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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Empatia e Comunicação

(imagem retirada daqui)

 

 

Acho que todos conhecem o conceito. Empatia, capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. No entanto, e apesar do conceito ser bem conhecido de todos nós, nem todos somos dotados desta capacidade. Nem todos somos capazes de ignorar os nossos conhecimentos, as nossas convicções e de nos colocarmos na pele do outro, de vermos a mesma situação pelo prisma do outro, que tantas vezes é tão diferente do nosso.

 

Todos nós, nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos. A base do ser humano é igual para todos nós, sejamos brancos, pretos, azuis ou esverdeados. No entanto, e pelos entretantos, toda a experiência é diferente. A experiência familiar é diferente, a experiência profissional é diferente, a experiência social é diferente.

 

Como dizia Paulo Freire, "Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes" e por vezes estas diferentes sabedorias entram em conflito, é inevitável, se duas pessoas diferentes, com experiências diferentes entram em comunicação, é impossível não existir conflito. Para mim, a empatia é por isso a capacidade de gerir este conflito.

 

No meu dia-a-dia lido com pessoas muito diferentes com graus muito distintos de cultura e escolarização e cedo compreendi que o que é óbvio para mim pode não ser óbvio para o outro. Tento gerir estas expectativas da melhor forma, umas vezes melhores que outras. Por isso mesmo, nem sempre é fácil manter a empatia, porque por vezes as diferenças são demasiado grandes para que possa existir compreensão. Não consigo, por exemplo, compreender como é que tanta gente não sabe o que é o NIF, não consigo, e tenho noção que há um certo tom trocista na minha voz sempre que peço este dado e parece que estou a pedir o número de gotas que tem um oceano. Não consigo compreender e confesso que por vezes me exalto, como é que alguém que quer tratar com uma determinada entidade não tem dados de identificação para essa mesma entidade. Tenho noção de que discuto por vezes num circulo sem saída com os clientes que não têm noções básicas do que é necessário para o que eles pretendem. Tenho noção que se as diferenças forem demasiado estruturais que não consigo entender o outro por mais que me esforce e que o outro depois se sente revoltado porque eu não o entendo e na ótica dele, eu tenho má vontade.

 

Outra questão que se coloca aqui, e que a meu ver também tem que ver com a empatia são os alcances comunicacionais, e onde trabalho, uma grande parte das reclamações existem devido a problemas  de alcance comunicacional, ao estilo: O que eu digo ≠ O que o outro ouve. Ou seja, a maioria das reclamações surgem porque o cliente ouviu tudo o que nós dissemos mas interpretou de uma maneira totalmente diferente do suposto - uma vez mais, do suposto para nós. E se por vezes, e analisando bem a questão, é porque não soubemos adaptar as palavras, outras tantas desconheço completamente  a razão, é como se falássemos línguas totalmente diferentes.

 

Pergunto-me tantas vezes como é que é possível diminuir os problemas de comunicação...

 

Uma das conclusões a que vou chegando é que muitos deles advêm da dificuldade em criar empatia com o outro por ignorarmos totalmente a sua cultura e formação. Mas tratar todos como se não soubessem nada também é contraproducente, porque tantas vezes tento ter presente que o que é óbvio para mim não o é para o outro, que gero mal entendido no sentido oposto: ou seja, tantas vezes explico as coisas como se falasse com uma criança - sem mimimis e "inhos" mas com as palavras mais simples que existem - que por vezes sinto que as pessoas se sentem ridicularizadas - ou apenas que sou burra -, porque como é para mim, também é óbvio para ele mas eu não sei que o é.

 

Por isso, sinto tantas vezes dificuldades em gerir estes desafios comunicacionais. Falando diariamente com pessoas que não conheço, como perceber o que é óbvio ou não, para alguém? Como colocar-me na pele do outro se eu não conheço esse outro?

 

Não acredito que existam fórmulas mágicas. Mas acredito que hajam dicas úteis.

 

Que dicas têm vocês para mim?

Solidariedade, Marketing e Bom Senso

 

 

Estamos oficialmente na época dos peditórios. Esta época inicia-se no dia 1 de Novembro com o Dia de Todos os Santos e prolonga-se até finais de Dezembro para aproveitar o espírito natalício.

