Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A mais exuberante das exuberantes de 2017

IMG_1491.jpg

 

Esta questão poderia ser dificílima, costumo viajar com uma certa frequência e pelo caminho encontro sempre paisagens de encantar. Assim esta questão poderia ser dificílima se não tivesse ido aqui, se não tivesse respirado este ar, se não tivesse sentido estas cores que são mais do que cores são sensações. Todas as paisagens de São Miguel são postais, sem que seja necessário acrescentar filtros e cores, mas esta imagem da Lagoa do Fogo ganhou o meu coração.

 

Assim, não há dúvidas, de todas as imagens que vivi e senti em 2017, esta é a tal. Sem filtros, sem correcções, esta é a Lagoa do Fogo. 

 

E a vossa, é qual? 

Empatia e Comunicação

(imagem retirada daqui)

 

 

Acho que todos conhecem o conceito. Empatia, capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. No entanto, e apesar do conceito ser bem conhecido de todos nós, nem todos somos dotados desta capacidade. Nem todos somos capazes de ignorar os nossos conhecimentos, as nossas convicções e de nos colocarmos na pele do outro, de vermos a mesma situação pelo prisma do outro, que tantas vezes é tão diferente do nosso.

 

Todos nós, nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos. A base do ser humano é igual para todos nós, sejamos brancos, pretos, azuis ou esverdeados. No entanto, e pelos entretantos, toda a experiência é diferente. A experiência familiar é diferente, a experiência profissional é diferente, a experiência social é diferente.

 

Como dizia Paulo Freire, "Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes" e por vezes estas diferentes sabedorias entram em conflito, é inevitável, se duas pessoas diferentes, com experiências diferentes entram em comunicação, é impossível não existir conflito. Para mim, a empatia é por isso a capacidade de gerir este conflito.

 

No meu dia-a-dia lido com pessoas muito diferentes com graus muito distintos de cultura e escolarização e cedo compreendi que o que é óbvio para mim pode não ser óbvio para o outro. Tento gerir estas expectativas da melhor forma, umas vezes melhores que outras. Por isso mesmo, nem sempre é fácil manter a empatia, porque por vezes as diferenças são demasiado grandes para que possa existir compreensão. Não consigo, por exemplo, compreender como é que tanta gente não sabe o que é o NIF, não consigo, e tenho noção que há um certo tom trocista na minha voz sempre que peço este dado e parece que estou a pedir o número de gotas que tem um oceano. Não consigo compreender e confesso que por vezes me exalto, como é que alguém que quer tratar com uma determinada entidade não tem dados de identificação para essa mesma entidade. Tenho noção de que discuto por vezes num circulo sem saída com os clientes que não têm noções básicas do que é necessário para o que eles pretendem. Tenho noção que se as diferenças forem demasiado estruturais que não consigo entender o outro por mais que me esforce e que o outro depois se sente revoltado porque eu não o entendo e na ótica dele, eu tenho má vontade.

 

Outra questão que se coloca aqui, e que a meu ver também tem que ver com a empatia são os alcances comunicacionais, e onde trabalho, uma grande parte das reclamações existem devido a problemas  de alcance comunicacional, ao estilo: O que eu digo ≠ O que o outro ouve. Ou seja, a maioria das reclamações surgem porque o cliente ouviu tudo o que nós dissemos mas interpretou de uma maneira totalmente diferente do suposto - uma vez mais, do suposto para nós. E se por vezes, e analisando bem a questão, é porque não soubemos adaptar as palavras, outras tantas desconheço completamente  a razão, é como se falássemos línguas totalmente diferentes.

 

Pergunto-me tantas vezes como é que é possível diminuir os problemas de comunicação...

 

Uma das conclusões a que vou chegando é que muitos deles advêm da dificuldade em criar empatia com o outro por ignorarmos totalmente a sua cultura e formação. Mas tratar todos como se não soubessem nada também é contraproducente, porque tantas vezes tento ter presente que o que é óbvio para mim não o é para o outro, que gero mal entendido no sentido oposto: ou seja, tantas vezes explico as coisas como se falasse com uma criança - sem mimimis e "inhos" mas com as palavras mais simples que existem - que por vezes sinto que as pessoas se sentem ridicularizadas - ou apenas que sou burra -, porque como é para mim, também é óbvio para ele mas eu não sei que o é.

