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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Contrariedades

 

Não gosto de ser contrariada de um modo geral. Não digo com isto que não tolere outras opiniões e que sou irredutível, porque não é verdade, mas de um modo geral não gosto de ser contrariada. Aceito no entanto que as pessoas tenham outras perspetivas, outras maneiras de ver as coisas e que não concordem comigo. Aliás, adoro uma boa discussão, uma boa partilha de ideias, que tantas vezes levam a boas reflexões e outras tantas me levam a mudar a minha maneira de ver as coisas. Mas é preciso saber dizer as coisas, é preciso demonstrar que é uma opinião e não uma coação. Quando me contrariam sinto-me coagida a mudar de opinião. Não gosto.

 

O que eu não suporto, no fundo, é o absolutismo das contrariedades. Ou seja: "fazes mal isto, porque eu faço diferente!" ou "estás errada, porque eu já fiz isso e não fiz assim!" Não, não são assim que as coisas funcionam. Não é porque fazemos diferente, porque fazemos à nossa maneira, porque pensamos tendo em conta a nossa experiência que estamos errados. Não, não e não. Há tantas maneiras diferentes de percorrer o mesmo caminho. Há tantas maneiras diferentes de alcançar os mesmos objetivos. Há tantas maneiras diferentes de fazer as coisas e fazer bem!

 

Por isso não gosto de ser contrariada. Não gosto quando me dizem que eu estou errada só porque não sigo os mesmos pressupostos, quando eu sei que também estou certa, que também posso fazer bem, ainda que escolha outra maneira, ainda que não siga os carneirinhos, ainda que seja no fundo um pouco ovelha negra. Ou Mula negra, como quiserem.

 

Por isso o "porque não!" tira-me do sério. Por isso quando quiserem dizer-me que estou errada arranjem bons argumentos, mas daqueles verdadeiramente válidos, dos incontestáveis ou de outra forma irei irritar-me apenas. "Porque eu não faço assim e faço bem" não é argumento!

 

Ainda esta semana no trabalho ouvi o melhor argumento de todos "Eu é que estou certa, porque sempre fiz assim e nunca me disseram que eu estava errada!" e a outra pessoa também disse "mas eu também sempre fiz desta maneira [diferente da da primeira] e também nunca me disseram que fazia mal..." e a discussão fluiu sem que alguém concluísse o que era certo ou errado. O pior? O pior é que a primeira pessoa estava completamente errada - provado por a+b - e não muda a sua maneira de fazer porque "nunca foi chamada a atenção!"

 

Como tudo isto me tira do sério... ó se tira!

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.