 

Dizem que nesta altura as pessoas são mais solidárias. Dizem que no Natal as pessoas colocam a mão à consciência e contribuir é uma forma de lavar a alma. Acredita-se, e se assim é, é porque deve ser verdade, que nos meses em que as pessoas gastam mais dinheiro e ficam depenadas - e algumas endividadas - até Março, que é mais fácil que as pessoas contribuam, quiçá na esperança de encontrarem um lugarzinho felpudo no céu.

 

Eu sinceramente não acredito.

 

Sinceramente acho que nos moldes que os peditórios são realizados, é possível obter uma boa adesão independentemente da época em que é realizado - com à exceção de Janeiro e Fevereiro, que já se sabe, nesses meses o dinheiro já quase nem estica para pagar a água, porque a juntar ao dinheiro que se pediu emprestado para as prendas de Natal, está a conta da luz que inclui quase 2000 horas de ar condicionado ou aquecimento central para tirar a humidade dos ossos. 

 

Ora vejamos:

 

As pessoas que efetuam os peditórios encontram-se a fazer barreira humana nas entradas dos supermercados ou nos centros comerciais, não dando grande espaço à pessoa de decidir se quer ou não contribuir, nem se querem ou não falar com estranhos, muitas das vezes esticam o saco - quando é pedido de alimentos - de uma forma que o nosso cérebro pega sem pensar porque é automático, e como se isto ainda fosse pouco ainda colocam crianças pequenas a fazê-lo. Como dizer não a uma criancinha? É o mesmo que nas ruas das cidades os pedintes terem um cãozinho com um cesto na boca enquanto o palermita do dono toca umas notas num acordeão. Porque não segura ele o cesto com os dentes? 

 

Adiante. 

 

Calma, antes de começarem já a cuspir fogo, a atirar pedras ou a arrancarem os cabelos leiam só mais um pouco.

 

O que está em causa não é a pertinência da causa, a necessidade que as instituições têm, e a importância das mesmas nos meios onde se inserem. Essa questão daria todo um outro e diferente texto. A questão é a forma como as pessoas são abordadas, como as coisas são realmente feitas. Não é possível assim, determinar a solidariedade das pessoas porque desta forma não é possível avaliar se a pessoa contribuiu porque quis ou porque se sentiu obrigada, por padecer daquele grande mal que na ótica da Mula é muito comum nos portugueses, o não saber dizer não. E quem estabelece estas campanhas sabe perfeitamente disso. Sabe quanto mais agressivo for o peditório mais as pessoas contribuem.

 

Certo, as instituições precisam tanto, tanto tanto que só assim é que conseguem obter resultados satisfatórios. Certo. Entendo. Entendo mas não concordo porque para mim é uma forma de coação. Eles estão no direito de pedirem,  eu estou no direito de dizer que não, e ainda há quem esteja no direito de não querer ser abordado. E além do mais as pessoas têm direito a esse espaço de decisão, sem pressões nem atentados ao espaço físico alheio. Vivemos numa democracia certo? Então quer quer contribuir contribui, e não precisa que lhe impinjam um saquinho ou um autocolante para a lapela, quem não quer não contribui. Estas campanhas devem continuar a existir, mas sem que as pessoas que ali estão interfiram no espaço social dos outros. Considero por isso, e que cada vez mais, há falta de bom senso. Não tarda, não colocam só criancinhas de 8 ou 10 anos a pedir, colocarão antes criancinhas com 8 ou 10 anos a pedir, com um cão/gato bebé numa mão, e o saco ou "mealheiro" na outra, enquanto fazem barreira humana nos supermercados e entradas dos shoppings.

 

Pode-se fazer? Pode-se. É ético? A Mula acha que não! Se a Mula acha que se deve pedir? Acha pois. Se a Mula acha que as pessoas devem sentir-se obrigadas a dar... Não, obviamente que não!

Sabes que a confiança da relação está por um fio quando...

Mulo: Então que estás a fazer?

Mula: Estou a pintar o cabelo.

Mulo: A sério? Outra vez? De que cor...?

Mula: Outra vez? Eu pinto todos os meses... Estou a pintar da mesma cor.

Mulo: Da mesma cor?

Mula: Sim...

Mulo: Não pode ser. Estás a mentir...

Mula: Oh! A sério, é da mesma cor!

Mulo: Tu nunca farias uma coisa dessas!

 

 

Agora vão dizer-me o quê, que eu mudo de cor de cabelo muitas vezes* não?

Há com cada uma...

 

 

*Lá por num espaço de dois anos ter sido loira, morena, ruiva e ter passado por uns 10 vermelhos e ruivos totalmente diferentes não quer dizer nada! Só infâmias! Só infâmias!

