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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Passei a maior vergonha da minha vida

Ontem estive a fazer umas pesquisas no meu PC da empresa e pelos vistos ativei uns alertas de um site qualquer sem querer. Apercebi-me que ativei mas não dei importância. "Depois quando o alerta aparecer eu elimino" E assim foi... E assim foi, mas não sem antes ter passado a maior vergonha da minha vida.

 

Pois que o site era banal, uma espécie de revista online. Mas o alerta tinha tudo menos de banal.

 

"SEXO" em letras garrafais. "Os melhores brinquedos sexuais" ligeeeeeeiramente mais pequeno.

 

Naquele preciso momento a minha nova chefe precisou de vir ao meu PC e eu não tive tempo de fechar o alerta que teimava estar no canto inferior direito do ecrã.

 

 

Não sei se viu. Agimos as duas com naturalidade, mas imagino que em breve terei uma inspecção para procurarem pornografia aqui no estaminé virtual.

 

Juro-vos que as pesquisas tinham que ver com o pedido que vos fiz no instagram, pesquisava expressões populares regionais que nada tinham que ver com sexo! Palavra de Mula! 

 

Ó vida!

Mula que tens em repeat?

 

Há muito que não vos dava música... Hoje é o dia!

 

 

Disfarçada de bela música, de música ligeira, vem em pezinhos de lã e fala-nos de violêcia. Daquela violência que não se vê mas que deixa marcas para a vida. A violência que é anularmo-nos para cabermos nas caixinhas dos outros. E adaptamo-nos. E ficamos. Moldamo-nos. E ficamos. E cedemos. E ficamos. Vale a pena? Nunca devemos deixar de ser quem somos por ninguém... Nunca devemos de pôr a felicidade de outrém acima da nossa.

 

Nunca...

 

... Porque...

 

... No final, o que resta de nós?

Desafio de escrita dos pássaros #17 Luz e Sombra

Imagem retirada daqui

 

Rio feliz, com candura, e serenamente,
Limpo as lágrimas e escondo o lenço,
Escondendo no lenço a amargura,
Que na alma se crava, de modo denso.


Porque de dia sou luz, sou alegria e multidão,
Mas à noite sou sombra, sou tristeza e solidão!
Porque de dia sou barulho, sou gente com esplendor.
Mas à noite sou silêncio, sou vazio... Apenas dor!

 

Choro triste, sem pudor, mas ternamente,
Escondo o sorriso envergonhado que à luz espreita,
Escondendo no coração a alegria,
Que na alma brota, de modo puro, tão perfeita.


Aceito-me. Não tenho de viver em contra-luz,
Nem contra a luz, nem contra as sombras.
Aceito os meus sorrisos e os meus olhos raiados.
Aceito os dias felizes e os amargurados.


E o que seriam dos dias sem as noites?
Ou então das sombras sem as luzes?
Bem ou mal eu quero sentir,
Nem que em mil pedaços me tenha de partir!

 

Hachi - O Raro!*

Dizem que quem sai aos seus... Não é de Genebra degenera e dizem também que os animais tendem a ser parecidos com os seus donos. Começo a acreditar nisso.

 

Eu odeio jantar sozinha. Se ao almoço praticamente toda a vida almocei sozinha, ao jantar sempre o fiz acompanhada e se estou sozinha em casa acabo sempre a comer uns cereais com leite - sim é cereais com leite e não leite com cereais que ter umas coisas a boiar no leite não tem piada nenhuma - e vou comer para o sofá ou até mesmo para a cama, depende do cansaço. Não gosto, pronto.

 

Parece-me que o Hachi sai a mim em alguns pontos...

 

IMG_20200108_235830.jpg

 

No que toca às refeições,  o Hachi tem dois comportamentos bizarros. Primeiro: Só come à noite, esteja sozinho ou acompanhado, de dia ele não come. Bebe muito, mas comer nada. Por isso aquela coisa de comer 2 ou 3 refeições ao longo do dia, não acontece e até podemos deixar os cereais à descrição na taça,  que chegamos à noite e aposto que se os contar não faltará nem um. Segundo: Não come sozinho. Para comer temos de estar com ele cá fora, e aí come tranquilamente - ainda que desconfiado sempre a olhar a ver se ali continuamos junto a ele - mas se nós formos para dentro de casa ele afasta-se da taça e não toca na comida. Por isso, se nós estivermos com ele cá fora às 20h é às 20h que ele come, se só chegarmos a casa às 23h é às 23h que ele come. E se estivermos o dia todo fora de casa, de manhã os cereais estão todos na taça. Antigamente só comia na presença da minha mãe, atualmente e felizmente, também já come comigo.

