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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Quem conta um conto #8 - À tua espera - Parte IX

Pois é... e o destino da pobre moça, da Ísis continua por se decidir... será que é hoje? Com quem vai ficar a Ísis? Veremos... veremos!...

 

Para quem quer rebobinar um pouco, ou ler do início, aqui estão os capítulos anteriores:

 

Quem conta um conto.jpg

 

 

Também André nunca mais soube do paradeiro de Ísis, e como não queria magoá-la, também nunca a procurou. Sabendo que Maria vinha de uma família conservadora, apressou o casamento antes da barriga se começar a notar. Numa festa intimista, que reuniu apenas os familiares mais próximos, deram o nó. André não estava feliz, mas o carinho que sentia por Maria fez com que tentasse disfarçar os olhos verdes lacrimosos. Os pais, orgulhosos da sua atitude, perdoaram-no e tudo voltou a ser como antes. Estava novamente junto com Maria, tinha novamente o apoio dos pais, e continuava de costas avessas com o irmão Ricardo, mas isso, já era algo normal.

 

André prosseguiu com a sua vida, resignado. Tentou umas semanas mais tarde ligar a Ísis, apenas para ouvir a sua voz, mas sem coragem, desligou mesmo antes desta atender. Não imaginava que Ísis estava grávida, muito menos que poderia estar grávida dele, que poderiam construir uma família com base na união e cumplicidade, em vez de ter como base um filho e uma mentira.

 

Maria, tendo arranjado um pai para o seu filho, continuou a encontrar-se com Roberto, que apesar de recusar o filho que esta carregava, a continuava a ver como uma queca fácil, e esta, inocente e com as promessas de "quem sabe um dia" continuou sentimentalmente envolvida com ele.

 

Estava ela já grávida de 30 semanas, quando decidiu que queria ser feliz, e que André, apesar de tudo a podia fazer feliz. Decidiu assim empenhar-se no seu casamento e decidiu preparar um jantar especial para os dois. Coloca no forno o seu pedaço de carne favorito, cuidadosamente temperado, e subiu ao andar de cima, ao escritório, para escrever um e-mail a Roberto a terminar a relação que tinha com este.

 

 

 Meu amor,

 

Amo-te como nunca amei ninguém, sempre que olhar para a nossa filha, que irá nascer, irei lembrar-me de ti. Aliás, ter este filho é como ter-te para sempre. Mas decidi que quero ser feliz... Não me procures mais, por favor, se não, serei obrigada a falar com a tua mulher e contar-lhe o que se passa.

 

Com amor...

Maria

 

 

Entretanto, cheirando-lhe a queimado, apressa-se a desligar o forno e retirar o pato que lá assava. De repente, umas fortes dores de barriga, fazem Maria encolher-se no chão da cozinha. Nesse preciso momento entra André, que vendo-a ali no chão deitada, apressa-se a socorrê-la. Apercebe-se que Maria está com uma hemorragia e leva-a de imediato para o hospital.

 

André anda de um lado para o outro nervoso, sem receber notícias do estado de saúde da esposa. Até que encontra um médico:

 

- Doutor, já há alguma novidade?

- A sua mulher entrou em trabalho de parto...

- Como em trabalho de parto? - Continua André - ela só está grávida de 30 semanas...

- Não se preocupe André, vamos fazer os possíveis para que corra tudo bem...

- Eu preciso de ver a minha mulher.

- E eu preciso que vá a casa buscar a mala da maternidade, que espero já estar preparada para a sua bebé... não pode ver a Maria agora. Vá para casa. Tenho confiança na minha equipa médica e vai correr tudo bem.

 

Mesmo refilando, André vai para casa, e vai buscar a mala da maternidade. Antes de sair de casa, passa apenas pelo escritório para enviar um e-mail de trabalho que se tinha esquecido. Senta-se à secretária e nem queria acreditar no que os seus olhos viam. Maria, com a pressa, pelo cheiro a queimado, esquecera-se de enviar o e-mail e este ficara aberto em primeiro plano, no cabeçalho do remetente estava escrito o e-mail de Roberto, não havia margem para dúvidas.

 

André fica baralhado e descompensado -  que por Maria perdera o amor da sua vida - vai à maternidade, deixa a mala da menina que estaria a nascer naquele preciso momento, e sem querer ver a mulher, pega no carro sem destino. Desesperado pára junto à praia, o seu local favorito, e procura no brilho do mar alguma solução.

 

A sua primeira reacção foi ligar a Ísis, pedir-lhe perdão e pedir-lhe para se encontrarem... Mas Ísis não atende... Depois André cai em si, não poderia esperar que Ísis o atendesse, ao fim de tantos meses sem nada saber dela.

 

Quando Maria acorda, já com o bebé nos seus braços, encontra uma carta de André a contar-lhe o que tinha descoberto, e que a partir daquele momento o seu advogado iria entrar em contacto para tratarem do divórcio, pediu-lhe para nunca mais o procurar, e que nunca seria capaz de lhe perdoar o que esta lhe fizera.

 

Maria conhecia bem o temperamento de André. Sabia que não adiantaria implorar-lhe por perdão. André diz-lhe ainda que se ela procurava apenas um nome, que ele lhe daria um nome, que a menina não tinha culpa de ter dois pais completamente inconscientes e que estava disposto a assegurar-lhe o futuro, mas que ela, dele nunca teria nada. Desse modo, no divórcio, tudo o que ela tivesse direito iria ter de ser colocado no nome da bebé, caso contrário os pais da jovem saberiam de toda a confusão onde ela estava envolvida.

 

Nas semanas seguintes, ninguém sabia nada de André, que uma vez mais voltou a ter a família contra si, porque na perspectiva dos mesmos, André tinha abandonado a mulher com uma filha recém-nascida, prematura, nos braços. André também não se preocupou em dar qualquer explicação.

 

André solteiro, a pensar em como estaria Ísis, e esta em Londres a refazer a sua vida da melhor maneira que conseguiu. Ísis estava neste preciso momento com 37 semanas de gravidez a tentar traçar um futuro a longo a prazo e André a apanhar um avião de regresso para Paris.

 

 ✻

 

Língua, acho que o destino da Ísis não está nas minhas mãos!

 

Cumékeé Fatia? O destino da moça azarada está nas tuas mãos... e acho que a malta quer saber o que lhe vai acontecer! ^_^

4 comentários

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    Mula 09.12.2015 10:26

    Ah pois... é o que eu chamo de retirada com estilo! ahahaha
    Bem... realmente o André surpreendeu-me. Mas às vezes é mesmo assim, as pessoas precisam de dar umas cornadas na parede para aprenderem.
    Ainda bem que gostaste! Venha o próximo! Image
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    Psicogata 09.12.2015 10:29

    O rapaz é um homem à moda antiga por isso assumiu a responsabilidade mas depois também soube dar uma bofetada de luva branca à Maria.
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    Mula 09.12.2015 10:39

    Ela merecia era ser esganada... mas pronto, isso seria demais! Image
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