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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Desafio | Passa-Palavra #Cartas

 

Adoro cartas de amor. De bilhetes. De mensagens no espelho. De papelinhos espalhados pela casa. Gosto. Gosto de atos românticos. Gosto de coisas feitas de amor. De histórias de amor, de filmes de amor, de músicas de amor...

 

Mas gosto de cartas de amor sinceras. De bilhetes sinceros. De mensagens no espelho sinceras. De papelinhos espalhados pela casa quando as palavras no dia-a-dia são poucas para descrever sobre os nossos sentimentos, quando as palavras são insuficientes para demonstrar os nossos sentimentos. Gosto de sinceridade. Antes a sua ausência do que palavras falsas num papel para parecer bonito, para parecer romântico, para parecer de amor.

 

Gosto do ser. Odeio parecer.

 

Sou das que escreve, mesmo a papel e caneta, à mão, cartas de amor. Gosto de colocar por palavras aquilo que sente o meu coração, já que sou tão má a expressar-me verbalmente o que me vai na alma. Sou intensa, e como tal sou confusa, debito tantas vezes palavras confusas para expressar sentimentos que creio que tantas vezes sou incompreendida. Escrevo melhor do que o que falo. Sou mais ponderada no que escrevo do que o que falo, porque não gosto de passar a limpo, gosto de escrever o que me vai no coração, mas sem rabiscar, por isso gosto de escrever com calma, devagar e a saborear, e ler vezes sem conta, para que entenda se está percetível aos olhos daqueles que não me leem a alma. As palavras verbais não. Não dá para rever palavras que já proferimos, tantas vezes erradamente. Sou impulsiva, as palavras saem-me tantas vezes sem controlo e sem filtro. Sou calma enquanto escrevo, mesmo quando as lágrimas caem a preceito demonstrando que é verdade o que sinto. Sou um turbilhão de emoções enquanto falo, um vulcão em erupção de palavras confusas e contraditórias enquanto falo.

 

Gosto de cartas de amor. Mesmo quando são ridículas, como escreveu Álvaro de Campos um dia "Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas." porque o amor é também ele ridículo, como tudo aquilo que nos vulnerabiliza. Porque poderia escrever sobre qualquer tipo de cartas, neste desafio, até sobre as cartas da luz e da água que me destabilizam mensalmente, mas... Sou ridícula, porque adoro cartas de amor ridículas mesmo não sendo a pessoa mais romântica deste mundo, gosto de acreditar que também eu sou feita de amor.

 

Gosto de cartas feitas de amor.

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.