Sapos do Ano 2017

Sapos do Ano.png

 

Ah pois é! Não ganhamos - nós todos, malta vizinha aqui do nosso amigo anfíbio - os blogs do ano mas ainda vamos a tempo, quiçá, de ganharmos os Sapos do Ano 2017!

 

Não sabem o que é?

 

Então muito resumidamente: Magda à revelia do Sapo - ainda vais receber uma multa em casa por infâmia, mas é! - decidiu lançar uma ideia para um concurso que visa premiar - virtualmente, não há cá tostões nem plaquinhas de vidro envolvidas ok? - os blogs reais de gente real que diariamente - tu, eu, nós, vós e ela pois claro - visitamos e que ocupam uma parte da nossa vida com a vida deles.

 

 

As categorias são: Opinião, Humor, Livros, Moda, Poupar, Música, Fotografia, Comida, Família e Generalista e vocês podem escolher os vossos blogs favoritos para cada uma destas categorias. Depois os cinco blogs mais nomeado para cada categoria vão a votação de todos os que quiserem participar e o mais votado em cada categoria ganha. E para nomear basta responder a esta publicação ou enviar um email para a Magda - magda.pais@gmail.com - com as nomeações. Simples?

 

Nada simples e não perceberam nada do que eu disse? Está tudo aqui explicado e bem explicado.

 

E tu, já nomeaste o teu blog favorito para os Sapos do Ano 2017?

Blogs do Ano

Desafio-vos a encontrarem as diferenças... Se conseguirem.

 

Nível de dificuldade: Máximo. 

 

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O ano passado não me pronunciei propriamente sobre este pseudoconcurso, dei o benefício da dúvida apesar das fracas surpresas. Este ano fiquei realmente surpreendida... Confesso que na minha inocência, achava que o mesmo blog não poderia ganhar segunda vez (e até o grande vencedor do ano passado concorda comigo), estava por isso curiosa com esta segunda edição. Sei lá, para mim isto que aconteceu, equivale aos Ídolos irem sempre os mesmos concorrentes e ganharem sempre os mesmos, ou serem sempre os mesmos músicos a concorrer ao Festival da Canção...  Para mim não faz sentido. Mas aqui, obviamente,  não importa o que a Mula acha, nem o que faz sentido à Mula, se não o que faz realmente sentido a quem criou o dito. E pelos vistos fará sentido a alguém. 

 

Muitos irão acusar-me de inveja, outros irão certamente concordar comigo, mas o que eu pretendo aqui não é reunir consensos, nem criar conflitos, pretendo apenas uma breve reflexão.

 

Não quero debater propriamente os blogs vencedores, nem exaltar-me ou criar celeuma pelo facto de os blogs vencedores serem os mesmos dois anos consecutivos, vá, não são em todas categorias, mas 6 em 10 categorias mantiverem o blog vencedor... E outras duas categorias foram filhas únicas. Ou seja. Das 8 categorias comuns aos dois anos, seis vencedores iguais. (Deixei os vlogs de fora já que são categorias apenas deste ano). Seis em oito parece-me gritante, escandaloso e absurdo. Isto, sem falar que a grande vencedora, venceu fora da categoria. Vocês sabem como eu adoro a Bumba na Fofinha, já tinha falado disso aqui mas há muito que o seu blog no WordPress deixou de existir. Por isso a Bumba é youtuber, facebooker, vloger, o que quiserem chamar.... Mas bloger não é efetivamente. Parece-me tudo demasiado ao lado. 

 

Não, a Mula não andava já a esfregar as mãos, porque obviamente nunca teve qualquer hipótese. A Mula pode ser revoltada mas tem perfeita consciência da sua insignificância, sabe perfeitamente que é uma pequena gotinha (pequena e "inha" que é para verem mesmo como é minúscula) e por isso nunca se viu se quer a ser nomeada quanto mais vencedora.  Além do mais não há tão pouco, categoria onde a Mula se insira. Mas a gotinha da Mula lê blogs. E acreditem: há tanto mais que isto... 

 

Mas adiante, que como já disse aqui o meu propósito não é propriamente discutir vencedores e vencidos.

 

A minha questão é só e apenas uma: Se não há concorrência - e está visto que apesar dos milhares de blogs existentes, não há concorrência - faz sentido manter um concurso nestes moldes?

 

Manter este concurso de Blogs do ano não será o mesmo que realizar eleições na Coreia do Norte?

