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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Por que é que é tão difícil falarmos sobre nós?

Semana passada foi-me pedido que escrevesse um texto sobre mim e sobre as funções que desenvolvo diariamente para constar no site da empresa, e do grupo, juntamente com a minha fotografia e dados de contacto.

 

Vocês sabem... Para mim escrever não é, por norma, um problema - bem a valer pelo número de publicações dos últimos meses... Se calhar até é - mas falar sobre mim de uma forma positiva e cativante revelou-se um grande desafio.

 

Estive o dia quase todo a procrastinar. Meio da tarde perguntam-me se já estava feito e eu digo assim meia atrapalhada que ainda estava a rever. Ainda não tinha escrito nada na realidade, e a verdade é que já tinha olhado tantas vezes para a caixinha de texto em busca de alguma luz ou inspiração e nada surgia.

 

"Vender-me" é tão difícil que nem sei como ao longo da vida arranjei trabalho com relativa facilidade.

 

No final o texto até ficou engraçado, acho eu, simples, directo e até dei ilusão de ser maior porque por falta de inspiração chapei lá os princípios e cultura da empresa que foi um mimo, e assim parece um grande texto, mas sobre mim efetivamente tem apenas meia dúzia de frases. 

 

E é isto... Para escrever sobre mim preciso de artimanhas. 

 

O que mais me revolta, no fundo, é que se me pedissem para escrever um texto para algum colega, provavelmente as palavras soltar-se-iam e fluiriam sem qualquer dificuldade. Eu deveria de ser a pessoa que mais bem deveria de falar sobre mim...

 

...Mas não é isto que acontece, normalmente! 

O dia em que praticamente fui expulsa de um restaurante...

Dizem que o covid afetou muitos sectores... E que um dos sectores mais afetados foi o sector da restauração...

 

... Posto isto fico confusa!

 

Há uns meses fui com duas amigas almoçar ao restaurante Box 208 Italian Food, um restaurante que eu adorava e que tantas vezes recomendei... E a situação foi tão insólita que ainda hoje tenho dificuldades em crer que realmente aconteceu!

 

Marcamos mesa para as 13h, atrasei-me um pouco mas nada de especial e as amigas já lá estavam - alguém tem de ser pontual nesta vida para fazer ver aos outros. Mesmo em plena hora de ponta de almoço, e tendo em conta que era fim-de-semana, o restaurante estava praticamente vazio.

 

Pedimos entradas... Falamos... Afinal de contas era um almoço de amigas, não uma rapidinha de hora de almoço a meio do dia de trabalho.

 

Pedimos os pratos principais... Falamos. Afinal estávamos a viver uma pandemia, e uma delas eu já não via há bastante tempo, estávamos a colocar a conversa em dia.

 

Eis que chegou a hora de nos perguntarem se queríamos sobremesa. Que almoço de amigas gulosas não tem sobremesa? Queríamos pois! E foi aqui que todo um almoço agradável começou a descambar.

 

Perante resposta afirmativa a moça pouco contente com a nossa vontade de satisfazer o pecado da gula, olhou arrogantemente para o relógio e concluiu com um "com certeza!". Deveria de ter sido um alerta de que algo errado não estava certo, mas com a conversa animada, confesso que esta situação nos passou um pouco despercebida. Dois minutos depois regressa à mesa a perguntar se já sabíamos o que queríamos e a verdade é que ainda não nos tínhamos decidido, até porque queríamos partilhar. Pedimos mais uns minutos para decidir. A rapariga revirou os olhos e só aqui percebemos que realmente alguma coisa não estaria certa. Eram 14h30 - mais minuto menos minuto - e decidimos ir à internet perceber a que horas fechava o restaurante, já que a atitude da moça estava bastante estranha e realmente o restaurante já estava vazio - ainda que nunca tivesse estado cheio. Encerrava às 15h. Ok, tudo certo! Trinta minutos seria mais do que suficiente para comermos a sobremesa.

