirar a carta ela deixará de conduzir. Acredito que isto vá trazer algumas confusões lá para casa... porque poderá parecer insultuoso.

Às vezes não é fácil / Mas bebé, nós damos a volta damos sempre a volta a tudo / Nós damos a volta

Tal como previa... Ela sentiu-se ofendida e chatearam-se, mas ele lá deve ter dito qualquer coisa bonita e lá fica tudo bem. Porque quando as pessoas se amam fica sempre tudo bem. Após repetição do refrão, termina a música.

 

Como poderemos concluir, um relacionamento bom não tem de ser sempre constituído por momentos bons. Um bom relacionamento é quando as pessoas sabem se relacionar de forma positiva nos problemas, é a forma como resolvem esses mesmos problemas. E por vezes nada disto está relacionado com o amor.

 

Por vezes as pessoas amam-se, mas não conseguem estar juntas, porque os seus feitios não são compatíveis, a um nível que torna a convivência entre o casal insuportável. Por vezes as pessoas atribuem estas situações à falta de amor, mas não tem de ser verdade. Por outro lado, existem casais que não se amam de uma forma absoluta, mas que gostam simplesmente de estar um com o outro, estas relações podem também resultar. O amor não tem forma, nem feitio, pelo que cada um o deve moldar à sua medida. Devemos moldar o amor, para que sejamos suficientemente felizes, uma boa parte do nosso tempo.

 

Sejam felizes...

 

See you*

 

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