 

E em jeito de protesto, hoje, e pela primeira vez em dois anos e meio, não há curta do dia.

 

 

P.S. Um minuto de silêncio por cada blog mesmo bom que nunca teve hipóteses neste concurso.

Lutar contra o excesso de peso #12

 

 

Desde Junho que 10kg já se foram, o que dá uma média de 2kg por mês. É pouco tendo em conta o objetivo inicial, que seria de 1kg por semana, ou seja 4kg por mês, mas é um ritmo aceitável e por isso prefiro manter-me assim. A verdade é que para perder meio quilo por semana os sacrifícios não são muitos e consigo comer um pouco de tudo. Sim até bolos e chocolate, mas sem abusar. Claro que se pensar que por esta altura já poderia ter perdido o dobro e que já só me faltariam perder uns 2 ou 3 kg, me dá uma pontada no coração, mas a verdade é que devagarinho vamos ao longe e prefiro ir devagar e conseguir, do que ir demasiado depressa e desistir logo nos primeiros meses. Cá me vou aguentando. Olhando em frente, dos 23kg que queria perder, já só faltam 13kg!

 

Recomeçar a dieta depois das férias é quase tão difícil como iniciar uma nova dieta. É dizer ao cérebro que agora é altura de nos concentrarmos novamente, que agora acabaram-se os enchidos e o pão, as sobremesas e os pequenos-almoços elaborados. Pelo menos até ficarmos doentes... Semana passada passei-a na cama. Na cama e a comer porcarias, e por porcarias entenda-se pão - muito pão - e massa - bastante massa. Já me pesei. Não aumentei de peso felizmente, mas também não perdi. Isso confesso, deita-me um bocado abaixo, mas gosto de ver que mesmo quando como mais normal sem grandes restrições que o ponteiro da balança não se mexe. Significa que vai ser mais fácil de manter o peso do que eu temia. Claro que terei de ter para sempre cuidado, mas significa que assim que normalizar o meu peso não vou ter de fazer tantas restrições como achava, e isso é bom.

 

Desde que fui de férias que parei totalmente com o exercício físico, e isso faz com que os resultados apareçam novamente um pouco trocados e na última consulta voltei a perder massa muscular e a aumentar um pouco a massa gorda, quando o desejado é ao contrário. Ainda assim perdi volume de cintura e anca que é o que realmente importa, acho eu. A verdade é que estou constipada deste que regressei de férias e os dias estão mais frios e não estou tão predisposta, nem para as caminhadas que fazia na hora do almoço, nem para os quilómetros de bicicleta que fazia antes do jantar. Assim é mais complicado. Mas cá me vou aguentando.

 

Incrivelmente uma das minhas maiores dificuldades é lanchar. Por excesso e por defeito. É lanchar. No trabalho esqueço-me de lanchar e só quando chego ao jantar faminta é que me lembro que o iogurte da tarde ficou por comer. Em casa é difícil ficar-me só pelo iogurte e tantas vezes acabo a comer pão. Acabo por tentar compensar no jantar, mas nem sempre consigo.

 

Olhando para todo o percurso, verifico que os maiores benefícios desta dieta até agora foram:

  • Como muito menos. Mas muito menos. Agora sinto que como como uma pessoa normal, como uma só pessoa. Vendo bem, é incrível a diminuição da capacidade do meu estômago.

  • Os ataques exagerados de gula diminuíram. Diminuíram quase para zero. Consigo ter um bolo em casa e mal lhe tocar. Consigo comer uma colher pequena de sobremesa. Consigo olhar para um chocolate e não o devorar. Consigo acima de tudo ter gordices em casa e não ter vontade de lhes tocar. Consigo passar por uma cadeia de fast food e não ter vontade de comer. É realmente das maiores vitórias. Claro que há dias em que a coisa se altera um pouco, essencialmente perto da altura da menstruação, mas nada que não se controle.

  • A fome constante desapareceu. E quando me dá uma fome mais descontrolada é porque algo de errado se passou: o pequeno-almoço não foi o suposto, ou esqueci-me do lanche, ou falhei algum snack. A verdade é que não passo fome, não é suposto ter fome e quando isso acontece é preciso perceber o porquê de estar a acontecer.