 

Por isso, sinto tantas vezes dificuldades em gerir estes desafios comunicacionais. Falando diariamente com pessoas que não conheço, como perceber o que é óbvio ou não, para alguém? Como colocar-me na pele do outro se eu não conheço esse outro?

 

Não acredito que existam fórmulas mágicas. Mas acredito que hajam dicas úteis.

 

Que dicas têm vocês para mim?

A minha primeira vez com a SheIn

Como sabem sou fã de compras online. Comecei de mansinho a comprar maquilhagem e produtos capilares e entretanto já me arrisco em peças de joalharia, roupa e calçado. Perdi o medo quando descobri que pagando com Paypal eles devolvem os portes de devolução caso seja necessário e até já tive que devolver umas peças e correu tudo muito bem. Assim, apesar de ser chato esta coisa de ter de ir levantar aos CTT se não estivermos em casa, e ter de ir aos CTT caso queiramos ir devolver, a verdade é que tenho conseguido preços que nas lojas não encontro por peças muito boas e giras o que compensa todo o risco que tenhamos que correr.

 

Ainda assim, e porque não tenho assim tanto tempo para estas trocas e baldrocas tento fazer escolhas seguras, e quando não conheço uma marca, ou loja online, costumo comprar apenas uma peça - baratinha - e ver como corre. 

 

Assim foi com a SheIn.

 

 

 

Aproveitei que eles estavam em campanha de oferta de portes de envio devido a aniversário e comprei uma camisola que me parecia incrível. Mas foi uma desilusão.

 

O que me saltou logo à vista foram os preços. Pensamos que os preços vão ser e puta da loucura uma vez que é uma loja chinesa, e achei os preços demasiado elevados para as peças que são, a verdade é que consigo comprar melhor e mais barato pela ShowRoomPrive, tenho é de estar mais atenta às vendas que as pechinchas não estão sempre à espreita. Mas adiante, lá encontrei uma camisola que gostei - e estou com tanta falta de camisolas para este tempo - e o preço não era muito elevado e encomendei.

 

 

Encomendei esta menina e fiquei com algumas expectativas. Mas não gostei propriamente. Como ela me parecia um pouco larga, comprei em tamanho M, e mesmo assim fica-me larga. É demasiado curta, mal tapa o cinto das calças e tenho de usar um top por dentro para não se ver o flanco, para além de que quando chegou parecia que tinha andado na guerra: cheia de pêlos e cheia de fios puxados. Para além disto não gostei muito do material.

 

A única coisa verdadeiramente boa desta encomenda foi o prazo de entrega. Não demorou nem uma semana. Encomendei no dia 16 de Outubro e 4 dias depois, no dia 20 já estava na minha gaveta. Fiquei mesmo muito surpreendida com este prazo.

 

Comprei para experimentar este site, não me seduziu, não gostei do resultado final, e por isso a Mula não recomenda.

 

E vocês já experimentaram? Terei tido apenas azar?

Solidariedade, Marketing e Bom Senso

 

 

Estamos oficialmente na época dos peditórios. Esta época inicia-se no dia 1 de Novembro com o Dia de Todos os Santos e prolonga-se até finais de Dezembro para aproveitar o espírito natalício.

 

Dizem que nesta altura as pessoas são mais solidárias. Dizem que no Natal as pessoas colocam a mão à consciência e contribuir é uma forma de lavar a alma. Acredita-se, e se assim é, é porque deve ser verdade, que nos meses em que as pessoas gastam mais dinheiro e ficam depenadas - e algumas endividadas - até Março, que é mais fácil que as pessoas contribuam, quiçá na esperança de encontrarem um lugarzinho felpudo no céu.

 

Eu sinceramente não acredito.

 

Sinceramente acho que nos moldes que os peditórios são realizados, é possível obter uma boa adesão independentemente da época em que é realizado - com à exceção de Janeiro e Fevereiro, que já se sabe, nesses meses o dinheiro já quase nem estica para pagar a água, porque a juntar ao dinheiro que se pediu emprestado para as prendas de Natal, está a conta da luz que inclui quase 2000 horas de ar condicionado ou aquecimento central para tirar a humidade dos ossos. 

