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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Eu não adotei o nome dele

Causou estranheza a muita gente, inclusive à senhora do registo civil, estranhamente, eu não ter adotado o apelido dele. Não, eu não tenho um nome de solteira e agora um nome de casada. Não, eu não fiquei com o nome dele. Não. Não me faz sentido. Eu continuo a ser eu, eu não sou eu, mais um nome. Sou eu. Ponto.

 

Nunca tinha parado para pensar muito nisso até à altura de termos de decidir. Coloquei-me por breves instantes na outra situação, na situação de quem tem um nome novo, de quem tem de criar uma nova assinatura, e até quase uma nova identidade. Não. Não é para mim. Acho que se mudasse de nome iria sentir a minha identidade ameaçada. Bem sei, é só um apelido. Mas o que somos nós para os outros? Somos primeiro e inequivocamente um nome, só depois uma cara, e só depois, então, uma personalidade.

 

Ainda assim, após já ter explicado algumas vezes o que me levou a manter-me Mula Maria Santos e não mudar para Mula Maria Santos e Sousa, ainda temos amigos que brincam com isso "ah não quiseste o nome dele, porque não gostas do nome dele?". Não, a sério que não tem nada a ver com isso, ainda que ele possa não ter o nome mais charmoso do mundo. Para mim o ato de mudar o nome, quando é apenas a mulher que o faz, é um ato de machismo e de submissão, e é só um ato estranho quando mudam os dois, ele para o nome dela, ela para o nome dele, porque se já me custa imenso ter de escrever quatro nomes quando tenho de ir tratar de algum assunto, quanto mais seis, como vi em tempos.

 

É só um nome. Ter ou não ter o apelido dele não vai mudar em nada os meus sentimentos por ele. Não vai mudar em nada a minha dedicação por ele. Não vai mudar em nada o sentimento que eu tenho de pertença a esta nova família. Ele é a minha família, com ou sem apelido.

 

Durante muito tempo pensei que esta moda era algo antiga, para que os homens forçassem as suas vontades sobre as mulheres, para que as mulheres passassem a ser propriedade do homem, mas depois olho para as minhas avós e nenhuma delas tinha o nome do marido e fico realmente a pensar que não é uma moda tão antiga assim, ou então que é uma moda de famílias de classes superiores.

 

Não sei, não critico nem condeno quem o faz, no fundo é só mais uma formalidade, apenas a mim não me faz qualquer sentido. Eu nasci Mula Maria Santos e vou morrer Mula Maria Santos!

3 comentários

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    Mula 05.01.2017

    Pois.... acho que hoje em dia são poucos os casamentos para a vida inteira... Como eu costumo dizer: é bom enquanto durar, e será eterno durante todo esse tempo. Mas nunca se deve colocar a mão no fogo por ninguém, por isso, e talvez acima de tudo por isso, a nossa individualidade é tão importante, ao menos se alguma coisa falhar sempre temos o nosso chão, já não perdemos tudo...
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    Miss Winter 05.01.2017

    Mesmo... o que é uma pena. É pena quando vemos noticias em que o nosso país é o campeão em divórcios. Em cada 100 casamentos sai 70 divórcio!!!!!!!!!!! Mas afinal o que se anda a passar? É triste, eu própria tenho pena de não ter resultado e ter sido pelo motivo mais comum e mais triste me deixou ver o meu filho com apenas 19 meses ficar com a familia separada.<br /><br /><br />Mas fico feliz quando vejo casais já com décadas de casamento e nos olhos vê-se uma ternura tão grande que até emociona. Apesar de tudo ainda acredito no amor e que haja amores para sempre.
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