 

Mas claro que fazer dieta continua a ser difícil se não, eu não continuaria a empregar este termo. E as principais dificuldades são:

  • As saídas com os amigos, os jantares aqui em casa ou na casa deles... É quase impossível não descarrilar a dieta nestas alturas. Seja por comer mais e pior nessas alturas, seja por beber refrigerantes - que agora é raro - seja por comer sobremesa -. que é inevitável.

  • Fazer boas opções quando não levo almoço na marmita. Se é fácil fazer dieta quando sou eu que preparo a marmita é mais complicado quando assim não o é. Não porque vá comer hambúrgueres ou pizzas porque isso não acontece. Mas é mais difícil fazer opções saudáveis e equilibradas. Pedir uma sopa implica comer uma sopa carregada de batata, e muitas das vezes a alternativa é uma sande de qualquer coisa e isso implica comer uma dose relativamente grande de pão.

  • Beber água neste altura. Se beber 2L água no verão já não é fácil, beber 1,5L no inverno é quase impossível. Estranhamente, e ainda assim, bebo melhor água do que chá. Chá bebo 0,5L e parece que já bebi 3L, mas é algo que temos mesmo de forçar porque é mesmo importante.

 

Não, não vos quero enganar. Fazer dieta, ou reeducarmo-nos ao nível alimentar não é fácil e tenho cá para mim que nunca irá ser realmente. Nunca me apanharão na curva a dizer que correr 40km é o melhor do mundo, e que arroz de couve flor é melhor que o arroz normal. Mas sabem o que é realmente muito, muito bom? É podermos começar a vestirmos a roupa que gostamos e isso sim é realmente fantástico e vale o sacrifício.

 

Daqui a uma semana tenho nova consulta... Vamos ver como correu realmente este mês.

Podia ser para os apanhados...

Mas não. Foi apenas a Mula a tentar resolver uma situação com um dos piores bancos por onde já passou.

 

Operador 1: Boa tarde o meu nome é X em que posso ajudar?

Mula: Boa tarde, queria esclarecer um débito de uma manutenção se faz favor.

Operador 1: Pode fornecer-me o seu número de contribuinte?

Mula fornece o número de contribuinte.

Operador 1: Pode esclarecer-me a sua data de nascimento?

Mula fornece a data de nascimento.

Operador 1: Pois realmente não estou a perceber o motivo desse débito, mas olhe, tem que se autenticar digitalmente para poder dar-lhe mais informações, está bem? Vou transferir para poder autenticar-se.

 

Mula é transferida para a linha de autenticação, sem perceber o "mais informações" já que recebeu zero informações.

 

Operador 2: Boa tarde o meu nome é Y em que posso ajudar?

Mula: Boa tarde, queria esclarecer um débito de uma manutenção se faz favor.

Operador 2: Ah isso deve ser um débito de um cartão!

Mula: Não, o débito do cartão foi no dia anterior.

Operador 2: Ah então só vendo. Tem que se autenticar digitalmente vou transferir.

Mula: Mas eu já fiz isso.

Operador 2: Ah então deve ter dado erro. Vou transferir novamente sim?

 

Mula é transferida para a linha de autenticação pela segunda vez. Deu erro, a Mula percebeu, e é transferida para o  assistente novamente.

 

Operador 3: Boa tarde o meu nome é Z em que posso ajudar?

Mula: Boa tarde, transfira-me para a linha de autenticação digital se faz favor que eu enganei-me a marcar o código e já fui transferida duas vezes.

Operador 3: Ah! Mas tem que me dizer primeiro o que necessita.

Mula: Queria esclarecer um débito de uma manutenção se faz favor.

Operador 3: Muito bem. Vou então transferir!

 

Mula é transferida pela terceira vez para a linha de autenticação digital. Finalmente a autenticação é realizada com sucesso.

 

Operador 2: Boa tarde o meu nome é Y em que posso ajudar?

Mula: Boa tarde, já falei consigo hoje, queria esclarecer um débito de uma manutenção se faz favor.

Operador 2: Foi comigo sim. Muito boa tarde, senhora D. Mula. Já conseguiu autenticar-se com sucesso! Mas essa informação tem que ser dada pelo balcão da agência uma vez que nós não conseguimos ter acesso a essas questões tão específicas. Vou transferir está bem?

 

 

 

Estavam à espera que eu desistisse de me autenticar? Estavam à espera que nunca conseguisse fazê-lo? Estavam à espera do quê realmente?

Objectivos de vida

 

Objetivos de vida. Aqueles objetivos a que nos vamos propondo, para criarmos algum sentido na nossa existência. Para que não existamos apenas, mas para sermos felizes, ou vivermos com o mínimo de mossas possíveis.

