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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Desafio | Passa-Palavra #Amor- Texto da Maria

Quem mais acha que a Maria deve criar um blog de textos, que levante a mão! Maria, como sempre, adorei o teu texto, e parabéns pela criatividade e pela forma como nos conduzes nas histórias. 

 

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- Amor, chegas-me a chave-de-fendas que está na gaveta da tralha, na cozinha?

- Já chego, estou na casinha.

Jaime sorriu ao ouvir a resposta dela. Nunca dizia que estava no quarto de banho, dizia sempre ‘na casinha’.

Passado uns momentos ouviu a descarga do autoclismo seguido de água a correr na torneira e passos leves no corredor em direcção à cozinha. Ele estava no escritório a tentar montar uma estante daquelas que vêm em peças e trazem tudo o que é necessário para a sua montagem, no entanto a pequena chave em formato de L que acompanhava os parafusos era um bocado fraca para ficarem bem apertados.

Isabel tropeçou no tapete do hall à entrada do escritório que tinha ficado enrugado com as correrias do gato. Caiu desamparada e bateu com a testa na ombreira da porta. Perdeu os sentidos e ia cair estatelada se Jaime não se tivesse apercebido tendo-a tomado entre os braços, sentando-a no futon. Deu-lhe palmadinhas leves na cara para a acordar vendo logo o enorme galo a formar-se na sua testa.

Ela estremeceu, abriu os olhos e perguntou:

- Quem é você, onde estou?

Jaime ficou lívido e segurou-lhe o rosto entre as mãos.

- Amor… Isa, sou eu, o Jaime. O teu marido. Bateste com a cabeça na ombreira da porta. Eu bem te disse que o gato ainda havia de trazer problemas.

- Gato? Qual gato? – ela olhou pelo espaço do escritório onde só se viam tábuas e parafusos. Ainda tinha na mão a chave-de-fendas para a qual olhou devolvendo de seguida o olhar para Jaime.

- Eu… - tentou levantar-se mas a dor na cabeça fê-la passar a mão no alto que sentia a ficar cada vez maior. Devia estar linda. E ele estava com um ar tão preocupado. Olhou novamente pelo escritório e ouviu um miado. Na entrada viu um gato listrado.

- Ginger! – sorriu para Jaime que não sabia se havia de ficar contente por ela ter recuperado a razão ou se se sentia ciumento por ter sido o gato a trazê-la de volta.

- Sim, esse palerma, se não fosse ele não tinhas caído. – Mas sorriu porque fosse como fosse estava feliz por ela estar bem.

Isabel meteu a mão no bolso do casaco de malha e tirou de lá uma espécie de tubo. Deu-o a Jaime.

- Já me lembro, era isto que te queria mostrar!

Jaime olhou para o objecto que tinha duas linhas vermelhas e só passado uns segundos atingiu o significado. Abraçou-a ao mesmo tempo que saltava uma batida do coração.

Ela sorria. Não tinha sido desta maneira que tinha planeado dizer-lhe mas ainda assim achava que tinha sido original. Não que a cabeça não lhe doesse imenso mas o ar dele quando pensou que ela tinha perdido a memória tinha sido imperdível.

 

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Desafio passa-palavra criado pela Mula e pela Mel. Todos os domingos e durante - para já - oito semanas, sairá uma palavra para vos inspirar a escrever sobre ela. Quem quiser é livre de se juntar a nós, sem compromissos ou prazos apertados. Escrevam, porque escrever liberta a alma. A quem participar nos seus blogs, aqui as meninas pedem apenas que nos identifiquem nas publicações, para podermos ir ler-vos e comentar-vos! Bom desafio a todos o que connosco embarcam.

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