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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Não entendo...

Sei que há pessoas da área farmacêutica que me lêem, talvez haja alguém desse lado que me possa esclarecer.

 

Tenho rinite crónica perene desde miúda, mas desde há cerca de 8 anos que piorou significativamente, e desde então que uso inaladores com cortisona para que possa fazer algo relativamente desnecessário à vida humana, mas que o faço com gosto: Respirar, basicamente é para me dar ao luxo de respirar. [Conto em Novembro largar isto se me for possível, mas até lá, tenho de me aguentar.] 

 

Até aqui tudo bem. Tudo mal, na realidade, mas pouco relevante para a história. 

 

Durante vários anos comprei os inaladores na mesma farmácia. Sem problemas. Pedia, aviavam-me, eu pagava, saía, era uma moça feliz. Fanhosa mas feliz. 

 

Eis que um dia tento comprar o dito num local diferente e me pedem receita médica, porque de acordo com a menina da farmácia "só se vende com receita médica!". Como assim só se vende com receita médica se eu nunca precisei de receita e há anos que o utilizo? Estive para aí uns 10 minutos à discussão com a moça e obviamente perdi a guerra, e ainda saí de lá com um qualquer produto natural que era caro e não me fez rigorosamente nada. Resignei-me. Pois que pensei que tivesse sido alguma alteração. Estas coisas estão sempre a mudar, certo? O que hoje é bom, amanhã é mau, o que hoje se vende, amanhã já é prejudicial e passa a ser proibido... Coisas desse género. 

 

Eis que descubro a pólvora... 

 

Na realidade o "só se vende com receita médica!" é algo que depende do local - talvez da vontade de vender, ou não - e há locais que vendem sem receita e me fazem feliz - gente, eu não tenho vida para andar sempre no médico a pedir receitas! - e que nem questiona se tenho receita ou não e  depois há outros locais com gente má que esperam que eu sucumba aos céus vedando-me o acesso à minha droga - que não me causa qualquer efeito alucinógeno, nem me permite fazer uma viagem até qualquer lado fascinante mas inexistente, com muita pena minha. Agora tenho é uma espécie de lista mental de onde posso e não posso ir - basicamente é ir às de rua e fugir das dos centros comerciais. 

 

O local que me vende o dito, passa factura - com contribuinte e tudo, que eu fujo dos médicos mas não fujo às finanças -  e não apresento qualquer espécie de receita ou justificação, pelo que ilegal também não me parece que seja. 

 

Mas... Em que é que ficamos? Que lógica é esta afinal? É que a minha mãe tem o mesmo problema com uma pomada, também ela com cortisona.

 

#deixemacortisonaempaz #emportugalcadaumfazoquequer #eugostoédasfarmáciasderua #vendamoinaladoràmulasemperguntassenãoamulamorre

3 comentários

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    Mula 19.07.2017

    Sim eu sei que sim, e aos poucos o meu olfato ressente-se... O problema é que a minha anterior médica nunca me encaminhou, e entretanto agora que mudei de médica fui encaminhada e estou quase à um ano à espera da consulta na especialidade. Eu previ daquilo para dormir, é que durante o dia eu consigo respirar mas à noite não dá mesmo... 


    Antibióticos nunca consegui sem receita e olha que já quase chorei a implorar por um para não faltar ao trabalho e ter de ir ao médico pedir... Na realidade os médicos de família não fazem grandes despistes e receitam qualquer coisa - pêlo menos é esta a minha experiência - por isso este papel os farmacêuticos também podem fazer. Mas certo, compreendo o que dizes, mas neste caso a bula diz que pode ser tomada continuadamente sem limite de tempo... - no máximo perde a eficácia, que é o que começa a acontecer - por isso não entendo a colocação de tantos entraves.... Já o vibrocil, sem cortisona, é vendido até nas para farmácias, só podes usar o máximo 10 dias - diz a bula - e eu já usei mais de 3 meses seguidos e ninguém me controlava porque não é possível controlar, por isso não entendo como bloqueiam a venda de algo que pode ser usado continuadamente e não bloqueiam algo que tem uma utilização tão curta.... 
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    Triptofano! 19.07.2017

    Mula tens muita razão no que dizes e um dos grandes problemas que apontas é a incapacidade do sistema nacional de saúde fazer com que todos os que precisam de uma consulta de especialidade a tenham em tempo útil!
    Um ano à espera  é demasiado tempo, mas ainda me revolta mais o facto da tua anterior médica nunca te ter direccionado para a especialidade quando tens um problema crónico que deveria ser visto por alguém da área.


    Os médicos de família seguem guide lines sobre o que podem e devem prescrever em certas situações. É verdade que provavelmente o farmacêutico conseguiria fazer a mesma coisa, mas não é assim que o sistema se encontra de momento. Para mim fazia mais sentido o médico fazer o diagnóstico e o farmacêutico, verdadeiro especialista do medicamento, fazer a prescrição do produto mais adequado, mas ainda estamos a anos luz de isso acontecer. E o farmacêutico tem de se proteger. Se vender alguma coisa sujeita a receita médica e houver um problema e o consumidor fizer queixa de quem é a culpa? Do farmacêutico que vendeu de forma não legal um produto controlado.


    Percebo a situação que referes do vibrocil, e realmente teres usado tanto tempo não foi muito benéfico devido ao efeito rebound que o medicamento provoca. Porém quando ao pulmicort tinha a ideia (talvez errada) que na bula refere que deveria ser feito durante três meses, mas talvez não seja explícito o quanto tempo pode ser usado. Mas como te disse o problema da cortisona em uso prolongado não é só a perda de eficácia mas a fragilização das veias do teu nariz - podes começar a ter hemorragias sem mais nem menos, sensação de queimadura e no pior dos casos uma infecção bacteriana. O mesmo acontece com as pomadas de cortisona - são umas grandes fake friends. Ao início curam tudo mas com o uso prolongado a pele fica cada vez mais fina e sensível podendo aparecer manchas e mesmo queimaduras.


    Mas só para acabar, e para veres como isto dos medicamentos é um mundo que não dá para perceber, a exigência de receita médica muitas vezes está associada ao facto do medicamento ser comparticipado pelo estado. Se não houver exigência de receita nunca poderá ser comparticipado. Só que depois tens aqueles casos do brufen 600 que precisa de receita mas o de 400 já não! E perceber isto?


    Conselho final, encontro um farmacêutico com que tenhas empatia e elege-o como o teu farmacêutico. Vais ver que vais ter muitos menos problemas com medicamentos daqui para a frente :)
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