 

Ora vejamos:

 

As pessoas que efetuam os peditórios encontram-se a fazer barreira humana nas entradas dos supermercados ou nos centros comerciais, não dando grande espaço à pessoa de decidir se quer ou não contribuir, nem se querem ou não falar com estranhos, muitas das vezes esticam o saco - quando é pedido de alimentos - de uma forma que o nosso cérebro pega sem pensar porque é automático, e como se isto ainda fosse pouco ainda colocam crianças pequenas a fazê-lo. Como dizer não a uma criancinha? É o mesmo que nas ruas das cidades os pedintes terem um cãozinho com um cesto na boca enquanto o palermita do dono toca umas notas num acordeão. Porque não segura ele o cesto com os dentes? 

 

Adiante. 

 

Calma, antes de começarem já a cuspir fogo, a atirar pedras ou a arrancarem os cabelos leiam só mais um pouco.

 

O que está em causa não é a pertinência da causa, a necessidade que as instituições têm, e a importância das mesmas nos meios onde se inserem. Essa questão daria todo um outro e diferente texto. A questão é a forma como as pessoas são abordadas, como as coisas são realmente feitas. Não é possível assim, determinar a solidariedade das pessoas porque desta forma não é possível avaliar se a pessoa contribuiu porque quis ou porque se sentiu obrigada, por padecer daquele grande mal que na ótica da Mula é muito comum nos portugueses, o não saber dizer não. E quem estabelece estas campanhas sabe perfeitamente disso. Sabe quanto mais agressivo for o peditório mais as pessoas contribuem.

 

Certo, as instituições precisam tanto, tanto tanto que só assim é que conseguem obter resultados satisfatórios. Certo. Entendo. Entendo mas não concordo porque para mim é uma forma de coação. Eles estão no direito de pedirem,  eu estou no direito de dizer que não, e ainda há quem esteja no direito de não querer ser abordado. E além do mais as pessoas têm direito a esse espaço de decisão, sem pressões nem atentados ao espaço físico alheio. Vivemos numa democracia certo? Então quer quer contribuir contribui, e não precisa que lhe impinjam um saquinho ou um autocolante para a lapela, quem não quer não contribui. Estas campanhas devem continuar a existir, mas sem que as pessoas que ali estão interfiram no espaço social dos outros. Considero por isso, e que cada vez mais, há falta de bom senso. Não tarda, não colocam só criancinhas de 8 ou 10 anos a pedir, colocarão antes criancinhas com 8 ou 10 anos a pedir, com um cão/gato bebé numa mão, e o saco ou "mealheiro" na outra, enquanto fazem barreira humana nos supermercados e entradas dos shoppings.

 

Pode-se fazer? Pode-se. É ético? A Mula acha que não! Se a Mula acha que se deve pedir? Acha pois. Se a Mula acha que as pessoas devem sentir-se obrigadas a dar... Não, obviamente que não!

Sabes que a confiança da relação está por um fio quando...

Mulo: Então que estás a fazer?

Mula: Estou a pintar o cabelo.

Mulo: A sério? Outra vez? De que cor...?

Mula: Outra vez? Eu pinto todos os meses... Estou a pintar da mesma cor.

Mulo: Da mesma cor?

Mula: Sim...

Mulo: Não pode ser. Estás a mentir...

Mula: Oh! A sério, é da mesma cor!

Mulo: Tu nunca farias uma coisa dessas!

 

 

Agora vão dizer-me o quê, que eu mudo de cor de cabelo muitas vezes* não?

Há com cada uma...

 

 

*Lá por num espaço de dois anos ter sido loira, morena, ruiva e ter passado por uns 10 vermelhos e ruivos totalmente diferentes não quer dizer nada! Só infâmias! Só infâmias!

Curtas do dia #824

O mal geral da humanidade, é que as pessoas levam a vida demasiado a sério. Já ninguém acredita em ações despretensiosas.  O trabalho é levado demasiado a sério. As relações sociais são levadas demasiado a sério. As brincadeiras são levadas demasiado a sério. Tudo nesta vida tem de ser competição feroz, estratégica e carregada de maldade.

 

Cadê o nosso fair play? Ou isso nunca existiu a não ser na literatura? 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.