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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Escapadinha parte II - Bacalhôa Buddha Eden

Não estava esquecido, apenas estava sem tempo para vos falar sobre. Mas 'bora lá falar sobre um dos mais belos jardins de Portugal.

 

Se bem se lembram, para festejar o primeiro ano de casados fomos a Óbidos e aproveitamos que estávamos ali tão perto, fomos finalmente ao Bacalhôa Buddha Eden no Bombarral.

 

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O Buddha Eden é o maior jardim oriental da Europa, com mais de 700 estátuas ao longo de cerca de 35 hectares, na Quinta dos Loridos, no Bombarral. Pelo que percebi da visita, este jardim surgiu como homenagem à destruição dos Budas gigantes de Bamiyán no Afeganistão em 2001, por ordem do governo talibã, considerado um dos maiores atos de destruição cultural alguma vez visto. Assim nasce este jardim, também conhecido pelo Jardim da Paz, em 2006.

 

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Vejam logo à entrada, este enorme lago transmite uma tranquilidade incrível!

 

 

Apesar de ter como figuras principais os Budas, podemos ver muitos outros tipos de esculturas, algumas inclusive de autores portugueses como é da Joana Vasconcelos.

 

 

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Os castiçais de Joana Vasconcelos, construídos com garrafas de vidro. 

 

 

As diferentes esculturas estão agrupadas por tipo, como se de várias galerias de arte a céu aberto se tratasse, e de ano para ano o Buddha Eden Garden vai modificando as exposições, estando neste momento a ser ampliado. Pelo que a novidade é sempre uma boa desculpa para voltar. 

 

Existem duas formas de visitar este espaço, que podem ser combinadas: a pé ou de comboio próprio para o efeito. Nós, inocentes desta vida, desconhecendo a verdadeira extensão deste gigante espaço, optamos por ir a pé... Debaixo de 40º ao sol - sim, há na minha opinião poucas sombras que nos ajudem nos dias de verdadeiro terror meteorológico -, mas serviu para nos bronzearmos um pouco.

 

Uma das exposições que podemos ver, e um dos mais bonitos para mim, é o Jardim das Estátuas Africanas, em homenagem ao ao povo de Shona do Zimbabué, que há mais de 1000 anos esculpe com as próprias mãos a pedra para formar estátuas. Este povo mantem a crença que cada pedra tem um espírito vivo e que ao esculpir dá-se liberdade a essa espírito mas que influencia o resultado final.

 

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Apesar de nos terem dado um mapa logo à entrada, achei os percursos um pouco confusos, e por diversas vezes tivemos de andar para trás para ver uma exposição que tinha ficado esquecida algures. Acho que poderiam colocar placas - já que as exposições têm número associados - com as direções a seguir em cada trilho, já que uma boa parte do jardim é labiríntico, cheio de caminhos e percursos alternativos.

 

Gostei que esse jardim tivesse imensa água. Há imensos lagos por todo o lado, e alguns com pequenas cascatas. Adorei, torna o parque muito mais respirável. E o melhor de tudo é que são lagos com vida, com imensos peixes e tartarugas.

 

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Logo após as estátuas africanas temos o famoso Exército de Terracota constituído por cerca de 700 estátuas, todas pintadas à mão e todas diferentes. 

 

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E depois entramos oficialmente na terra dos Budas e são Budas por todo o lado.

 

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Já agora uma curiosidade. Durante muitos anos, os Budas que as pessoas tinham em casa - para dar sorte, dizem - era um Buda muito diferente do atual. Se bem se recordam, era aquele que está ali em dourado, o gordinho. Durante muito tempo achava-se que esse é que era o símbolo do budismo, mas é errado. Esta figura do Buda gordo surgiu durante a dinastia Sung (de 960 até 1275) na China, no entanto este gordinho era na realidade um budista chinês, também conhecido por Maitreya, cuja simbologia passa pela futura reencarnação de Sidarta Gautama - fundador do budismo e verdadeiro Buda - para que os ensinamentos nunca sejam esquecidos. A explicação de que Sidarta Gautama é magro - e daí o verdadeiro símbolo dever ser representado por um Buda magro - é de que não comia para procurar o seu Nirvana.

 

Bem, mas deixemo-nos de explicações e passemos para o que realmente importa.

 

Um das parte mais belas, para mim claro, deste jardim é o Lago do Pagode.

 

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É um lago que nos transmite tanta calma... E entrando no coreto do lago é um momento quase mágico, silencioso... Ficamos totalmente em paz. 

 

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Vistas do coreto

 

Junto ao coreto, tem uma fonte onde nos podemos refrescar. Acreditem, se forem lá no verão vão dar imensa importância a esta fonte. Apesar de ser proibido fazer piqueniques no parque tem uma cafetaria com preços acessíveis onde podemos beber e comer, com uma boa esplanada com sombra.

 

A minha grande crítica desta visita vai para as pessoas. Há muita falta de respeito. Ficam séculos coladas às estátuas para tirarem fotografias, sem se importarem se há pessoas a querer tirar fotos sem que elas estejam à frente, fazem muito barulho, correm e berram, e acho que neste jardim deveria de ser totalmente o oposto. Não peço que as pessoas o visitem em tom de meditação, mas acho que deveria de existir um maior respeito pelos demais.

 

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No final, na despedida ainda passamos pela loja de vinhos e deram-nos a provar o novo espumante azul que a Bacalhôa agora tem, e que vos posso dizer que é bom, bom, bom, bom, fresquinho é mesmo tudo de bom!

 

Estava mesmo muito calor, confesso-vos que a visita foi um tanto sofrida, mas tenciono voltar, com uma temperatura mais agradável para poder aproveitar muito mais do que o espaço oferece, de preferência em época baixa com poucas pessoas a visitar para conseguir tirar fotografias em condições ao que realmente importa.

 

E vocês já conhecem o Bacalhôa Buddha Eden?

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