 

Chegam as sobremesas e com elas a conta! Assim, logo, TAU! Dois em um que é para as sobremesas nos saberem que nem ginjas! Como se as gramas a mais na balança fosse o maior dos meus problemas. Sim, o restaurante não é dos mais baratos onde se pode ir comer com amigas, mas a verdade é que realmente valia a pena - valia, leram bem.

 

Pousa as sobremesas na mesa e acrescenta "vou-vos pedir para pagar já porque estamos a fechar, mas podem estar tranquilas e comer com calma, é só para fecharmos a caixa, se não desejarem mais nada". Eu até queria café, mas perante tal atitude nem me atrevi, o que não faltam são sítios agradáveis para tomar café em Matosinhos. Faltavam 30 minutos para encerrarem e queriam que pagássemos já para adiantarem serviço, por mim tudo bem, de imediato pousei o cartão multibanco em cima da mesa para pagar, o mesmo fizeram as duas meninas que estavam comigo. Gostei da parte de que poderíamos comer com calma, e prosseguimos com a nossa vida complicada de nos lambuzarmos em chocolate  e gelado.

 

Cinco minutos depois, volta a moça toda chateada a dizer que já nos tinha dito que teríamos de pagar e que não estávamos a cumprir. Aí meus amores fofinhos da Mula, se até àquele momento eu estava zen, de repente o Buda que estava em mim desapareceu e deu lugar a um qualquer monstrinho tirado de um qualquer filme de terror. A mulher tirou-me do sério. Ainda assim, educadamente disse-lhe que desde que tinha colocado a conta na mesa que nem um minuto depois os cartões ali estavam a aguardar que ela trouxesse o terminal de multibanco e que se ainda não o tinha feito nada tinha a ver com nosso incumprimento. Não sei que olhar lhe deitamos, mas a moça pediu desculpa - não me pareceu sincero, mas deixei passar - e lá procedemos ao pagamento entre uma garfada no gelado crocante e uma dentada no tiramisu. 

 

Feita a sua vontade, virou costas e continuamos a comer tranquilamente, como ela nos chegou a indicar ser possível. A modos que pelos vistos o tranquilo era irónico - entendemos uns minutos mais tarde - e ainda a meio, desligou música e luzes! Basicamente ficamos num ambiente super romântico as três - #sóquenão - e com um senhor que estava numa outra mesa apenas a tomar café.

 

Estivemos a fazer sala? Não! Estávamos a comer, já sabíamos que o restaurante encerrava às 15h e estávamos a fazer os possíveis para cumprir, apesar de não compreendermos como é que um restaurante junto à doca de Matosinhos encerra às 15h num sábado, depois de uma pandemia dura, que trucidou a economia da restauração, dizem!

 

Às 15h10 estávamos a sair do restaurante. Apenas 10 minutos após o seu suposto encerramento. Parece que estivemos lá até à meia noite, eu sei, mas não aconteceu.

 

Eu adorava o restaurante? Adorava! Agora? Enquanto me lembrar disto - ou seja, para todo o sempre - não voltarei lá! Nunca fui tratada assim em tascos, por isso não admito que seja assim tratada em sítios onde quase deixei um rim para almoçar. A verdade é que agora também entendo o motivo de estar vazio quando já lá fui noutra época - antes da pandemia parece uma outra vida - e estava cheio e essencialmente quando já passei pela experiência de sair à noite, depois da hora - e aí sim, bastante depois da hora - por o empregado nos estar sempre a atestar o copo de limoncelo como se fosse a noite ainda uma criança - e no fundo era.

 

Simplesmente pré e pós pandemia parece um restaurante totalmente diferente... E isso deixou-me triste!

 

E assim se perdem 3 clientes...

Málaga: Caminito del Rey

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Onde é que nós íamos mesmo? Antes de eu ficar doente depois ter levado com ela - com a vacina, pois claro! - e mais outras quantas avalanches no trabalho e de ter interrompido aqui a escrita no curral? Ah sim, há uns meses íamos em Málaga...