 

Já tive imensos cães e nunca tal me aconteceu, e até já tive uma serrinha - uma serra da estrela, mas eu chamava-lhe serrinha - que no verão, com o calor, era um inferno para comer, mas ia comendo, pouquinho mas ia. Quando o Hachi chegou, o facto de só comer à noite, achamos que era pelo mesmo motivo, como foi no verão pensamos que tinha que ver com o calor do dia, mas entretanto o inverno chegou e o estranho habito se mantém.

 

No que toca a não comer sozinho... Posso pensar que não gosta de estar sozinho, mas claramente durante o dia ele está ocupado a pintar a manta, que as coisas estão sempre fora do sítio com ele, mas no que toca às refeições... Tem realmente este comportamento estranho e receio que um dia que eu e a minha mãe estejamos fora, de férias, que ele não coma com a pessoa que o venha ver...

 

Vocês que estão desse lado com animais, algum comportamento semelhante? Dicas? Sugestões?

 

 

__________________

* Ao estilo dos antigos reis. Já que é o rei da casa.

No dia em que fui ao ginásio e quase morri #4 Aula de Body Attack

Tenho aulas novas lá no ginásio. Bem... Novas para mim, que com o novo trabalho tenho um novo horário que me permite ir ao ginásio mais cedo. Assim sendo... Fui experimentar Body Attack.

 

Já tinha feito há uns anos Body Combat, e acho que já fiz Body Attack. Acho! E também compreendo o motivo de ter, eventualmente, reprimido esta memória no meu inconsciente. Neste momento serão duas memórias para reprimir, de uma mesma aula. Apressa-te cérebro!

 

Imagem retirada daqui

 

A aula teve duração de 55 minutos e antes de me inscrever, fui ao Dr. Google e ao Sr. Youtube fazer umas pesquisas e ver onde me estava a meter. Numa cova, literalmente enfiei-me numa cova e ainda atirei terra por cima de mim! Mas adiante. Vi que as aulas eram intensas mas tudo o que eu via eram treinos de 30 minutos, 45 minutos no máximo. Pensei: Bem, se aula é de 55 minutos provavelmente não é tão intensa e tem mais períodos de recuperação.

 

Fiz também uma ligeira pesquisa das diferenças entre Body Combat e Attack, e o que encontrei é que basicamente o Combat é a simular combate - tendo por base posições desenvolvidas a partir de uma série de técnicas de karaté, boxe, kickboxing, taekwondo, ... - e que Body Attack era de combate sim... Mas ao corpo! Eu deveria de ter percebido nas entrelinhas o motivo... E até se formos a ver bem, está bastante explícito, nem são precisas letras pequeninas nem adendas. Mas ainda assim eu fui...

 

Ponham combate ao corpo nisso!!! Porra!!! Combate externo e interno, que eu cá mordi-me toda para não sair da aula, e a aula ainda não ia a meio. Quinze minutos depois já me doía tudo, transpirava que nem um cavalo e já nem focava a luz direito. Já não me lembrava de dizer tantos palavrões num tão curto espaço de tempo. Pareceu-me uma eternidade, os ponteiros do relógio não andavam, as músicas esquizofrénicas não terminavam... Jisus! Apressa-te cérebro!

 

Diminuição de intensidade por ser de 55 minutos? Períodos de recuperação? Até me ria... Mas estou com demasiadas dores para tal.

 

Apressa-te cérebro!

 

Esquece... Estas dores no corpo não há cérebro no mundo que consiga fazê-las apagar.

 

E sabem o que é ainda pior? A instrutora estava constantemente a dizer: "Se está fácil façam A ou B", e sabem que mais? As pessoas faziam!!! Quem são estas pessoas do demo que se submetem a esta tortura e ainda transparecem estar a ser fácil, quando há pessoas como eu - e outras tantas como eu, que eu bem vi! -  que estão simplesmente a sentir o corpo todo a desintegrar-se, os pulmões a fazerem as malas para sair de casa e as pernas que nem blocos de cimento...?

 

Ó Mula, vais dizer que não gostaste nem um bocadinho...? Gostei. Tenho a confessar que gostei. Quando acabou! Mas para a semana é provável que volte lá novamente... Mas não, não gostei, mas tenho-me de castigo pela falta de juízo nestas festas. Agora é: treina e não chora!

 

Tenho uma dica: O ideal é nem pensar muito, é ir e depois logo se vê como é que trazemos o carro para casa!

Mulheres e crianças vs homens

Quem tem mais valor?

 

Homens?

 

Mulheres?

