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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A Mula Informa: Adopção de animais após perda do animal de estimação

 

Hoje, dia 4 de Outubro, é o dia Mundial do Animal, não daqueles animais em quem votamos - ou não - hoje, mas dia do animal de quatro patas, ou duas - no caso dos pássaros - ou nenhuma - no caso dos peixes. Hoje é o dia de todos os nossos patudos e patudas, e por isso venho falar-vos de um assunto sério, no que toca a animais de estimação: Devemos ou não adotar um outro animal, quando o nosso segue viagem para outro mundo?

 

Em tempos, estive a conversar com uma senhora idosa, que mora perto do local onde trabalho, e ela desabafava que tinha muitas saudades da sua cadela, que morreu no início deste ano. Esta senhora, tem agora uma cadela bebé, de porte pequeno, muito irrequieta, e com uma necessidade de atenção enorme. Esta senhora dizia-me que quanto mais olha para esta nova cadela, que apesar de gostar muito, mais sente saudades da outra, que era totalmente o oposto: muito sossegada, quase não fazia asneiras, bem obediente. Conclui assim que quando esta senhora adotou a nova cadelita, procurava suprimir a faltar que a outra lhe fazia.

 

 

Não é condenável, nem a atitude da senhora de adotar um novo animal, nem o sentimento dual que sente por este novo animal. Assim, como amante de animais que sou, permitam-me que do alto dos meus 27 anos, muito sábia, vos dê alguns conselhos no que toca a este tema:

 

  • Uma perda, é uma perda, e quando é um animal de interior, que entra nas nossas rotinas diárias e é tratado como um membro da família, é uma grande perda, e por isso é importante fazer o luto, e esse luto deve ser realizado sozinho, sem auxílio de outro animal, porque uma alegria, não vai substituir uma dor, no máximo pode atenuar, mas nunca substituir.

  • Apenas quando o luto tiver sido feito, e a pessoa se sentir preparada, pode então adotar um novo animal, mas sem colocar demasiadas expectativas neste. Este novo animal, poderá não ser - e é mais provável que não seja - igual ao anterior. Não se deve tratar da mesma forma, nem escolher o mesmo nome, para que a cabeça e o coração compreendam que não foi uma reencarnação do animal, que é um outro, completamente distinto, com características próprias que também precisa de amor, de atenção, de muito carinho.

  • Evitar adotar um animal parecido fisicamente com o outro. Por exemplo, não adotar outro gato siamês da mesma cor, se o gato que faleceu era um gato siamês, isto pode tornar o processo de luto e de separação do outro animal, mais complicado. Uma vez mais, falamos de expectativas, porque vão ser colocadas expectativas neste animal que poderão ser falseadas porque este é um animal completamente distinto.

  • É normal, recordar o animal que já partiu... é normal sentir saudades, e temos que saber aceitar esses mesmos sentimentos.

 

A minha experiência de perda é apenas relativamente a cães. Cresci com uma Pastora Alemã, a Lassie, e foi o que mais tive parecido com uma irmã. Tinha eu 5 anos quando ela veio para minha casa, tinha ela apenas 3 meses. Crescemos juntas e descobrimos o mundo, cada uma à sua maneira, juntas. Não tenho muitas fotos dela, porque na altura, ainda não existiam - ou ainda não se falava muito - das máquinas digitais, e a verdade é que só comecei a fotografar tudo, a torto e a direito, com esta geração de máquinas.

 

Aqui está a Lassie:

Lassie.jpg

A Lassie era muito inteligente, e extremamente teimosa. Era destemida, não tinha medo de nada, chegou inclusive a envolver-se em lutas com outros cães, porque se algum cão demonstrasse alguma atitude mais agressiva para com ela, ela tomava a iniciativa de mostrar que não era fraquinha. Era muito protectora da sua matilha e ai de quem me berrasse, ou me levantasse a mão. Era muito meiga, acima de tudo, e deixava entrar toda a gente em casa, tal como os donos, gostava de receber pessoas em casa. Só não deixava que ninguém saísse, se os donos não estivessem presentes... Aí era mais complicado. Após anos e anos a tentarmos que a Lassie tivesse bebés - ela rejeitava os machos... - lá conseguimos encontrar um macho que a cadela aceitasse, e nasceu assim o meu Blackie, uma autêntica bola de pelo, quando era bebé. A Lassie foi muito boa mãe!

 

Blackie.jpg

(Blackie com uns 4/5 meses)

 

Blackie2.jpg

(Blackie com uns 4/5 anos)

 

Aos 12 anos de idade, a Lassie ficou doente, começou a ficar mais debilitada, também já era velhinha, e começou a ficar sem pelo... do meio do corpo para a trás, deixou completamente de ter pelo. No veterinário disseram que era um problema de idade, e propuseram abater, mas disseram que a cadela não estaria a sofrer propriamente. Claro que não a abatemos, porque a verdade é que acho - ainda que na altura não tivesse grande voto na matéria - que só se deve abater em casos mais extremos de sofrimento animal. Antes de completar os 13 anos, a minha Lassie deixou-nos, e apesar de tudo, fico feliz por não ter sido a primeira pessoa a chegar a casa, não a vi estendida, e tive sempre uma imagem bonita daquela que foi a cadela da minha vida.

 

Melhor ou pior, fomos superando a sua morte, mas quem nunca superou foi o Blackie, que tendo crescido até aos 6 anos com a sua mãe, nunca superou a sua ausência. Desde então, passou a chorar dia e noite, a menos que estivéssemos com ele. O Blackie era completamente o oposto da mãe, talvez por nunca ter saído "debaixo das saias" desta... era medroso, odiava água, nunca se habituou a andar à trela - a mãe adorava, porque significava que ia passear para a rua - nem nunca foi muito guardião da casa. Mas era um cão activo, adorava brincar, correr,.... Quando perdeu a sua mãe, perdeu a alegria que tinha, andava mais mortiço. Um dia fugiu-nos de casa. Durante dias e semanas, andei à procura dele. Fiquei sempre com a ideia que alguém o tinha levado, já que era um lindo, e puro pastor alemão, mas uns meses mais tarde, foi-nos indicado por alguém conhecido que viu um cão com a descrição do nosso, morto por atropelamento numa rua perto de nossa casa. Sinceramente não acredito muito, porque passei naquela rua, vezes sem conta, à procura dele e nunca vi nada, nada de nada. A verdade é que nunca saberei o que realmente aconteceu...

 

No espaço de dois anos, perdi o meus dois cães!... E posso-vos dizer que foi doloroso e só uns 2/3 anos mais tarde é que decidimos que iríamos ter um novo cão... Uma bela Serra da Estrela, que vos digo com consciência, tinha exactamente o mesmo olhar que a Lassie, e ainda que não pudesse evitar, sempre que olhava para ela, via a minha pequena Lassie a olhar para mim... Apesar disso, sempre consegui tratar a Mel - a serrinha - como uma cadela diferente, até porque da Lassie tinha muito pouco.

 

Mel:

mel2.jpg

 

E é esta a experiência de perda de animais que a Mula tem... Tudo passa minha gente, a dor é sempre grande, custa sempre muito, mas o tempo ajuda a apagar todas as feridas e deixar apenas as boas recordações. Um animal, é mais que um amigo, é um companheiro para a vida, e merece ser recordado como tal!

 

Bom Domingo e se for o caso: dêem um abraço bem apertado aos vossos animais... tenham apenas cuidado se for um peixe, porque isso pode matá-lo! xD

 

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