 

 

Hoje vou falar-vos de uma das melhores partes da viagem a Málaga: o Caminito del Rey.

 

O Caminito del Rey situa-se no Desfiladero de los Gaitanes, também conhecido por "Garganta de El Chorro" e já foi considerado um dos mais perigosos trilhos do mundo. Imaginem a minha alegria ao saber isto, eu cagufas como sou - toda eu vertigens e cenas várias do género - ainda que atualmente está reabilitado e é um trilho de cerca de 8km totalmente seguro, ainda que a cerca de 100m de altitude.

 

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O percurso deste desfiladeiro foi construído, no início do seculo XX pela Sociedad Hidroeléctrica del Chorro aquando da construção dos reservatórios de suporte à central hidroelétrica que iria finalmente fornecer eletricidade  aos habitantes da zona. Assim, para facilitar o acesso dos trabalhadores, foi iniciada a construção de diversas passagens nas paredes do Desfiladero. Tendo em conta o antigo cenário, nem quero imaginar a quantidade de pessoas que ali morreram... Mas adiante.

 

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Apesar do percurso dos trabalhadores ser mais extenso, o Caminito del Rey diz apenas respeito à parte do percurso percorrido pelo Rei Afonso XIII no desfiladeiro para inaugurar a obra, em 1921. Apesar de perigoso, devido aos encantos da paisagem, o interesse por parte da população e viajantes no trilho aumentou - loucos! só loucos! -, pelo que entretanto foi tornado de acesso público.

 

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Após 5 mortes entre 1999 e 2000 o trilho foi encerrado para remodelação, reabrindo em 2015 totalmente modernizado e seguro, com todas as medidas de controlo que garantem a pessoas como a Mula sentirem-se seguras em todo o percurso.

 

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Como vêm o percurso está devidamente protegido para evitar acidentes.

 

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Olhem aqui a vossa Mula toda pimpona... E devidamente protegida!

 

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O percurso é todo ele incrível, digno de postais! 

 

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Mais uma da emplastra!

 

Não vos minto... Tem escadas... Muitas escadas - ainda assim não tantas quanto os Passadiços do Paiva, por isso não acho que seja um percurso muito difícil para fazer. 

 

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O percurso é simplesmente fantástico, de cortar a respiração e apesar de ser medrosa e de sentir um friozinho na barriga, à medida que as horas de realizar o percurso se aproximavam, a verdade é que iria novamente.

 

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Algo de que tenho pena que o percurso não contemple, é a passagem pelo outro lado do trilho, pela linha de comboio que parece também ela incrível, cheia de túneis e encantos.

 

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E é chegando a este ponto que o coração dói... E as pernas... É que achamos que já andamos muito, já estamos cansados e percebemos que afinal só andamos um pequeno pedaço do trilho! Confesso-vos que o percurso me pareceu muito maior do que na realidade é.

 

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Digamos que não escolhi o melhor dia das férias para fazer o trilho... Estava imenso calor, mais do que esperado, e foi um dos dias mais quentes da estadia mas ainda assim estava agradável o suficiente. 

 

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Depois de lá estar, o percurso não é assim tão assustador. Primeiro, porque fomos em grupo, segundo, porque realmente o trilho tem um ar seguro - pode ser só ar, mas convenceu-me. Sem dúvida que é de passagem obrigatória a quem passar por Málaga, ou lá perto porque a paisagem é de arrepiar - também - no bom sentido.

 

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Numa das partes finais do trilho passamos por uma cascata enorme cujo o vento fazia voar a água fazendo brilhar vários arco-íris incríveis. Nunca tinha visto algo assim.

 

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Ainda deu para bronzear um pouco!

 

Esta é a ponte mais assustadora de todo o percurso. Com o vento que fazia voar a água da cascata, fazia também voar os nossos objetos pessoais e foi nos aconselhado guardarmos tudo o que levássemos na mão, óculos de sol, telemóveis,... 

 

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Vejam bem a violência com que a água "voa". Agora imaginem o vento que estava neste ponto do trilho. 