 

Há quem os estabeleça no inicio do ano, há quem os idealize uma vez por mês e há ainda quem se organize ao longo da semana. Eu cá estabeleço os meus objetivos de vida, por vida, ou seja tudo o que quero fazer até um dia morrer sem grandes prazos nem pressões - contando que vá morrer velhinha e rabugenta, claro - e estabeleço ainda alguns objetivos a curto prazo, normalmente mensalmente ou até mesmo diariamente.

 

Neste momento, tenho um grande objetivo em mãos.

 

Mas é mesmo um grande objetivo em mãos. 

 

Já tive imensos objetivos nesta vida, alguns que nunca aconteceram por falta de esforço, por falta de vontades, por falta de tudo e mais alguma coisa. Outros nunca aconteceram porque mudaram, porque eu mudei, porque o mundo gira e avança e tudo muda.

 

Mas este meu grande objetivo quero mesmo levá-lo avante, quero mesmo concretizá-lo. Estou concentrada, estou cheia de vontade...

 

E então Mula, qual é esse grande objetivo que tens em mente?

 

Tenho na mente, tenho no corpo, tenho-o em todo o lado. O meu grande objetivo, por entre lenços limpos e sujos, por entre chás quentes e mornos, e por entre bolachas que como por obrigação, o meu grande objetivo é... Respirar!

 

Tão simples - e tão difícil neste momento - quanto isso: Respirar! E não falo em sentido figurado, falo mesmo do ato contínuo de inspira-expira, inspira-expira, inspira-expira. Porque pensem: Se eu já no dia-a-dia longe de gripes e constipações não respiro com qualidade, imaginem com uma gripe - ou o que seja isto que eu tenho - daquelas que nos atira para uma cama sem prazo de validade...

 

Ainda dizem que sou complicada... Logo eu que tenho desejos tão pouco ambiciosos...

 

Agora... Até já, que tenho de me concentrar para não perder de vista o meu objetivo!

Não sou uma pessoa de manhãs...

... Nunca fui, e temo que nunca serei.

 

 

Talvez já tenha sido, num passado muito longínquo, num passado sem TV por cabo e com apenas dois canais, porque já fui efetivamente de madrugar para ver os primeiros desenhos animados da manhã, na RTP1 afundada no sofá - ora aqui está algo que nunca mudou, sempre fui uma pessoa de sofás.

 

A verdade é que neste momento acordar cedo é um verdadeiro martírio. Sim, consigo criar rotinas e despertar sempre à mesma hora - mesmo nas folgas, a sério, porquê? - mas não consigo acordar com vontade, com alegria. Gostava de ser uma pessoa de manhãs, daquelas que acorda bastante cedo e tem tempo para se sentar e comer um pequeno-almoço descansada. Eu, ou como o pequeno-almoço em pé a correr junto ao balcão da cozinha, ou tomo-o no trabalho num tirinho antes de entrar. Acordar mais cedo está fora de questão. Já o faço para não sair de casa com o cabelo molhado e já é demais.

 

Mesmo para o blog, é incrível como mais depressa escrevo de olhos entreabertos e entre bocejos de madrugada, do que de manhã, supostamente, fresca e fofa. Mesmo na altura da escola/faculdade nunca acordei mais cedo para estudar - nunca resultaria - mas já estudei enquanto lutava para não adormecer - com bons resultados - noite adentro.

 

Acho que no fundo nesta vida só há dois tipos de pessoas: As das manhãs e as das noites, e eu pertenço efetivamente ao segundo grupo.

 

E vocês? Como são as manhãs para vocês?

Menos é mais...

... E mais também pode ser menos!

 

 

Dizem que com a idade ganhamos sabedoria. Não sei se é sabedoria mas tenho aprendido que para viver com mais qualidade é preciso que me chateie menos. É preciso que me preocupe menos, e é preciso que desvalorize mais. Tenho aprendido a ouvir mais e a falar menos, por muito que me apeteça dizer tudo o que me vai na alma. Tenho tentado ignorar mais, porque quanto mais ignoro, menos atenta estou e menos revolta sinto.

 

É. Menos é mais: Quanto menos complicarmos, mais felizes somos. Mas mais também é menos: Quanto mais desvalorizarmos menos se sofre.

 

E chegar a este grau máximo de capacidade?... E chegar ali?... Já aprendi que é assim mas... E ser assim, como se faz?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.