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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Rubrica Semanal (1ª Edição) - Take me to church do Hozier

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E é com um prazer relativo que vos apresento uma rubrica, aparentemente semanal, que consistirá na interpretação de diversas músicas. Semanalmente a Mula escolherá uma música e irá, à sua, maneira apresentar uma explicação, óbvia ou não, seguida do seu comentário, porque como temos vindo a perceber, estamos perante uma mula muito opinativa.

 

A música escolhida para inaugurar esta rubrica é...

 

Take me to Church - Hozier

 

 

Antes de começar a explanar "Take me to Church" do cantor irlandês Hozier, gostaria de referir que existe alguma incoerência entre a letra e o videoclip, uma vez que ao longo da música o personagem refere-se ao seu amante como sendo uma ela e o videoclip apresenta-nos um casal gay que sofre represálias devido à sua sexualidade. A menos que a sua menina seja tão andrógina que pareça um homem, o que eu duvido, existe aqui um grande fosso entre a imagem apresentada pela letra e a imagem apresentada pelo vídeo.

 

Uma outra grande diferença entre a letra e o vídeo é no que respeita à dor: a violência exercida no vídeo pelos homófobos parecem causar bastante mossa no protagonista, e o protagonista da letra parece apreciar a violência e a dor com algum prazer. No entanto, existe um ponto coerente: uma espécie de amor proibido que pode causar algum sofrimento.

 

Foque-mo-nos então na letra.

 

"Take me to Church" fala de amor. Um amor um tanto ou quanto doentio, mas um amor verdadeiro pelo qual vale a pena morrer - ou ser todo retalhado, que é quase a mesma coisa. Basicamente fala sobre um casal praticante de sadomasoquismo, uma versão um pouco mais violenta de 50 Shades of Grey.

 

A música inicia-se com a descrição da amada do personagem:

My lover's got humour/ She's the giggle at a funeral / Knows everybody's disapproval / I should've worshipped her sooner

Como facilmente podemos concluir, o personagem principal desta música é completamente doido, e está apaixonado por uma doida com humor - diz ele - e que por isso se ri nos funerais. Como o próprio nos leva a crer, o facto de ela ser tresloucada fez com que ele tivesse alguma dificuldade em aceitá-la como ela é, mas que neste momento é uma pessoa que adora e admira, o que me leva a crer que ele teve alguma situação muito má na sua vida que o levasse a querer caminhar por caminhos diferentes. Ah não! Veremos mais à frente que ele sempre foi doido! -_-'

If the Heavens ever did speak / She is the last true mouthpiece / Every Sunday's getting more bleak / A fresh poison each week

Nesta segunda estrofe, poderemos verificar que são ambos consumidores de substâncias psicotrópicas que lhes pode, em algum momento, ter causado algum tipo de visão irreal. Daqui poderemos também aferir que poderá ser devido a essas substâncias que ela se ri nos funerais, porque pode eventualmente estar a ver alguma situação engraçada que os outros não conseguem ver, como ver o morto a rir-se, ou como ouvir alguma piada entre os presentes, ... Nunca se sabe!

We were born sick / you heard them say it

O protagonista diz que, quer ele, quer a sua amante já nasceram com qualquer tipo de problema, mas eu acredito que os pais sejam culpados por estes pensamentos obscuros de si mesmos. Quando somos crianças é muito habitual os pais dizerem "- Pára com isso, pareces um maluquinho" quando fazemos coisas que desagradam, ou "- Nunca fazes nada de jeito" quando fazemos alguma asneira e isto vai-se entranhando na nossa maneira de ser. Das duas uma, ou temos uma grande capacidade de resiliência e tornámo-nos pessoas fortes, ditas normais, com autoestima e coisas desse género em cima, ou então vamos interiorizando que nascemos com algum tipo de problema e depois arranjamos forma de suportar esses pensamentos. Normalmente essas pessoas passam a relacionar-se com pessoas igualmente esquisitas e acabam todos na droga! Por isso, se me estão a ler, pais deste país: digam aos vossos filhos o quanto os amam e o quanto eles são capazes para fazer coisas - mesmo que às vezes não seja bem verdade!

 

(E é nesta altura que percebo o quão comprida é a música... e o quanto ainda tenho para analisar....)

 

Continuando...

My church offers no absolutes / She tells me "worship in the bedroom" / The only heaven I'll be sent to / Is when I'm alone with you / I was born sick, but I love it / Command me to be well / Amen. Amen. Amen

Como ele estava um pouco deprimido por ser assim maluquinho e por nem a igreja a que ele pertence o querer ajudar, a sua doida decide confortá-lo no quarto, pois como se sabe, as mulheres têm imensos poderes de apaziguar espíritos alheios... no quarto (ou na sala em cima da mesa... ou no chão, realmente pode ser onde se quiser, mas esta menina preferiu no quarto!).

 

É aqui que o protagonista começa a confundir as coisas, e acha que apenas está a ter sexo maravilhoso (recordo que ele refere estar no paraíso) devido a ser assim como é, e até agradece a Deus ("Amen. Amen. Amen") por ter nascido assim.

Take me to church / I'll worship like a dog at the shrine of your lies / I'll tell you my sins / So you can sharpen your knife / Offer me that deathless death / Good God, let me give you my life / If I'm a pagan of the good times / My lover's the sunlight/ To keep the / Goddess on my side / She demands a sacrifice

Para estes dois começa assim uma vida sem limites razoáveis. Ele acha que pode fazer sexo em qualquer lugar, inclusive na igreja, e que ela pode fazer-lhe o que bem entender, como esfaqueá-lo, que ele será sempre submisso. Começa assim a linda história de amor deste casal com muita porrada à mistura, mas também com um amor e dedicação que nunca mais acaba.

To drain the whole sea get something shiny / Something meaty for the main course / That's a fine looking high horse / What you got in the stable?/ We've a lot of starving faithful / That looks tasty / That looks plenty / This is hungry work

Para além da prática de sadomasoquismo, o casal revela outro tipo de fantasias sexuais ao longo da música, como com animais de estábulo e afins, e o protagonista parece estar a adorar conhecer este novo mundo de drogas, sexo e algum rock&roll.

No masters or kings when the ritual begins / There is no sweeter innocence / Than our gentle sin / In the madness and soil of that sad earthly scene / Only then I am human, only then I am clean

Para rematar, o protagonista refere que ainda assim e apesar de toda a selvajaria, é uma pessoa com uma certa doçura e inocência e que todos os seus actos são assim esquisitos para se sentir vivo.

 

Eu para me sentir viva prefiro comer um chocolate, mas cada um é como é, e não temos que criticar os outros a troco de nada.

 

Em suma, são duas pessoas perturbadas que se amam e se juntam para fazer coisas maradas que a sociedade e a igreja desaprovam...

 

Hozier referiu numa entrevista que a música é uma metáfora que pretende comparar o amor e dedicação que as pessoas sentem pela igreja, chamando a atenção para o mal que a igreja pode criar nos seus crentes... Ele fala na igreja católica, mas com uma letra assim, só se pode estar a referir aos Kamikazes que eu já fui à missa católica e não fiquei com vontade de afiar facas em ninguém nem começar a ter sexo com cavalos... mas isto sou eu!

 

Espero que tenham gostado. Para a semana há mais. Prometo trazer algo mais doce e menos hardcore!

 

See you*

 

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