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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Estarmos vivos implica estarmos tristes

Este post originou este post, que por sua vez originou este post atual e que por conseguinte originará - sabe só Deus quantos, e acho que nem Ele sabe ao certo - mais alguns. É assim, a vida é um post minha gente!

 

O José da Xã tocou num ponto muito importante. Parafraseando-o:

 

Quantos haverá que desejariam ter dúvidas, aborrecimentos mais que não fosse para se mostrarem que estão realmente bem vivos?

 

Já disse algures por aqui, que considero a apatia muito mais grave, muito mais severa para o espírito, muito mais mordaz, do que a depressão. A depressão é uma forma de estarmos vivos, estar triste é sentir, sentir através do pessimismo, da nostalgia e das lágrimas mas é sentir. Já a apatia é não sentir de todo, é ser indiferente, é não importar o vivo ou morto, a carne ou peixe, o vermelho ou o azul. E na minha opinião não sentir é já por si só uma forma de morte, uma espécie de morte cerebral: o corpo mexe, a boca fala, os ouvidos ouvem... Mas a alma não sente. A alma está apenas em piloto automático a aguardar sabe-se lá o quê.

 

Aqui em casa sou conhecida por ser a melodramática, a exagerada, a que sente tudo sempre de modo demasiado excessivo. Sabem o que lhe costumo dizer? "Preocupa-te que eu continue a sentir tudo assim desta forma, porque no dia em que deixar de me preocupar, então já não há nada a fazer!"

 

E como cantam A Naifa, "todos os dias agradeço a Deus, esta depressão que me anima", porque a verdade é que já passei pelos dois campos de trigo e prefiro aquele mais picado que magoa nos pés, do que aquele em que passo com indiferença.

 

Dizem os povos antigos que tristezas não pagam dívidas, mas a verdade é que alegrias também não. Deve ser por isso que não contraio dívidas...

 

Como é que é Maria? Temos-te neste Duelo-Pseudo-Triste?

5 comentários

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    Mula 14.06.2017 20:59

    É exatamente assim que eu penso.. sabes tenho muito medo de tornar o que é bom rotina, porque de outra forma deixar de ser bom, passa a ser só rotina... Tinha um colega que passava a vida a fazer surpresas à namorada, tipo todos os dias tentava fazer qualquer coisa, comprar algo especial, um jantar diferente, uma sobremesa xpto, e um dia disse-lhe "um dia isso vai perder o encanto porque ela vai passar a estar à espera e vai deixar de ser surpresa, e as expectativas começam a aumentar, a fasquia começa a aumentar.... e fodeu-se tudo.... Acho que o bom, o ótimo, o fantástico, só são bons, ótimos e fantásticos porque são escassos.... Carambas eu sou doida varrida por lasanha..... se a comesse todos os dias provavelmente iria passar a odiar lasanha... acho que o princípio é o mesmo! 
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    C.S. 14.06.2017 21:04


    100% contigo, Mula.
    Se fazes uma surpresa todos os dias, isso deixa de ser surpresa. (Nem sei quem terá capacidade e tempo para isso... Image).
    Com a história da lasanha (que eu também adoro, diga-se, sobretudo a de legumes), se a comêssemos sempre, às tantas até o cheiro nos enjoava.
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    Mula 14.06.2017 21:26

    Enjoávamos sim. Passei por isso com frango do churrasco. Houve uma altura que o meu sogro vinha cá a casa todos os sábados, e TODOS - todos mesmo, sem excepção - os sábados ele levava frango do churrasco.... Andamos quase dois anos nisto - eu na altura não sabia cozinhar.... Image por isso tinha vergonha de fazer qualquer outra coisa. Houve uma altura que nem o cheiro eu suportava... sabes o ir na rua passar por uma churrasqueira e vir aquele cheirinho - que agora é bom - a frango?... Dava-me cá umas náuseas....
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    C.S. 14.06.2017 21:52


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    Imagino... Já nem aguentavas o cheiro.
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