 

Crianças?

 

Sempre que lemos ou ouvimos uma notícia de algum acidente ou catástrofe, habitualmente as mulheres e as crianças são destacadas.

 

Por exemplo:

Morreram 30 pessoas, das quais 5 mulheres e 2 crianças.

 

É claro que na equação também conseguimos perceber quantos homens no final morreram, por exclusão de partes, mas as mulheres - e os menores - são claramente destacadas.

 

Crianças? Entendo, choca mais. A morte de um menor choca sempre mais que a morte de um adulto. Mas... E a morte de uma mulher face à de um homem? Choca mais morrer uma mulher do que morrer um homem?

 

Não sou jornalista. Não percebo nada de jornalismo, mas para mim uma vida é uma vida. E se a morte de crianças me faz sentido destacar porque é nossa obrigação, enquanto adultos, de os protegermos, uma morte de um adulto é igualmente chocante seja homem ou mulher e por isso não me faz sentido destacar, ou então colocar os três na equação: Morreram 30 pessoas: 23 homens, 5 mulheres e 2 crianças e aqui parece-me que estamos perante estatística e não sensacionalismo...

 

Mas pergunto-vos:

Quanto vale uma vida? Quem vale mais nestas equações? É justa esta diferenciação/destaque?

Desafio de escrita dos pássaros #16 Não entendo nada disto

Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

 

 

Disseram-me que crescer era trabalhar, casar, ter casa e carro, ter contas para pagar e decisões a tomar. Então eu cresci - essencialmente para os lado -, arranjei trabalho, casei, comprei casa e carro e contas era o que não faltavam para pagar. E assim vivi. Cresci cedo, muito cedo, ainda sem o peso da responsabilidade do que era ser um adulto. Aprendi on job, sem espaço para formação ou worshops. Não aprendi, fui aprendendo à medida das necessidades. Não vivi, fui vivendo à medida das possibilidades. Não amadureci, fui amadurecendo à medida das obrigatoriedades. Fiz tudo o melhor que sabia, com as ferramentas da infância e da adolescência, cresci o melhor que consegui. Fui caminhando sem saber muito bem por onde estava a pôr os pés. Caí tantas e tantas vezes, cometi tantos e tantos erros e tantas vezes os mesmos. A verdade é que ninguém nos diz o que fazer ou como fazer. Não há formulas mágicas, ou certas e definidas. Mas defini objetivos, tracei planos.

 

Mas os objetivos não se cumpriram e os planos saíram furados. Deixei de ter casa própria, descasei-me e regressei ao quarto de infância, as contas reduziram-se para metade - haja alguma coisa boa na regressão! - e as decisões... Tantas que foram adiadas... Fiz e desfiz e continuarei a fazer e a desfazer enquanto não entender o que é para fazer.

 

Tomar decisões parece cada vez mais difícil, com os anos. Não deveria de ser ao contrário? Com o tempo, decidir, não deveria de ser mais fácil? Não deveríamos de ganhar prática? Mais traquejo?

 

Quando era mais nova, já tive um livro carregado de texto, bem escrito, definido.

 

Neste momento sinto que tenho um livro de rabiscos...

 

Não, definitivamente ainda não percebi o que é para fazer... E sinto que conduzo esta pseudo-adultez de modo cada vez mais atabaolhado.

Coisas que os leitores da Mula fazem pra Mula (:

 

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E que 2020 traga muitas e boas publicações a este curral. Este ano, deixo os objetivos do ano de lado, que ainda tenho os dos anos anteriores para cumprir... Fica apenas a promessa que por cá continuarei!

 

A vossa Mula deseja-vos um excelente 2020!

 

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P.S.: Obrigada Monteiro, por este miminho e pela lembrança!

Tipos de conversadores

A minha vida profissional, até então, permite-me catalogar as pessoas em dois tipos, no que toca a uma conversação:

 

- Os que tentam dominar e minar a conversação: tentam, que a Mula cá não é burra e não deixa. Ter o controlo de uma conversa SEMPRE!

 

 - Os que são tão submissos que enervam e temos que arrancar tudo a ferros e obtemos zero de informação adicional: Limitam-se a responder exclusivamente ao necessário nem que para isso estejam a responder "sim" e "não" durante uma hora.

 

A minha profissão diz-me também que há algumas pessoas no meio termo mas... são raras. Muito raras. Eu, confesso que depende muito do meu estado de espírito, mas... Sou maioritariamente uma controladora e tento sempre ter o controlo da conversa, seja telefónica ou pessoalmente...

 

E vocês? Como é que se consideram enquanto comunicadores?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.