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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

O marketing do bom...

... faz um produto do tempo da Maria Cachucha parecer novidade, deixando as pessoas loucas.

 

(imagem retirada daqui)

 

 

Desde sempre ouvi falar em champôs secos. Aliás a minha mãe usou champô seco após parir esta belíssima pérola - há 30 anos -, porque diziam os antigos devido a cenas estranhas e alienígenas: mulher que acabou de colocar um ser no mundo não pode lavar a cabeça, porque pode dar não sei o quê à mulher - devem ser tipo aquelas correntes que inicialmente circulavam no e-mail, e depois passaram para o telemóvel e agora devem circular algures pelo facebook que dão não sei quantos anos de azar se não colocarmos a mensagem a circular - e como tal a mãe usava essa maravilha da higiene-estética que como sabem estou completamente rendida ao seu uso, não apenas para intercalar lavagens mas também para o usar como texturizante - quando faço caracóis, para durarem mais tempo.

 

Assim, cresci a ouvir falar de champôs secos.

 

Comprava pela Maquillalia uns baratinhos da Batiste, muito jeitosos, muito cheirosos e que chegavam cá num instantinho. No entanto num passeio pela Primark verifico que já está finalmente à venda em Portugal e super barato - ainda mais que na Maquillalia - e logo ali, à mão de semear sem portes sem nada. Não comprei porque não precisava, ainda tinha em casa. 

 

De repente, o meu instagram, o meu facebook e afins começam a ser inundados de pessoas com fotografias com os champôs da Batiste. Não sei o que aconteceu, mas passamos de uma marca que não era muito conhecida em Portugal para uma marca super famosa, muito badalada nas redes sociais, que toda a gente precisava, que toda a gente queria ter.

 

Eis que vou à Primark reabastecer-me e eis que não há o bicho em lado algum, vou perguntar a uma funcionária e constato que está esgotado. Latas e latas e latas e latas de uma coisa que já existe há não sei quanto tempo, vendidas assim do dia prá noite como se tivesse acabado de ser lançado, como se fosse a inovação das inovações, o supra-sumo da década. Se é verdade que a marca acabou de chegar a Portugal? Sim é, mas antes disso já existiam um montão de marcas e nunca se ouviu falar neste boom, nesta loucura potenciadora de preguiças matinais. É a mesma coisa que agora chegar uma marca qualquer nova a Portugal de batons e de repente toda a gente ir a correr comprar esses batons como se nunca tivessem existido outras marcas a vender esses produtos em Portugal. A mim não me faz sentido!

 

Isto leva-me a refletir sobre o poder do marketing, sobre o poder das redes sociais, sobre o poder de uma embalagem bonita e uma mensagem jovem, e pois claro, o poder de um produto bom e barato. A verdade, é que neste momento uma marca que não tenha presença assídua nas redes sociais, por muito boa que seja não existe. Não comunica com os fãs perde os fãs. Hoje em dia o que as pessoas - essencialmente as mais jovens - valorizam é a diversão que um produto lhes possa causar, e não tanto a qualidade deste, o que me leva às seguintes questões:

 

A imagem vale mais do que mil e um atributos?

 

Somos nós manipulados e levados a comprar o que não precisamos apenas porque existe nas redes sociais de modo mais ativo?

 

 

Deixo-vos para reflexão.

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