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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Percepção da Mula sobre os blogs com gente dentro

Cheguei à blogosfera com a inocência de uma menina de 10 anos e com a ambição de ter meia dúzia de leitores mensais. Quando atingi este valor diário, foi a loucura, e hoje com 217 subscritores, ainda acho que há algum engano. Sim, muita gente virá ao engano e fica cá por engano. Ainda assim, são muito bem vindos e fazem da Mula uma pseudobloger muito feliz.

 

Entretanto, e passados mais de oito meses deste blog, a inocência terminou. Descobri que os blogs não são, afinal, diários online, porque as minhas folhas perfumadas cor-de-rosa nunca falaram comigo, e descobri também que há gente igual aos meninos que me atormentavam na primária. Meninos e meninas que empurram, que gozam e que apontam o dedo e vão fazer queixinhas à professora. Ah... Esperem, esta das queixinhas era eu! Dammit! 

 

A experiência e a atenção na blogosfera, permitem-me concluir que os blogs e a política diferem em muito pouco, e que tal como na política é mais fácil atacar o outro do que se defender a si. É mais fácil dizer o que o outro faz de mal, do que o próprio dizer o que faz bem. Isto para mim não é ser opinativo, isto para mim é o oposto de saber opinar. Acho que por esta razão existem tantos hate-blogs, que na minha humilde opinião, seriam os únicos que mereciam ser dizimados.

 

Percebo neste mundo blogosférico várias afiliações, quase políticas, que resultam em várias formas de escrever, mas acima de tudo, em várias formas de se relacionarem com os seus seguidores, ou então, e de acordo com a minha lógica, com os seguidores dos outros.

 

A meu ver, e antes de começar a apresentar casos mais concretos, há formas diferentes de blogar, não melhores, não piores, mas diferentes, e não acho que as pessoas devam modificar a sua forma de escrever ou a sua forma de se relacionarem com os seus leitores, porque A disse isto, ou porque B acha que deve ser diferente. Já dizia Alberto Caeiro:

Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.

 

Eu, tal como Caeiro, também escuto todos os pontos de vista sem os ouvir, os percebo sem os compreender realmente, porque são apenas diferentes pontos de vista, mas que no fundo é tudo mais ou menos a mesma coisa, porque o que importa aqui é definir os nossos propósitos, o que é realmente importante para nós, e o que queremos realmente ser e fazer, sem olhar o vizinho.

 

A minha constante observação, tem verificado que essas diferenças incomodam, que tal como na política, os de direita atacam e ofendem os de esquerda a título gratuito, e vice versa.

 

Mas então agora pergunto-vos, caso me saibam responder: Há maneiras certas e erradas de conduzir um blog? Há regras concretas, para além das do bom senso, para escrever um blog?

 

Tal como na música, no cinema e na literatura, considero que há espaço para todos nesta vida, nesta comunidade. E não me refiro aos que escrevem sobre música, aos que escrevem sobre literatura, e aos que escrevem para conseguir patrocínios. Porque isso... são tipos de blogs e não de blogers. Refiro-me aos que só dizem mal, refiro-me aos que atacam o tipo de relacionamento que cada bloger mantém com os seus seguidores, refiro-me até àqueles que não mantêm sequer contacto com os seus seguidores.

 

Sei que há quem critique o facto de os blogers não responderem aos comentários, porque... Sei lá porquê! Mas sei que há muitos blogers que optam por simplesmente não responder, e que essa atitude é vista como uma falta de respeito para com os seus seguidores, mas... lá terão os seus motivos, suponho. Não julgo quem o faz, mas compreendo, só não me identifico. 

 

Sei que há quem critique as longas conversas que se realizam por meios de comentários que origina uma lista infindável de comentários dos mesmos utilizadores que por sua vez transporta - quase sempre os mesmos, eu incluída - para a lista dos blogs mais comentados das últimas 24h, e porque, tal como indiquei, não compreendo quem opta por ignorar os comentários, eu não o consigo fazer, por isso, respondo a todos os comentários com todo o gosto, não para aparecer destacada, não para escancarar na cara das pessoas que sou desocupada, mas porque sou simplesmente assim. Aceito quem não o quer fazer por esta ou aquela razão. Aceito e não julgo.

 

Há ainda um intermédio, aqueles que acham que só alguns comentários, os que carecem de resposta, devem obter feedback, existindo assim segregação de subscritores e de comentários e originar que outras pessoas -  que comentaram com smiles, ou que não acrescentaram nada de útil à publicação - se sintam desvalorizadas, ainda que na realidade possa não existir muito que se possa dizer. Há até quem opte por não responder a pessoas que possuam uma opinião contrária para evitar o confronto, e aí não há hipóteses, são acusados de miaúfa, de cobardia, ou simplesmente de estupidez. Uma vez mais aceito, compreendo, só não me identifico.

 

Em suma, já se sabe, quem possua seguidores mais comunicativos, vai ter um maior número de comentários por post, face aos que têm seguidores mais calados. Mas, um seguidor calado não é melhor ou pior que um seguidor mais participativo, nem predita se a publicação teve mais ou menos qualidade - até porque nesta coisa dos blogs pessoais, a qualidade é muito relativa. Nem responder a todos os comentários é melhor ou pior do que não responder a nenhum, ou só a alguns. São apenas maneiras diferentes de fazer a mesma coisa: dar continuidade a um blog, e ser leitor de um blog.

 

Há diferentes leitores, diferentes comentadores, diferentes escritores, e sabem porquê? Porque existem pessoas diferentes!

 

Cada pessoa tem uma personalidade diferente, não melhor, não pior, mas diferente. Eu por exemplo, sou bastante participativa nuns blogs, e pouco participativa noutros, sou uma espécie de pseudobloger bipolar. E não quer dizer que uns escrevam melhor que outros, ou que escrevam coisas mais interessantes que outras. Apenas posso não ter nada a acrescentar, pode não me apetecer dizer nada... É raro, mas às vezes não me apetece falar, ou escrever, ou pronunciar-me acerca de coisas. A verdade é que leio muito mais do que comento.

 

Estou a cansar-vos com isto do melhor ou pior, não estou? Sinto que estou... bem... adiante!

 

Se acho que deveria existir um outro algoritmo que transportasse os blogs para os blogs quentes? Se calhar até acho.

 

Acho que o algoritmo das publicações mais comentadas deveria de ter como base o número de pessoas diferentes a comentar e não o número total de comentários. Mas isso também não iria originar que fossem sempre os mesmos a constar da lista? Claro que iria, e aí iria virar-se a grelha da sardinha e o problema já não seriam as conversas que se têm e não se deveriam ter em modo de comentário - como dirão alguns. Aí, uma vez mais iria atribuir-se a culpa ao Sapo, que tem as costas largas, "porque o Sapo destaca sempre os mesmos", o que transportaria sempre os mesmos para os blogs mais comentados, como já acontece.

 

Não há blogs perfeitos, não há blogers perfeitos, e não há algoritmos perfeitos. Não quero, espero que entendam, colocar o dedo na ferida, nem acusar A, B ou C, nada disso até porque também teria que me auto acusar, que por vezes também vejo coisas que considero injustas e me corrói a alma, mas uma vez mais parafraseando Caeiro, se as coisas fossem como eu quero, seriam apenas como eu quero, não seriam melhores, não seriam piores - bem piores se calhar até seriam... - seriam diferentes.

 

E porque este é um blog de desabafos, este foi só mais um...

Entretanto deixo-vos com o poema referido do Alberto Caeiro, com um pedido: Pensem nisto.

 

 

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.

Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

 

Alberto Caeiro (1925) in Poemas Inconjuntos

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