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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Contas são contas

 

Hoje apetece-me tocar na ferida.

 

Tenho descoberto com o tempo, que sou uma ave rara e que o meu casamento é esquisito... Choquem-se por favor: Eu tenho conta conjunta com o Mulo, e não dividimos as despesas quando vamos jantar fora, até porque apesar de existirem dois cartões, a fonte é só e apenas uma. Já viram que estranho? Casei-me e perdi a minha individualidade bancária! O meu eu, foi aglutinado pelo nós, da conta conjunta. E assim... sou olhada de lado, por aqueles selvagens que lutam com os companheiros e companheiras, que lutam pelo pagamento do café, da conta do restaurante e das compras no supermercado.

 

"Olha, fui eu que paguei as compras no supermercado hoje, ficou em 100€, deves-me por isso 50€, mas como da última vez que jantamos fora foste tu que pagaste, deves-me só 25€." ouvi eu atónita de um amigo que falava animadamente com a sua namorada. Para mim a conversa era estranha, mas não causou qualquer estranheza no grupo de amigos restantes que têm uma vida devassa bancária da mesma forma.

 

Consigo compreender a divisão das despesas, as contas separadas, de um casal de namorados, que tenham as suas despesas individuais, porque não moram juntos... mas juro que não entendo um casal que more junto, viver separado bancariamente e lutarem pelas despesas como se fossem cães. Afinal o que é um casamento? O que é uma união? Serve para quê? Servirá apenas para se aquecerem os pés à noite no inverno? É que para fazerem sexo, não precisam de viver juntos... entenda-se isto. Para mim, um casamento é muito mais do que perguntar "como correu o dia, hoje?" e muito mais do que duas pessoas a viverem na mesma casa, com despesas conjuntas. 

 

No entanto, preciso de admitir ter algumas recaídas ao meu eu bancário, e às vezes fico chateada quando ele me "rouba" moedas da carteira, que sinto como minhas, frutos de trocos que foram dirigidos à minhas pessoa, enquanto Mula e não enquanto casal, e  também ele tem recaídas ao seu eu bancário, quando sou eu que lhe "roubo" moedas da carteira para o pequeno almoço, que ele também sente como dele... e que também ele recebeu enquanto pessoa individual. A verdade é que a nossa vida bancária leva algumas facadinhas e não conseguimos evitar sentir a nossa individualidade bancária pelas moedinhas escassas que param na nossa carteira e que nos permite dizer "vá, hoje pago eu o café", no entanto, porque não queremos prejudicar a felicidade que a conta conjunta provoca, rapidamente perdemos esta individualidade.

 

Mas se calhar é isso, se calhar eu é que sou estranha. Claro que... ter conta conjunta também tem o seu quê de negativo... quando quero comprar prendas para o Mulo, seja porque faz anos, seja porque é Natal, ando meses antes a fazer pequenos levantamentos para ter o valor necessário na altura sem que ele saiba quanto gastei na prenda.

 

A verdade é que não consigo imaginar um casamento de outra maneira.

3 comentários

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    Mula 01.12.2015

    Compreendo que "gato escaldado de água fria tem medo" mas não consigo conceber um casamento de pé atrás... eu se me entrego a alguém, entrego-me de corpo e alma, e de contas bancárias e bens anteriormente adquiridos - confesso que sou territorial apenas com o meu computador, é meu, é meu - e então mete-me confusão, mais do que as contas separadas, as cobranças de pagamentos efetuados:


     "porque fui eu que paguei o café ontem, hoje és tu que tem de pagar"


    E eu não era assim nem quando era solteira. A verdade é que se visse que seria sempre eu a pagar e se ele tivesse possibilidades financeiras e não o fizesse, aí iria ser estranho, mas aí iria chegar certamente à conclusão que a pessoa não era séria e que não era a pessoa ideal para mim.


    Porque o casamento também é isso, é entregarmo-nos a alguém que consideramos íntegro, e em quem podemos confiar... se não então não se casa, vai-se namorando, cada um na sua casa, até nos fartarmos.
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    Sofia 01.12.2015

    E estás no teu direito minha querida! Agora quem já levou muita porrada da vida, acaba por ter outro tipo de atitude é impossível não ter... Agora lá está, guerrinhas estúpidas não tem de haver um equilíbrio em tudo.
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    Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.