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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Fátima

Não sou a pessoa mais religiosa que vocês possam conhecer. Tenho Deus no meu coração, tenho as minhas crenças e fé mas olho a religião com algum cuidado e descrença porque há determinadas situações que não me entram. Porque se Deus nos ama a todos de modo incondicional não pode haver exceções, não pode haver descriminação, preconceitos e outros que tais. A igreja deveria de ser inclusiva, compreensiva e empática, e apesar de achar que estamos mais próximo disso do que nunca, ainda temos um longo caminho a percorrer.

 

Fui a Fátima este fim-de-semana, e se há sítio onde me sinto em paz é em Fátima, ou em qualquer outra igreja, essencialmente sem missa, vazia. Eu, Deus e os meus pensamentos para lavar a lama da alma. Ali sinto-me pequenina, e quanto mais pequenina me sinto mais as minhas dores diminuem, mais os meus problemas se tornam pequenos. É bom diminuir os problemas, ainda que por momentos, é bom podermos ter, ainda que por momentos, a cabeça fria, ouvirmo-nos, sentirmo-nos já que a correria do dia-a-dia tantas vezes não nos permite.

 

Prefiro assim, as igrejas vazias, não gosto de ir à missa, onde tantas vezes acho que é falado o que não é sentido.

 

Gosto assim, eu em paz com a minha fé.

2 comentários

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    Mula 08.06.2021

    Não sei explicar pelos outros, sei explicar por mim. Acho que é, no fundo, importante para a minha saúde mental, acreditar em algo, acreditar que não estamos sós apesar de poder parecer isso mesmo.

    "A pessoa toma um comprimido de farinha, mas se o médico lhe disser que lhe vai fazer bem, a pessoa acha que está mesmo bem!"
    Chamam-se doenças psicossomáticas e está provado que os estados de alma podem mesmo criar problemas físicos, que não sendo bem físicos, tornam-se efetivamente físicos.

    "Eu quando preciso de algo não preciso rastejar para a minha mãe me atender! Converso simplesmente com ela e ela ouve-me!"
    Aqui, confesso que estamos de acordo. Aliás, vi uma família com 3 crianças pequenas a fazer o caminho de joelhos e a minha mãe não pode deixar de comentar "Nossa senhora não quer isto, as crianças não nasceram para sofrer", mas às vezes o desespero é tanto... E para momentos desesperados, acções desesperadas, também sou da opinião de que antes a mais que a menos.

    Sentir-me bem em Fátima não siginifica que acredite na lenda, nas histórias e em tudo ao resto. Mas Fátima é mais do que a histórias das apararições. Fátima atrai muito sofrimento e por isso faz-me sentir pequenina e faz os meus problemas serem pequenos. Sinto-me bem em Fátima, como em qualquer igreja, só que gosto delas vazias, para estar efetivamente em paz, tranquila, sossegada.

    Obrigada pela partilha, irei ler sobre isso, que eu acima de tudo gosto de ler.
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