 

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Se me perguntarem quão cansativo é... Respondo-vos apenas que era suposto ir descansar para a praia, e fui direta - quase direta que ainda houve direito a Dunkin' Dounuts - para a cama! 

 

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Seja como for vale mesmo muito a pena. Já viram bem estas paisagens? 

 

Uma opinião pessoal: Se fosse hoje, não voltaria a fazer a visita com guia. Se por um lado a história é muito interessante e temos uma outra perspetiva sobre o local, a verdade é que todo o percurso é feito a um ritmo muito mais acelerado. Eu ficava sempre para trás - não gente, não é só porque não tenho rasgo nas pernas, mas porque tiro muitas fotografias e gosto de apreciar o momento e a paisagem sem relógio - e estava constantemente a perder conexão com o aparelho por onde o guia nos contava a história. Para além do mais, a pausa para lanche não chegou nem a 10 minutos porque outro grupo chegou ao mesmo ponto que nós, pelo que foi tudo feito demasiado a correr e a Mula gosta de degustar devagar.

 

De qualquer das formas, confiem na Mula, com ou sem guia, façam este trilho. Para os mais medrosos, acreditem, se eu consegui, vocês também conseguem, só não pensem muito no assunto e depois de lá estarem não têm outra hipótese se não concluir que o trilho tem apenas um sentido - pelo menos agora com o covid.

 

Quem desse lado já teve o prazer de palmilhar o Caminito del Rey?

Uma espécie de curta do dia #95

Ainda à cerca de ontem, sobre a minha prenda de Natal - estou cada vez mais curiosa.

 

Pelos vistos foi comprada numa loja infantil. Disse-me a minha mãe que pediu à menina para embrulhar muito bem porque eu era das que abria os embrulhos e que os fechava sorrateiramente sem ninguém perceber - já fui assim, mas já não sou tá? - e como tal a menina perguntou a idade da sortuda.

 

Imaginam a cara da menina a ouvir que se tratava de uma mulher de 33 anos? É que eu não estava presente, mas imaginei.

 

Cenas da vida de um animal encartado

Já disse algumas vezes por aqui que sou um animal encartado. Paciência no trânsito não é comigo... Paciência no geral não é comigo, na realidade, mas neste contexto só piora. Que fazer? Odeio chicos espertos! Odeio pessoas que se acham mais espertas e ágeis que os outros. Odeio pessoas que não sinalizam manobras, que sabem que a faixa de rodagem deles acabou mas que ainda assim continuam a par daqueles que têm prioridade. Odeio pessoas que se acham donas da estrada. Sinalizam as manobras, esperam no sítio certo? Sou a primeira pessoa a ceder passagem! Tentam armar-se em espertos? Têm de ir à volta porque por ali não passam! Literalmente. 

 

Mas tentei relaxar. Tentei ser zen. Tentei ajudar as pessoas e tornar-me numa querida ao volante. Ser boa pessoa no matter what. Sabem que mais? Não resultou! 

 

Ontem, aproveitei que até estava a chover, para ir mais devagar e colocar em prática esta resolução de ano novo para aí de 2015! Só as minhas entranhas sabem o que me remoeu a alma ser uma fofinha para os chicos espertos!

 

Mas... 

 

...Mas não dá mais!

 

Dos 10 ou 12 carros que "ajudei", que facilitei mesmo sabendo que se estavam a armar em espertos, APENAS DOIS agradeceram a gentileza!

 

Ora porra.

 

#modobitchonagain

 

Tentei!

Coisas que se ouvem por cá... #26

Lá no centro de vacinação - na interminável fila, ao frio - duas pessoas conhecidas encontram-se separadas por uma barreira que mais parecia o labirinto do pacman:

 

Pessoa 1: Olha, por aqui? Há quanto tempo!

Pessoa 2: Realmente!

Pessoa 1: Sabes quem morreu?

Pessoa 2: Não, quem é que morreu?

Pessoa 1: A pessoa X!

Pessoa 2: A sério? Não sabia!

