Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A Mula Informa: Livro de Reclamações

E porque já há muito tempo que a Mula não vos informa de nada importante e relevante para que possam seguir mais informados, hoje Na Mula Informa, trago-vos um assunto importante. Vamos falar sobre o livro vermelho dos estabelecimentos: O Livro de Reclamações.

 

O povo português é conhecido por nunca estar bem com a vida que tem e de estar constantemente a reclamar, no entanto, raramente o faz como deveria de fazer. A verdade é que não adianta reclamar para o lado, para o ar e com o vizinho, porque como sempre ouvi dizer palavras, leva-as o vento. [E isto hoje é um post carregado de sabedoria popular, olhem que bem.]

 

Não há nada que me enerve tanto como essas pessoas que são só palavras e nada acções, à espera que alguém faça o trabalho por si. Por exemplo, no dia da Corrida da Mulher em que o comboio vinha largamente acima da sua capacidade, como disse aqui, muita gente estava, obviamente, indignada, e não houve uma só pessoa que não reclamasse. Aposto o meu dedinho mindinho - sem o risco de o perder - que nem um terço daquelas pessoas procederam à reclamação no Livro de Reclamações. Aliás, arrisco-me até mesmo a dizer que nem uma única pessoa se dirigiu à bilheteira, ou ao balcão de apoio ao cliente, e procedeu à devida reclamação formal da situação inaceitável que aconteceu nesse dia. Provavelmente reclamaram apenas aquelas pessoas que pretendiam deslocar-se para o trabalho e não conseguiram entrar no comboio. Provavelmente essas, SE até essas tiverem efectivamente reclamado. 

 

 

Por isso, vamos lá perceber uma coisa de uma vez por todas. Reclamar é no livro de reclamações, é reclamando no livro que as coisas de futuro poderão ser diferentes. É o livro que pressiona as empresas, uma vez que é a única forma de a nossa reclamação, o nosso ponto de vista, chegar às entidades reguladoras. Reclamar com o amigo, com o vizinho e até mesmo com o funcionário não vai modificar nada, a não ser o nosso coração, que ganha mais uma artéria entupida com os nervos. Reclamar é na hora, no local e no livro, sim? Caso não seja possível, por uma questão de tempo, de disponibilidade, reclamarem no imediato, façam-no assim que possível, mas façam-no!

 

Por isso, não façam como na música dos Deolinda, e não se sentem de braços cruzados, à espera que alguém lute por vocês. Exijam os vossos direitos, e saibam que toda a gente é obrigada a fornecer-vos o livrinho vermelho (salvo muito poucas excepções), que caso contrário vocês devem chamar a polícia e participar a recusa da entrega do livro.

 

No entanto, e porque sei que muita gente até tem vontade de o fazer, mas não sabe muito bem como se faz, deixo-vos algumas dicas e informações à cerca do Livro de Reclamações.

 

 

Aqui têm um exemplo de uma folha de um Livro de Reclamações:

 

 (carregar na imagem para ver em tamanho grande)

 

 

Como podem ver através deste exemplo, a folha de reclamação pressupõe o preenchimento de vários dados, entre eles os dados da empresa que motivou a reclamação, os vossos dados, e a exposição da situação. Vamos então por partes:

  1. O ponto número um é referente aos dados da entidade de quem vocês vão reclamar. Toda a informação de que vocês necessitam para preencherem esse ponto encontra-se na primeira página do livro (igual à imagem do lado esquerdo), e por isso é só transcreverem. Se tiverem alguma dúvida acerca desses dados, ou se os mesmos não se encontrarem legíveis devem questionar o funcionário que vos deverá fornecer os mesmos.

  2. O ponto número dois é referente aos vossos dados. A correcta apresentação dos vossos dados é importante para a validação e crédito da reclamação, por isso não inventem.

  3. O ponto número três é referente à exposição da reclamação. Aqui é necessário terem atenção alguns pormenores.

 

  • Cinjam-se ao essencial, e não divaguem na vossa reclamação. O espaço é muito curto e se colocarem demasiada informação pouco relevante, não vão ter espaço para o que é realmente importante.

  • Escrevam com letra legível. Se estão a reclamar é porque querem que alguém vos leia para evitarem futuros percalços. É importante por isso que as pessoas que vos irão ler percebam o que pretendem.

  • Coloquem sempre o dia e a hora do acontecimento, e caso se aplique, o nome do funcionário. Quantos mais dados tiverem da situação mais fácil é para a empresa apurar responsabilidades e tomar medidas futuras.

Quando terminarem a reclamação devem entregar o livro ao funcionário que vos deverá fornecer (SEMPRE) uma cópia da reclamação. Se repararem, o livro possui, original, duplicado e triplicado. Por lei, uma cópia é para vocês, outra para a empresa que recebe a reclamação, e outra será enviada para a entidade reguladora do serviço.

 

Deverão sempre receber uma resposta à vossa reclamação, mas a verdade é que nem sempre isso acontece, aí, sou mau feitio, aí faço a reclamação da não resposta à reclamação e aí a resposta não tarda em chegar!

 

Vá lá, não façam como a música que se segue, se não nunca sairemos da cepa torta. Mas claro, e também alerto para uma situação que por vezes acontece: Façam-no com consciência, até porque nem sempre temos razão. Não é porque não vemos um desejo nosso ser satisfeito que devemos pedir o livro, primeiro devemos avaliar a situação e perceber as obrigações legais da empresa e só depois, se tivermos efectivamente razão, deveremos proceder à devida reclamação.

 

Lembrem-se que é por se falar muito e se fazer pouco que estamos como estamos.

 

 

 

Há-de passar - Deolinda

Tenho vontade de seguir uma outra via
Mas eu desisto
Tenho vontade de mudar a minha vida
Mas não arrisco

E deixe-me andar, e deixe-me andar
Aqui bem sentada
Braços cruzados, pernas traçadas
E deixe-me estar que essa vontade
Um dia há de passar

Tenho vontade de dizer aquilo que penso
Mas tenho medo
Tenho vontade de exigir o que mereço
Mas nem me atrevo

E deixe-me andar, e deixe-me andar
Aqui bem sentada
Braços cruzados, pernas traçadas
E deixe-me estar que esta vontade
Um dia há de passar, há de passar
Aqui bem sentada
Braços cruzados, perna traçada
E deixe-me estar que esta vontade
Um dia há de passar

Tenho vontade que me levem mais a sério
Mas não consigo
Tenho vontade de berrar um impropério
Mas só me sai isto

E deixe-me andar, e deixe-me andar
Aqui bem sentada
Braços cruzados, pernas traçadas
E deixe-me estar que esta vontade
Um dia há de passar, há de passar
Aqui bem sentada
Braços cruzados, perna traçada
E deixe-me estar que esta vontade
Um dia há de passar
Há de passar [x20]
Esta vontade e agora já passou

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.