Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Legado covid-19?

Vamos mudar alguns comportamentos no futuro, sim?

 

"Até um relógio parado está certo duas vezes ao dia!"

 

 

Dizem que devemos retirar pontos positivos até das piores experiências e sou da opinião que efetivamente tudo nos permite ensinamentos e já que teremos que conviver com isto do covid-19 durante mais tempo do que o previsto, é importante retirar-mos alguns pontos positivos do dito. Algumas aprendizagens, que espero, sinceramente que permaneçam mais tempo que a pandemia e que não se esfumem com ela.

 

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa social mas não extremamente social. Odeio chegar a uma casa, a uma festa, a um espaço cheio de gente e ter de cumprimentar pessoa por pessoa. Tendo a chegar a um sítio, levantar a mão e dizer "Olá a todos!" et voilà, sintam-se todos cumprimentados, porque uma coisa é ir a casa de uma amiga e cumprimentar a amiga, outra coisa é chegar a casa da amiga, ela ter a casa cheia e eu ter de ir dar 2 - DOIS! - beijos a cada pessoa e tantas vezes a pessoas que nem conhecemos, mas que a boa educação diz que não podemos ignorar. Quando vamos embora, novamente o mesmo processo... É demasiado beijo desperdiçado neste mundo. É demasiada troca de carinho trocado com desconhecidos, neste mundo. Isso não me agrada.

 

Claro que me faz confusão não poder esborrachar tantas pessoas e não puder visitar as pessoas de forma mais livre e circular por este mundo fora de forma livre mas... Se me podem fazer falta alguns beijos e abraços, a verdade é que não me fazem falta todos os beijos e abraços de que fomos privados desde a pandemia e por isso não tenho vergonha em admitir que o distanciamento social me torna mais confortável socialmente. Já não passo por mal-educada, por anti-social, neste momento sou apenas precavida e responsável.

 

Não sei quanto a vocês, mas, e pegando noutro exemplo, eu odiava ir à missa apenas por uma única razão: Por aquela parte em que tinha estranhos a quererem dar-me beijos - tantas vezes babados! - porque alguém um dia disse que era giro na missa porem estranhos a cumprimentarem-se. Desculpem, não concordo! Se eu já não gosto de falar com estranhos, imaginem beijar estranhos. E já nem vamos falar de meter a bota na cruz, na Páscoa! E não é pelo Covid! Já por diversas vezes o beijar da cruz foi desaconselhado e não percebo a necessidade de se continuar a perpetuar este tipo de comportamentos. Por isso sim, gostava que este tipo de questões sociais e religiosas fossem alteradas. É preciso alternativas? Tudo bem! Para a cruz? Que leve cada uma a sua ao peito e que beije cada uma a sua! Para a missa? Acho que os estranhos sobrevivem bem sem os beijos uns dos outros, já que dentro da igreja são todos irmãos mas cá fora estão a meter o pé à frente para o outro tropeçar. Não é este tipo de comportamentos que nos faz ter mais ou menos fé, que nos faz ser melhor ou piores pessoas, mas que nos pode fazer ser mais ou menos saudáveis.

 

Sei que vai da nossa cultura, que somos latinos e tudo mais mas... A nossa bolha é importante e devemos de poder decidir, sem sermos considerados mal-educação, quem perfura ou não a nossa bolha. Por isso sim, espero que isto do covid-19 desapareça rapidamente mas que com ele não se esfume de todo o distanciamento social.

4 comentários

  • Imagem de perfil

    Mula 21.10.2020

    "Acho um despropósito beijar gente a quem somos perfeitamente indiferentes"
    É que é exatamente isso. Essas pessoas passam bem sem os nossos germes e nós sem os delas!

    "Eu que detesto cabeleireiras e só as visito em último recurso"
    Somos duas, Bea! Desde há muitos anos que sou eu que pinto, e desde a pandemia que até sou eu que corto. E só vou a cabeleireira quando tem mesmo de ser, fazer alguma coisa que eu efetivamente não saiba fazer e seja necessário (como o alisamento que faço todos os anos...). Mas tudo no cabeleireiro me desconcerta... Dos lavatórios que magoam o pescoço, à bisbilhotice que ali se propaga...

    Mas voltando ao tema, claro que há situações que me custam... Tive família que não vive em Portugal cá de passagem e nada de beijos e abraços, e isso custa, mas é uma adaptação.. E eu pessoa irresponsável me confesso: Há pessoas que eu continuo a beijar e a esborrachar e... que seja o que o covid quiser!
  • Sem imagem de perfil

    Bea 21.10.2020

    alguns dos meus amigos nem sequer me visitam; outros desinfectam-me os pés à entrada e nada de beijos; outros abraçam e e beijam-me, facto que lhes agradeço dado que tão pouco nos vemos. Mas os meus filhos não me beijam, sou eu quem se distrai e o faz e depois já está.
    A cabeleireira onde vou cortar não autoriza bisbilhotices e as garotas andam na linha; ela dá o exemplo. E, apesar da minha parca experiência, não conheço outra assim.
    Boa noite.
  • Imagem de perfil

    Mula 22.10.2020

    Passei os primeiros meses da quarentena também sem abraçar ou beijar a minha mãe, depois concluímos que não valia a pena tanto zelo, vivemos juntas...partilhamos tantas vezes loiça... Se uma apanhar a outra apanha também, ou se não apanhar, não será por mais ou menos beijos/abraços... É viver - com os devidos cuidados, claro! - o que nos estiver destinado está...
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.