Pessoa 1: Sim... Mas já morreu há alguns anos... Eu é que também só soube na semana passada.

 

 

Não sei se me choque mais com o facto de duas pessoas que não se vêm aparentemente há algum tempo falarem de uma terceira pessoa que já não viam ainda há mais tempo... Ou se pelo facto de separadas pela barreira do pacman isso não as ter impedido de se abraçarem... Ou ainda mais pelo facto de ninguém ter dito absolutamente nada. Deixo ao vosso critério.

Primeira dose...

Check!

Sim, só ainda tomei a primeira dose. Sim, eu sou culpada daquilo que me acusaram no centro de vacinação: Sou uma fugitiva! Mas também para que fique registado, tomei a primeira dose sob protesto! 

 

Não, eu não sou contra as vacinas, nem nada que se assemelhe. Sou contra o covid, apenas e só. Mas não ser contra as vacinas não significa que as queira para mim - também não sou contra as calças à boca de sino, e no entanto isso não entra no meu armário! -, porque considero que não há estudos suficientes das mesmas, e ninguém sabe muito bem ao certo quais os efeitos que estão a criar, seja a curto ou a longo prazo e para além do mais, eu vi o filme Eu sou a Lenda, eles também achavam que tinham encontrado a cura para o cancro e vejam no que deu... Ah e tal é filme! É filme, mas sempre me ensiram que a ficção imita a realidade. Estão a perceber bem o problema?

 

Mas, agora falando bem a sério, pensem comigo:

 

Se é verdade que não estamos tão mal deste a vacinação em massa - e os números falam por si -, também é verdade que a serem verdadeiros os dados que nos dão, e esses dados a 1 de Dezembro reportam que 87,8% na população portuguesa já está vacinada com pelo menos as duas doses, este tipo de medidas e proibições e afins só vêm reforçar a ineficácia da vacina. Porque se fosse eficaz, os números covid estariam bastante diferentes e não seria necessário as pessoas apresentarem certificados e testes para acederem a determinados bens e serviços.

 

Então se é assim tão ineficaz, Mula, porque a tomaste?

 

Primeiro, porque os vacinados, apesar de poderem andar aí a passar covid na mesma como se não houvesse amanhã são uns priveligiados... E basicamente vacinei-me porque não quero viver como um ermita - já que agora para tudo e mais alguma coisa tenho de ter certificado ou testes negativos, e testes à covid gratuitos são apenas 4 por mês e não tenho dinheiro para sustentar farmácias - e tenho de vos confessar que o que mais pesou na minha decisão foi o facto de me "tirarem" o ginásio. Não tiraram, porque posso fazer testes para ir, e assim farei enquanto não tiver certificado digital. AS MINHAS AULAS DE ZUMBA À TERÇA E QUARTA NINGUÉM MAS TIRA! E basicamente é isto... o meu amor pela zumba é tanto que me vacinei por ela. Podia ser por amor a um moço esbelto, moreno de olhos verdes? Podia... Mas não, foi mesmo por amor à zumba...

 

A modos que é isto...

 

Andei a caminhar por entre as gotas de chuva, e agora encurralaram-me. Bem jogado, Costa, bem jogado! Aceito a derrota: Costa 1 - Mula 0.

Calma... calma...

...Estou viva!

 

A pedido de algumas famílias - poucas poucachinhas, mas eu sou pelas minorias -, vim só aqui dizer-vos que estou viva.

 

Pode ser só um delírio da vacina - rendi-me... senti-me encurralada e rendi-me... - e não estar nada viva e achar que estou... Mas pronto, vou aproveitar este pequeno pico de droga no meu sangue e contar-vos um pouco da minha vida.

 

Mas só amanhã... Que isto de escrever só com um braço - já que o outro foi inutilizado por aquela coisa que me enfiaram nas veias - é coisa para cansar demasiado!

 

Até amanhã meus picolinos desta vossa Mula que vos adora.*

 

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* Sim... Estou a dar-vos graxa para que me perdoem a ausência. Resultou?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.