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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

No dia em que fui ao ginásio e quase morri #take 2 - Cycling

Depois de quase ter morrido após - e durante! - a aula de TRX, a Mula achando-se jovem Mula com energia foi ao cycling. Já não fazia cycling há uns 5 anos, mas como ando numa de aulas decidi, na quinta-feira, que não era tarde nem era cedo, e 'bora lá pedalar por horas 45 minutos.

 

Cheguei lá e adorei logo a sala. De luzes quase apagadas - ao menos não se vê a falta de jeito nem o sofrimento alheio - era uma sala fresca e até tinha uma televisão para imaginarmos um determinado cenário. Pareceu-me muito bem, pareceu-me bastante agradável.

 

O pesadelo não demorou a surgir, quando percebei que as bicicletas eram todas XPTO e tinham manhas e manias para serem ajustadas, mas nada que um pedido de ajuda não resolvesse. Ajustei a bicicleta, sentei-me, pedalei por alguns minutos antes da aula começar e pareceu-me bem.

 

Eis que a aula começa.

 

Assim que o professor pede para simularmos a subida de uma montanha, onde para tal precisávamos de pedalar em pé, percebi que o guiador não estava numa posição adequada. Conclusão: Estive a aula toda a bater com os joelhos no dito! Podia ter parado e ajustado o bicho? Se calhar podia, mas tendo em conta que a bicicleta era cheia de manias não me pareceu por bem interromper a aula para o fazer. Prossigamos que a Mula é mais forte que um guiador e não foi isso que me impediu de fazer a aula até ao fim.

 

A aula é intensa, ouvi música muito boa mas levada à loucura. Ouvi um remix estranho de Kind of Magic dos Queen durante uns eternos longos 10 minutos enquanto víamos um comboio a atravessar uma montanha! Insano! Mas para que serve uma televisão numa aula de cycling? Mas quem é que olha para uma televisão em vez de se centrar no seu sofrimento? Bem... A Mula, pelos vistos...

 

A aula começa a aproximar-se do fim e a Mula está simplesmente de rastos. Já não sabe se lhe dói as pernas de pedalar em pé, ou o rabo de pedalar sentada, só sabe que toda ela é suor, cansaço e dor. Eis que olha para o relógio e descobre que a aula não está a aproximar-se do fim. A  Mula descobre desesperada que a aula vai apenas a meio, que se passaram apenas 20 minutos e que ainda há pelo menos mais uns 25 minutos pela frente. Idealiza uma tentativa de fuga, quiçá naquele escurinho ninguém reparasse que se escapulia da aula, mas depois percebe que talvez atirar-se abaixo da bicicleta que seria mais eficaz e que talvez não manchasse tanto a imagem dentro do ginásio. Percebe que a única solução é continuar a pedalar freneticamente como se viesse um lobo mau a correr atrás!

 

E pedalei, pedalei, pedalei, e subi e desci, e apertei a rodinha e soltei a rodinha, e suei, suei, suei. Quando os pulmões quase entraram em falência a aula terminou. Saí da bicicleta e tentei avaliar quem estaria em pior estado: Os pulmões ou as pernas que pareciam gelatina?

 

Saí da sala com as pernas bambas, o cabelo todo no ar, a roupa toda colada ao corpo - qual miss t'shirt molhada, mas eu mau - e tentei ir juntinho às paredes para não cair. E assim cheguei aos balneários com cara de quem tinha sido atropelada - acho até que por segundos o comboio saiu da TV e atropelou efetivamente a Mula.

 

Fiquei feliz quando no dia seguinte percebi que as dores nas pernas já não existiam. Não fiquei tão feliz assim quando percebi que as dores estavam agora todas concentradas no rabo.

 

Apesar de tudo adorei. Quase morri, mas saí de lá feliz, com o sentimento de dever cumprido. Sou doida o suficiente para na quinta-feira estar lá novamente.

 

Wish me luck!

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