Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Nossa! Como é difícil tirar o Cartão de Cidadão em Portugal!

 

 

FAQ

O Cartão de Cidadão é obrigatório?

É!

 

Podemos viajar para o estrangeiro sem ele?

Nem devemos ir à mercearia sem ele, quanto mais ao estrangeiro...

 

Então é um cartão fácil de tirar, certo?

Errado!

 

Tudo o que parecia ser simples - dentro do suplício, claro! - foi complicado. E tive de me deslocar duas vezes a lojas de cidadão diferentes - isto é só a Mula a tentar disparar para todos os lados... - e mesmo assim a situação não está pacífica.

 

Mas e então Mula ainda não renovaste o cartão de cidadão? Obviamente que não, porque pelos vistos em Portugal é preciso tirar um dia de férias para se renovar o dito, graças aos prioritários desde mundo. Se sou a favor que deva existir um atendimento prioritário? Claro que sou. Mas um atendimento prioritário não deve tornar-se num atendimento exclusivamente prioritário.... Não estão a entender nada? A Mula explica!

 

Dia 1

A Mula que odeia acordar cedo  - entre isso e dar com o dedo mindinho na esquina do móvel, venha o dedo mindinho na esquina do móvel, com força! - aproveitou que dormiu bem e bastante no fim-de-semana para se pôr a pé bem cedo, e antes da loja do cidadão pequenina aqui da terrinha abrir, a Mula já lá estava, apesar de tudo feliz e sorridente. Tinha precisamente 1h30 para resolver a situação. Saiu-me na rifa o número 16 - que na realidade não quer dizer nada - e fiquei confiante que a coisa se ia dar sem grandes problemas. Até estava motivada a chegar um poucochinho atrasada ao trabalho caso fosse necessário, só para resolver a situação. Ao fim de 30 minutos 6 pessoas foram atendidas. Fantástico, uma cadência de 1 pessoa a cada 5 minutos, fiz as minhas contas pelos dedos e a coisa ia ficar despachada cedo. Mas como eu sou muito má a matemática e nem pelos dedos sei contar direito, fiz muito mal os cálculos e 40 minutos depois apenas os mesmos 6 transeuntes foram atendidos. A Mula que estava de traseiro alapado cá fora ao sol, levantou-se já meia enraivecida e decidiu apurar o sucedido. Eis que encontro o verdadeiro pandemónio lá dentro. Gente aos berros - e com razão! -, parafraseando os Deolinda "a senhora do guiché [a responder] com certo enfado" que nada tem a ver com aquilo e eis que percebo que desde as 9h30 até às 10h10, a senhora só atendeu prioritários, e como estava sozinha, nenhuma senha mais foi chamada. O argumento dos utentes era válido: "se continuarem a entrar prioritários, vai passar o dia e as pessoas que se levantaram às 7h da manhã [como a Mula!] vão continuar à espera!" A funcionária limitou-se a encolher os ombros e a Mula limitou-se a ir embora, porque era impossível nos 15 minutos que lhe restavam de 10 números serem atendidos. Pensei "Amanhã é um novo dia! Vamos acreditar que terei mais sorte!"

 

Dia 2

Mula acorda novamente às 7h da manhã, depois de voltar a dormir - tal como no dia anterior - 4 horas... Podem antever que Mula não acorda bem disposta. Nem feliz. Nem sorridente. Nem otimista. Mula acorda com a sensação que deveria de desistir da ideia de tirar o cartão de cidadão e aceitar que será dentro de pouco tempo uma portuguesa de gema clandestina, e resignar-se! Mas não. Mula respira fundo, grita para si que hoje vai ser um dia diferente - talvez ter acreditado pudesse ter dado jeito... - até porque desta vez tinha o dobro do tempo para resolver a situação e lá vai, mas desta vez a uma loja de cidadão maior, com - eventualmente - mais funcionários e pois claro está também com - obviamente - mais pessoas. Uma vez mais chega lá antes daquilo abrir e desta vez o número que sai na rifa é nada mais nada menos que... o 41! Isto, ao fim de uma semana posso jogar nos números do euromilhões, só me falta que me ditem as estrelas. "Pronto, sou o 41, mas aqui também é maior, terá certamente mais gente a atender!" Pobre Mula... Pobre Mula inocente. Uma vez mais uma única pessoa a atender. Ainda assim, às 9h25, 7 pessoas já tinham sido atendidas. Fiz as minhas contas, uma vez mais pelos dedos a ver se me safava e tive uma esperança ínfima disso poder vir a acontecer. Como as lojas de cidadão têm um sistema de senhas inteligente que alertam por sms quando está a chegar nossa vez, aproveitei fui tomar o pequeno almoço, passear pelo shopping, e quando às 11h fui verificar que só ainda ia no número 12, fiquei sem saber o que pensar. Fui lá uma vez mais perceber o que se passava, e uma vez mais uma fila interminável de prioritários se acumulava junto ao balcão. Porque as contas não se pagam sozinhas, tive que optar entre ter dinheiro na conta e ir trabalhar ou ser uma pessoa com uma nova foto de presidiária no bolso.

 

Resignei-me... Vou mesmo tornar-me clandestina. Nada feito. 

 

Conclusão altamente pertinente deste estudo de mercado:

A população da minha terrinha está envelhecida, os prioritários eram todos idosos. A população da cidade grande do outro lado do rio está a crescer e é só mães carregadas de putos.

 

E para quando um atendimento prioritário a quem tem contas para pagar e tem de ir trabalhar e não pode desperdiçar dias de férias a tratar de burocracias obrigatórias que poderiam e deveriam ser simplificadas?

 

Ah ó Mula, mas tu agora podes marcar... Posso! Bem sei que posso. Estão a aceitar marcações para daqui a mês... mês e meio. E e eu preciso do meu cartão de cidadão para viajar em Maio!

 

Também deixas tudo para a última da hora! Não é mentira, não senhora mas... Nunca pensei que andassem a oferecer caramelos a quem tirasse o cartão de cidadão nesta altura, e só isso pode justificar isto que está a acontecer!

 

Realmente... Continuem a preocupar-se se o cartão é de cidadão ou de cidadã... Realmente criar apenas condições para que as pessoas possam aceder a um, seja de que sexo for, não é relevante!

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.